sábado , 21 de outubro de 2017
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Lágrimas que não convencem – Wilson Bezerra de Moura

Bandidagem, ladroagem, roubalheira e corrupção, tudo isso existiu no passado da política brasileira. A sua gravidade é medida numa época de maior êxtase da história. Recordo-me quando pela década de 80 ou 90 salvo engano, foi descoberta uma ladroagem que recebeu a denominação OS ANÕES DO ORÇAMENTO. Foi uma bomba sem fim, uma verba orçamentária que dominou o orçamento da união em favor de inúmeros parlamentares. O maior beneficiado nessa jogada foi o deputado baiano João Alves, que se defendeu no escudo de que foi sorteado por inúmeras vezes na Loteria Federal, como se o povo brasileiro, além de burro, fosse doido.

Um deputado, que não me recordo o nome no momento, era o autor intelectual da roubalheira no Orçamento dos Anões. Quando estourou o escândalo foi para a tribuna da Câmara, enrolou-se com a bandeira nacional, chorando em desespero, levantando louvores ao País, que não merecia esse destino, não merecia passar por tão vexatória situação. Foram tantas as lágrimas dramáticas, que era preciso um bom ator para encenar a dramatização. No final das contas o principal responsável pelo escândalo era o próprio deputado patético e chorão. Não se sabe o destino final, sabemos que o Secretário Geral do Orçamento na Câmara foi quem pegou cadeia até largar o choco.

Permitimo-nos dizer que no momento atual desses desmandos da Lava-jato, no caso específico do ladrão Geddel Viera, o quadro foi mais alarmante. Os malotes soterrados de dinheiro roubado do povo não davam para simular sorteio na loteria federal, era mesmo um roubo direto. As lágrimas derramadas pelo autor do assalto não convenceram o público que assistiu o descaramento como ele prestou depoimentos frente à justiça federal.

A encenação dos demais canalhas depoentes na Lava Jato foi mais ponderada, menos dramática. Prestaram depoimento sem choro nem lágrimas, só deixando transparecer no semblante de cada um o descaramento e cinismo com que enfrentava o povo roubado  em seus parcos recursos financeiros.

Deplorável que com esse povo que está aí como representante da nação tudo é possível acontecer, como forma de descaracterizar a força do direito em favor da libertinagem.

Resgate da cidadania – Paiva Netto

Originário da campanha permanente da Legião da Boa Vontade contra a fome e pela cidadania — lançada pelo saudoso Fundador da LBV, Alziro Zarur (1914-1979), no fim da década de 1940, com a popular “Sopa dos Pobres” —, o programa socioeducativo Ronda da Caridade da LBV, lançado em 1o de setembro de 1962, completa mais um ano de atuação.

Tive o privilégio de participar da Ronda inaugural, em 1o/9/1962, no Rio de Janeiro/RJ. Guardo, até os dias de hoje, aquele espírito do começo, perseverando e tendo a honra de ver multiplicada esta equipe que, diuturnamente, levanta das calçadas brasileiros iguais a nós. Lembro-me de que nessa ocasião completava-se o 23o ano do início da Segunda Guerra Mundial, quando Hitler (1889-1945) invadiu a Polônia. Com a Ronda da LBV, se fez e se faz o contrário: proclama-se a “guerra” contra o desamparo, a deseducação e a miséria.

Com o passar do tempo, aprimoramos a iniciativa, adequando-a aos parâmetros da Política Nacional de Assistência Social (PNAS). Hoje, as ações desenvolvidas com as famílias visam à aquisição do conhecimento de seus deveres e direitos, à percepção de oportunidades e à melhoria das práticas comunitárias, com vista a aumentar a qualidade de vida das gentes por meio de palestras educativas, entrega de refeições e/ou alimentos não perecíveis e oficinas de incentivo à busca de novos conhecimentos, de forma que as pessoas atendidas possam exercer efetivamente a cidadania plena. São realizadas, também, atividades lúdicas que estimulam boas atitudes e o relacionamento dentro do grupo, sem esquecer a prece no lar, que traz o conforto espiritual tão necessário nos momentos difíceis.

Minha homenagem a todos os voluntários da Equipe Legionária Altruística e Ecumênica, que se dedica a amenizar o sofrimento alheio, de modo que vivamos um mundo melhor.

 

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Objetivos de Desenvolvimento Sustentável e a Ronda

É importante ressaltar que os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável — estabelecidos pela ONU em 2015 e subscritos por mais de 150 países, cuja meta é trabalhar vários pontos, desde a erradicação da pobreza e da fome até a preservação do meio ambiente — alinham-se de maneira peremptória com os princípios da vanguardeira atuação da LBV.

 

Super RBV

Coincidentemente, em 1992, num 1o/9, iniciei a programação 24 horas da Super Rede Boa Vontade de Rádio*, no Brasil, no exterior e também pela internet. Por sinal, o surgimento da LBV deu-se a partir do famoso Hora da Boa Vontade, que Zarur estreou na Rádio Globo, do Rio de Janeiro, a 4 de março de 1949.

Ao longo desses anos, a Super RBV caracterizou-se pelo pioneirismo de veicular uma prece, de hora em hora, no Momento Ecumênico de Oração. Com uma grade diversificada (Espiritualidade, esporte, cultura, jornalismo e utilidade pública), a maior audiência fica por conta da mensagem do Evangelho-Apocalipse de Jesus, explicado em Espírito e Verdade, à luz do Mandamento Novo do Cristo Ecumênico, o Divino Estadista: “Amai-vos como Eu vos amei. Somente assim podereis ser reconhecidos como meus discípulos” (João, 13:34 e 35).

 

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(Nota dos editores)

*Super Rede Boa Vontade de Rádio — Rede radiofônica criada por Paiva Netto, que hoje conta com emissoras interligadas via satélite e conectadas permanentemente à internet: www.boavontade.com.

 

José de Paiva Netto, jornalista, radialista e escritor. Contato: [email protected]www.boavontade.com

Memória fraca da senadora Gleisi Hoffmann

Da página do Facebook da Senadora Ana Amélia Lemos (PP-RS): “Hoje (19/09) tive de refrescar a memória da senadora presidente do PT que censurou os parlamentares que votaram a favor do impeachment. Por que não menciona as obras inacabadas que foram iniciadas em 2014 apenas como parte do projeto de reeleição a qualquer custo? O resultado da gestão irresponsável foi a mais grave crise do país e 14 milhões de desempregados. É preciso coerência nas atitudes. Querem tapar o sol com a peneira! A ladainha de perseguição política não cola mais depois do que Palocci falou na Justiça sobre Lula”.

Acessando a página eletrônica da senadora Ana Amélia, o leitor poderá assistir ao vídeo onde a senadora gaúcha, com desenvoltura e contundência, destrói os argumentos do PT e da senadora Gleisi Hoffmann (PT-PR).

O pito da senadora Ana Amélia à líder da bancada da chupeta e do PT, Gleisi Hoffmann, foi arrasador. Gleisi, no entanto, com o seu sorriso de sempre debochado, engoliu a seco as verdades de Ana Amélia.

Será que  Gleisi dorme um sono tranquilo diante da condenação de Lula e de outras que virão, inclusive dela e de seu esposo Paulo Bernardo, o qual é acusado em parceria com a CONSIST de ter criado esquema criminoso  para lesar os empréstimos consignados dos velhinhos aposentados  e endividados?

Causa estupefação a desfaçatez de Gleisi ao ainda defender Lula, depois de desmascarado por Palocci.

Lula é um caso de patologia psiquiátrica. Agora, encurralado na Justiça, chega ao desplante de invocar o testemunho de  uma pessoa morta, a sua própria esposa, para justificar os comprovantes de pagamentos de aluguel, que ele finge não saber.

Será que a senadora Ana Amélia conseguiu refrescar a memória da empedernida Gleisi Hoffmann?

Júlio César Cardoso é Bacharel em Direito e servidor federal aposentado.

Balneário Camboriú-SC.

Desarmar os corações – Paiva Netto

Relendo o meu livro Jesus, a Dor e a origem de Sua Autoridade, lançado em 8 de novembro de 2014, achei alguns modestos apontamentos, os quais gostaria de apresentar a vocês, que me honram com a leitura.

Por infelicidade, os povos ainda não regularam suas lentes para enxergar que a verdadeira harmonia nasce no íntimo esclarecido de cada criatura, pelo conhecimento espiritual, pela generosidade e pela justiça. Consoante costumo afirmar e, outras vezes, comentarei, eles geram fartura. A tranquilidade que o Pai-Mãe Celeste tem a oferecer — visto, de lado a lado, com equilíbrio e reconhecido como inspirador da Fraternidade Ecumênica — em nada se assemelha às frustradas tratativas e acordos ineficientes ao longo da nossa História. O engenheiro e abolicionista brasileiro André Rebouças (1838-1898) traduziu em metáfora a inércia das perspectivas exclusivamente humanas: “(…) A paz armada está para a guerra como as moléstias crônicas para as moléstias agudas; como uma febre renitente para um tifo. Todas essas moléstias aniquilam e matam as nações; é só uma questão de tempo”. (O destaque é nosso.)

Ora, vivenciar a Paz desarmada, a partir da fraternal instrução de todas as nações, é medida inadiável para a sobrevivência dos povos. Mas, para isso, é preciso, primeiro, desarmar os corações, conservando o bom senso, conforme enfatizei à compacta massa de jovens de todas as idades que me ouviam em Jundiaí/SP, Brasil, em setembro de 1983 e publiquei na Folha de S.Paulo, de 30 de novembro de 1986. Até porque, como pude dizer àquela altura, o perigo real não está unicamente nos armamentos, mas também nos cérebros que criam as armas; e que engendram condições, locais e mundiais, para que sejam usadas, que pressionam os gatilhos e os dedos os quais apertam os botões.

Armas sozinhas nada fazem nem surgem por “geração espontânea”. No entanto, são perigosas mesmo que armazenadas em paióis. Podem explodir e enferrujam, poluindo o ambiente. Elas são efeito da causa ser humano quando afastado de Deus, a Causa Causarum*, que é Amor (Primeira Epístola de João, 4:16). Nós é que, se distantes do Bem, somos as verdadeiras bombas atômicas, as armas bacteriológicas, químicas, os canhões, os fuzis, enquanto descumpridores ou descumpridoras das ordens de Fraternidade, de Solidariedade, de Generosidade e de Justiça do Cristo, que é o Senhor Todo-Poderoso deste orbe.

No dia em que o indivíduo, reeducado sabiamente, não tiver mais ódio bastante para disparar artefatos mortíferos, mentais e físicos, estes perderão todo o seu terrível significado, toda a sua má razão de “existir”. E não mais serão construídos.

É necessário desativar os explosivos, cessar os rancores, que insistem em habitar os corações humanos. Eis a grande mensagem da Religião do Terceiro Milênio, que se inspira no Cristo, o Príncipe da Paz: desarmar, com uma força maior que o ódio, a ira que dispara as armas. Trata-se de um trabalho de educação de largo espectro; mais que isso, de reeducação. E essa energia poderosa é o Amor — não o ainda incipiente amor dos homens —,  mas o Amor de Deus, de que todos nós nos precisamos alimentar. Temos, nas nossas mãos, a mais potente ferramenta do mundo. Essa, sim, é que vai evitar os diferentes tipos de guerra, que, de início, nascem na Alma, quando enferma, do ser vivente.

As pessoas discutem o problema da violência no rádio, na televisão, na imprensa ou na internet e ficam cada vez mais perplexas por não descobrir a solução para erradicá-la, apesar de tantas e brilhantes teses. Em geral, procuram-na longe e por caminhos intrincados. Ela, porém, não se encontra distante; está pertinho, dentro de nós: Deus!

“(…) o Reino de Deus está dentro de vós” Jesus (Lucas, 17:21).

E devemos sempre repetir que o Pai Celestial é Amor! Não o amor banalizado, mas a Força que move os Universos. Lamentavelmente, a maioria esmagadora dos chamados poderosos da Terra ainda não acredita bem nesse fato e tenta em vão desqualificá-lo. São os pretensos donos da verdade… Entretanto, “o próximo e último Armagedom mudará a mentalidade das nações e dos seus governantes”, afiançava Alziro Zarur (1914-1979). E eu peço licença a ele para acrescentar: governantes sobreviventes.

Conforme anunciado no austero capítulo 16, versículo 16, do Livro da Revelação, o Apocalipse, “Então, os ajuntaram num lugar que em hebraico se chama Armagedom”. (Armagedom, local onde reis, príncipes e governantes são agrupados para a batalha decisiva.)

Sobrepujar os obstáculos

Zarur dizia, “na verdade, quem ama a Deus ama ao próximo, seja qual for sua religião, ou irreligião”.

Recordo uma meditação minha que coloquei no livro Reflexões da Alma (2003): O coração torna-se mais propenso a ouvir quando o Amor é o fundamento do diálogo.

E um bom diálogo é básico para o exercício da democracia, que é o regime da responsabilidade.

Ao encerrar este despretensioso artigo, recorro a um argumento que apresentei, durante palestras sobre o Apocalipse de Jesus para os Simples de Coração, apropriado igualmente aos que porventura pensem que a construção responsável da Paz seja uma impossibilidade: (…) Isso é utopia? Ué?! Tudo o que hoje é visto como progresso foi considerado delirante num passado nem tão remoto assim. (…)

Muito mais se investisse em educação, instrução, cultura e alimentação, iluminadas pela Espiritualidade Superior, melhor saúde teriam os povos, portanto, maior qualificação espiritual, moral, mental e física, para a vida e o trabalho, e menores seriam os gastos com segurança. “Ah! é esforço para muito tempo?!” Então, comecemos ontem! Senão, as conquistas civilizatórias no mundo, que ameaçam ruir, poderão dar passagem ao contágio da desilusão que atingirá toda a Terra.

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Causa Causarum — Expressão em latim que significa Causa das causas — no caso, Deus.

 

José de Paiva Netto, jornalista, radialista e escritor. Contato: [email protected]www.boavontade.com

LER É RECRIAR

Sempre defendi que precisamos lançar mão de toda e qualquer alternativa para difundir o hábito da leitura. E penso que não é só a escola que tem a responsabilidade de ensinar os leitores em formação a ter gosto pela leitura. A família também tem papel muitíssimo importante nesse sentido, pois o exemplo dos pais, principalmente, quase sempre é seguido pelos filhos. O livro em casa, o livro nas mãos dos pais, o livro perto da criança, ao redor da criança, como caminho para levar a criança a ter curiosidade pelo seu conteúdo e gostar de ler já foi assunto de outra crônica nossa.

Mas não é só isso. Muitos adultos não gostam de ler. Talvez por terem parado de estudar, ou porque foram obrigados a ler algum livro a contragosto quando muito jovens ou por nunca terem tido oportunidade, por qualquer razão, de conhecer algum gênero literário. Nesse caso, a empresa onde esse adulto trabalha pode ajudar, de várias maneiras. Ministrando cursos de aperfeiçoamento profissional, oferecendo bibliotecas e divulgando os títulos disponíveis, dando incentivo a talentos artísticos da casa, propiciando a volta aos estudos

A propósito disso, lembro que tive um bom exemplo na empresa onde trabalhava. Para comemorar o aniversário da dita empresa, além do Baile de confraternização, foi instituído uma semana de exibição de obras da “prata da casa”. Os produtores de qualquer tipo de arte – música, literatura, artes plásticas, teatro, fotografia, poderiam mostrar o seu trabalho. Eu, claro, levei poemas, um em cada folha, com letras maiores, que foram colocados em um tipo de galeria, junto com poemas de outros funcionários, pinturas, desenhos, etc, ao longo das paredes, pelos corredores.

O que me surpreendeu, em primeiro lugar, foi o fato saber que pessoas que eu nem imaginava, escreviam e escreviam bem. Em segundo lugar, muita gente que eu não esperava que gostasse do gênero, veio falar comigo a respeito dos poemas expostos, provando que os leram e afirmando que gostaram. Fiquei feliz, não só porque meu trabalho os atingiu, mas porque consegui fazer novos leitores para um gênero quase maldito.

E resolvi escrever essa crônica por um fato que se me revelou curioso. Algumas colegas de trabalho, estudantes, sabendo do lançamento dos meus livros na Feira do Livro de Florianópolis e lendo meus poemas nos corredores da nossa empresa, pediram-me que lhes trouxesse pelo menos um de meus livros. Para uma delas, dei o livro “A Cor do Sol” – poemas, que não é o mais recente, mas é um livro do qual gosto, particularmente.

No dia seguinte, uma delas contava para todos do ambiente de trabalho, que na volta para casa, no dia anterior, ela começara a ler o livro no ônibus e quando se deu conta havia passado do ponto. Segundo ela, empolgou-se na leitura, ligou-se tanto nos poemas que acabou tendo que andar, pois desceu alguns pontos além do seu.

É muito gratificante ter esse feed back do leitor, saber que a nossa maneira de ver a vida, o mundo, está se identificando com o leitor, que a sua mensagem está chegando, que o objetivo está sendo alcançado.

Uma situação como essa, acontecida com alguém que dizia odiar ler, é muito significativa. Às vezes é muito bom saber que estamos no caminho certo. Que a nossa emoção está chegando ao coração de alguém.

Por Luiz Carlos Amorim – Escritor, editor e revisor – Fundador e presidente do Grupo Literário A ILHA, que completa 37 anos de literatura neste ano de 2017. Cadeira 19 da Academia Sulbrasileira de Letras.

Quem investiga o MP ?

Por Antônio Melo
Jornalista

Segundo a revista Conjur – Consultor Jurídico, talvez a mais respeitada na área do direito, “a vulgarização do instituto da colaboração premiada demitiu o investigador do dever de investigar”.

Parece que tem fundamento. De vez em quando nossas TVs são invadidas pelo professor Delatol, isto é, procurador Dallagnol, mostrando em seu indefectível PowerPoint que o senhor Fulano comanda uma ORCRIM (entenda-se organização criminosa, em bom português).

E, suntuoso, professoral, gongórico, ensina que evidências são provas suficientes da culpa dos políticos corruptos e delatados e que eles, os procuradores salvadores da pátria as estão exibindo e trazendo para o escárnio da nação e danação da política. Para corroborar, sobram evidências avassaladoras como recibos de pagamentos de pedágio, documento sem assinatura, até nota fiscal da compra de um pedalinho. E, fechando com chave de ouro, a delação do amigo, homem de confiança, assessor direto, contando tudo o que o MP queria ouvir. As evidências são incontáveis, absurdas, avassaladoras. Demolidoras.

Já que o pau que bate em Chico, tem que bater em Francisco, vamos lá:

O ministério público consegue uma delação dos irmãos Joesley ao preço suspeito de um indulto dos seus crimes (que já não eram poucos); um procurador da república, Ângelo Goulart Vilela, recebia mensalmente 50 mil reais dos irmãos Friboi para passar-lhes informações relacionadas à operação Greenfield, da PF, em que eles também estavam enrolados; o procurador Marcelo Miller, da confiança do Jannot, da força tarefa da lava jato, fora cooptado pelos irmãos carniceiros para dar uma mão na “colaboração premiada” que viria em seguida; a família milionária, sabedora que a divulgação das gravações da conversa com o presidente Temer e com o senador Aécio Neves provocaria uma hecatombe na bolsa e uma elevação brutal no dólar, lucra 220 milhões com operações fraudulentas no mercado de ações e do câmbio, coincidentemente o mesmo valor que teria de ressarcir aos cofres públicos pelo acordo de delação; a “conversa de bêbados” vaza revelando comprometimento ainda maior do procurador Miller, fazendo insinuações sobre Jannot, José Eduardo Cardozo, ministra Carmen Lúcia, do STF, dentre outros; bombardeado, Jannot pede na sexta-feira 8, a prisão dos irmãos enrolados, que é concedida pelo ministro Fachin tarde da noite do mesmo dia e comunicada imediatamente à Procuradoria e Polícia Federal; a PF se diz pronta para realizar a tarefa; sábado 9, num canto de um depósito de bebidas, subúrbio de Brasília, usando óculos escuros, o procurador Rodrigo Jannot encontra o advogado Pierpaolo Bottini, defensor dos irmãos encrencados. Conversam por cerca de vinte minutos, segundo testemunhas. Os dois dizem que o encontro foi casual; no domingo 10, as 14:02h Joesley Batista, chega à sede da PF, na Lapa, em São Paulo, para se entregar; quarta-feira 13, a PF descobre no celular de Marcelo Miller que ele fazia parte de um grupo de WatsApp ainda quando procurador, junto com os irmãos Batista; na mesma data a PF, não ministério público, pede a prisão preventiva da dupla do Friboi por fraude no mercado de capitais. Wesley, irmão de Joesley, é preso pela PF.

Evidências. Um caminhão delas. Um contêiner do porto de Santos, se quiserem. Mas para que servem? Alguém vai ficar meses, um ano, dois preso até delatar? Alguém vai levantar a burca da cabeça desse misterioso ministério público para saber o que está acontecendo por trás da cortina? Quem? O Congresso acovardado? Uma OAB omissa? Uma ABI que, esclerosada, esqueceu onde deixou a chave para cerrar as portas?

É lamentável concluir: a democracia está perdendo a voz.

Portal no Ar
16.09.17

O que se sabe sobre produtividade no Brasil?

Simone Bertelli

O que se sabe sobre produtividade no Brasil?

Devemos falar de quem é a culpa

por *Eduardo Banzato

No Brasil, é muito confortável colocar a responsabilidade dos nossos baixos índices de produtividade nas costas dos trabalhadores. Os “Intelectuais”, que geralmente possuem grande espaço de mídia, vivem afirmando que a produtividade do trabalhador brasileiro é baixa. É só observar as manchetes e você verá: “A produtividade por trabalhador no Brasil não cresce desde 1980”; “Brasileiro tem baixa produtividade”; “The Economist diz que brasileiro é improdutivo’’. Mas o que será que se sabe, de fato, sobre a produtividade do trabalhador brasileiro?

Às vezes, me pergunto: “será que todos os “intelectuais”, que muito estudaram, já tiveram a oportunidade de estar ao lado daquele que é denominado “trabalhador brasileiro”?”

Será que eles não poderiam se colocar no lugar destes 2 trabalhadores brasileiros, Antônio e Maria…

o Antônio, um trabalhador brasileiro que atua como ajudante na distribuição de um grande varejista, há mais de 20 anos. Acorda às 4h da manhã e segue para o trabalho. Antes das 6h já iniciou o carregamento do veículo (caminhão). Faz a amarração dos volumes no baú com todo o cuidado para não danificar os produtos, confere toda a documentação e segue para o seu dia de trabalho, onde realiza 95% das entregas para diferentes clientes, retornando ao Centro de Distribuição, ao final do dia, com sentimento de missão cumprida.
E a Maria, uma trabalhadora brasileira que, durante 10 anos, acorda às 5h e segue para a fábrica, diariamente, com o objetivo de realizar o seu trabalho em uma célula de produção. Muitas vezes seu supervisor a incentiva a superar seu desempenho, pois o mesmo estava pouco abaixo da produtividade esperada e com um pouco de esforço ela consegue atingir. Bem, agora, infelizmente, a Ana Maria está desempregada, batalhando duro por uma nova oportunidade.

Agora imagine ao final do dia, o Antônio e a Maria, cansados, chegando em casa e escutando no noticiário um destes “intelectuais” dizendo: “…o fato é que a produtividade do trabalhador brasileiro é uma das mais baixas no mundo”. Imagine como eles se sentem. Será que esses “intelectuais” não poderiam divulgar estes fatos de maneira diferente?

Eu ficaria muito mais à vontade se os “intelectuais” deixassem bem claro que a baixa produtividade operacional é consequência direta da péssima gestão de nosso Estado. Existe uma transferência de responsabilidade do “Estado Improdutivo” para o “Trabalhador Improdutivo”.

Vejam alguns fatores críticos e como o Estado Brasileiro, com sua incompetência, lentidão e gestão fraudulenta é responsável pela baixa produtividade do “trabalhador”:

Tecnologia: acesso a determinadas soluções podem aumentar muito a produtividade operacional de qualquer operador, mas no Brasil, o trabalhador tem que se superar muito mais que em outros países, pois aqui o Estado é lento para decidir, além de organizar esquemas que dificultam a utilização da tecnologia e ainda assegurar legalmente que entidades sindicais trabalhem contra a produtividade.

Legislação e Justiça trabalhista: em relação a outros países, a nossa legislação e nossa justiça são uma piada! Alguns “intelectuais” aqui destacam os direitos conquistados, mas não possuem a mínima capacidade de enxergar o todo. O Estado Brasileiro é um “elefante branco” que não mais consegue reagir à dinâmica mundial.

Infraestrutura e Logística: boa parte da baixa produtividade operacional vem de nossa péssima infraestrutura. Por que motoristas de caminhões perdem tanto tempo em estradas? Por que operadores em linhas de produção ficam parados por falta ou atrasos de fornecimento? Enfim, aqui nosso Estado consegue a façanha de se manter, há muitos anos, sem capacidade de investimento em infraestrutura, pois os desvios e má gestão são tão grandes, que o próprio Estado perdeu o controle da gestão de tantos esquemas.

Burocracia: o que para alguns países é uma vantagem competitiva, no Brasil o Estado cria dificuldades para cobrar pelas facilidades. Isso já é cultural e o Estado assegura uma legislação tão confusa, que nenhuma empresa, mesmo que queira, consegue trabalhar como se deve, pois não está claro o que deve ser feito.

Mobilidade Urbana: O Estado, embora invista em um dos mais caros sistemas de transporte urbano do mundo para facilitar o ir e vir do trabalhador, possui um dos piores sistemas também. Resultado da incompetência e corrupção que acaba limitando todos os investimentos nesta área. E o trabalhador, investe horas para chegar ao trabalho e tem que se superar para competir com operadores de outros países.

Educação e Qualificação: Aqui, o modelo de gestão se repete… o Estado estabelece um orçamento ridículo para a formação educacional e profissional, remunera pessimamente os professores e as empresas acabam recebendo profissionais despreparados. Além disso, o Estado promove crises que aumentam a rotatividade (turnover), o que também dificulta a absorção de conhecimentos pelo trabalhador.

E o Trabalhador?

Esse tem que se superar todos os dias, pois precisa sustentar não só a sua família, mas principalmente o Estado Brasileiro.

É por esse motivo que gostaria que os “intelectuais” deixassem de dizer que o “trabalhador brasileiro é improdutivo” e começassem a destacar que é o Estado Brasileiro que possui uma das piores produtividades no mundo.

Sim, são vocês do Executivo, do Legislativo e do Judiciário os responsáveis diretos pela nossa baixa produtividade e não os trabalhadores.

*Eduardo Banzato é diretor do grupo IMAM, que há 37 anos atua na área editorial, de consultoria e treinamento em logística

Reconhecer defeitos próprios é saída para crise – Paiva Netto

Quando almejamos o apuramento das coisas, é imprescindível que localizemos o que está errado, a começar no nosso íntimo, porquanto, se não reconhecermos os nossos defeitos, como nos poderemos corrigir? Temos basicamente de deixar de enganar-nos a nós próprios, sob o risco de encenarmos, como protagonistas, este desabafo de La Fontaine (1621-1695): “A vergonha de confessar o primeiro erro leva-nos a muitos outros”.

Ora, isso se aplica a todos e a tudo para a melhor convivência global.

Tomemos como exemplo a atual crise. O capitalismo é uma sucessão delas. O que está a exigir, agora mais do que nunca, além das medidas técnicas corretivas, uma reforma que tenha como bandeira a dignidade, o respeito à criatura humana. Do contrário, a próxima explosão da bolha será muito pior que a da primeira década do século 21.

Erigir uma comunidade mundial mais responsável

Retificar esse costume doentio seria, digamos para argumentar, um categórico primeiro passo para erigir-se, no decurso do terceiro milênio, uma nova comunidade mundial mais responsável, portanto, com menos repentinas crises, incluídas as financeiras e econômicas — embora possível e ciclicamente armadas e previstas, pelo menos por aqueles que vivem a tirar ganancioso proveito do que a multidão nem imaginava acontecer. Junte-se a isso as proclamadas omissões e displicências de certos governos a fomentar sequelas como a grave questão do desemprego; a falta de uma melhor regularização e fundamentos econômicos sólidos; as estimativas equivocadas da situação econômica; e as inefáveis cobiça e arrogância, que têm sido o túmulo de tanta coisa apreciável que nem ao menos teve tempo de nascer, para orfandade das massas. Como vaticinava o Gandhi (1869-1948), “chegará o dia em que aqueles que estão na corrida louca de multiplicar os seus bens na vã tentativa de engrandecimento (extensão de territórios, acúmulo de armas, de riquezas, de poderes…) reavaliarão os seus atos e dirão: Que fizemos nós?”.

Por isso tudo, prefiro primeiramente confiar em Jesus, que o Mahatma, indiano, mas acima de tudo universalista, tanto respeitava, assim como o fazem os irmãos islâmicos. O Cordeiro de Deus não trai nem entra em crise. Para nossa segurança, Ele havia-nos confortado, ao revelar:

“Eu sou o Pão da Vida; quem vem a mim de forma alguma terá fome; e quem em mim crê jamais terá sede! (…) Eu sou o Pão Vivo que desceu do Céu. Se alguém dele comer, viverá eternamente” (Evangelho, segundo João, 6:35 e 51).

Ora, tudo neste planeta pode ficar além do controle dos homens, mas nada escapa ao comando de Deus. Todavia, quando os seres humanos verdadeiramente se reúnem com o fito de achar-se uma solução, mesmo que para os mais espinhosos problemas, ela surge. Mas é “preciso que haja Boa Vontade”, consoante propunha o saudoso fundador da LBV, Alziro Zarur (1914-1979), desde que não seja confundida com boa intenção, com a qual está calçado o inferno, como diz o povo.

José de Paiva Netto, jornalista, radialista e escritor. Contato: [email protected]www.boavontade.com

Teresa e dez moedas – Paiva Netto

O povo diz que pensamento é força. Está com a razão. De certa forma, repete o que ensinou Jesus no Evangelho, segundo Marcos, 9:23 e 11:24: “Tudo é possível àquele que crê. O que pedirdes na prece, crede que havereis de receber e vos será concedido”.

É evidente que o Divino Professor não se referia a pedidos absurdos que alguns fazem e depois reclamam por não terem sido atendidos… Que quereriam?… Seja a nossa Fé Realizante sempre utilizada em favor do Bem, como no exemplo construtivo de Santa Teresa com as suas famosas dez moedas.

Malba Tahan, pseudônimo do famoso escritor e matemático brasileiro Júlio César de Mello e Souza (1895-1974), conta, no seu livro Lendas do Céu e da Terra, o que, de memória, peço-lhes licença para transcrever aqui, porquanto é muito ilustrativo:

 

“Preparava-se Santa Teresa para partir em viagem. Uma das religiosas que com ela viviam perguntou-lhe o que ia fazer.

“— Fundar uma nova obra a serviço do Bem — respondeu a Santa.

“— E tens recursos para isso, levas algum dinheiro?

“— Dez moedas.

“— Ora, dez moedas! — exclamou atônita a religiosa. Isso é muito pouco! Que poderás fazer, Teresa, com dez moedas?

“— Sim — replicou a Santa —, tens razão, realmente. Teresa e dez moedas é muito pouco. Porém, Deus, Teresa e dez moedas é tudo”.

 

Resumidamente, esta é a história contada pelo saudoso professor Júlio César de Mello e Souza.

O mundo precisa de bons exemplos de trabalho, de realizações que a toda sua população, afinal, beneficiem, mas urgentemente necessita orar. Isso não faz mal nem deixa ninguém alienado, como alguns apressadamente ainda dizem por aí. É pura ignorância de questões vitais, que necessitam ser aclaradas. Enquanto o ser humano meridianamente não souber o que veio fazer neste planeta, continuará dando topadas pelos caminhos da vida, nesta e em outras dimensões.

Advertia Alziro Zarur (1914-1979), saudoso Fundador da LBV: “A invocação do nome de Deus, feita com o coração cheio de sinceridade, atrai o amparo dos Espíritos Superiores”. (…)

 

José de Paiva Netto, jornalista, radialista e escritor. Contato: [email protected]www.boavontade.com

Revolução Constitucionalista – Wilson Bezerra de Moura

A base fundamental para que exista uma revolução está nos revoltosos. Sem eles não há revolução e com eles não é possível ocorrer paz. E mais, não é uma revolta gerada em dado momento, é uma situação que conduz a uma reviravolta na sociedade. Os contrários são justamente aqueles que se revoltam e rompem os laços da tranquilidade.

À época em que o governador de São Paulo, que sempre foi o foco da grandeza populacional e política, irrompeu uma revolução chamada Constitucionalista, no ano de 1932, chefiada pelo general Bertoldo Klinger, com o apoio do próprio governador, Mossoró teve participação nesse enlace, mesmo tendo ordem severa transmitida pelo chefe de polícia do estado para não haver manifestação contrária ao Catete.

A proibição consistia, primeiramente, nas censuras aos jornais. Toda matéria teria que ser vista antes de publicada, e as emissoras de radio, embora poucas existentes na cidade, não podiam sintonizar as emissoras de São Paulo.

Mario Vilar, que morava à Rua das Flores, nas horas vagas de sua repartição, mantinha uma oficina de reparos de rádio mais para entrar no ar para averiguação e concerto, tinha primeiro de ser fiscalizado pela polícia, segundo o escritor Lauro da Escóssia em seu Mossoró no Passado. Era fiscalizado rigorosamente. A polícia tomava as medidas censuráveis e logo as transmitia ao Interventor Bertinho Dutra.

O descumprimento da ordem policial dava cadeia e, assim, certa ocasião, o próprio Lauro da Escóssia, acompanhado do jornalista Augusto da Escóssia e do fazendeiro Rufino Evangelista Nogueira, se fizeram presentes, às escondidas, ao Ipiranga Esporte Clube, onde haveriam de curtir pelo rádio, sob a tutela do Mário Vilar, algumas notícias de São Paulo. Sem menos esperar, chega o delegado, deixando claro que na reincidência seriam presos.

A censura aos órgãos de imprensa escrita e falada sempre foi o principal instrumento de forças de qualquer poder coercitivo, e desde os primeiros tempos essa ação foi arrasadora.