quinta-feira , 19 de outubro de 2017
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Luiz Gonzaga Bertelli – Fuga das salas de aula

*Luiz Gonzaga Bertelli

Um dos maiores intelectuais e pensadores romanos, Sêneca dizia, no início da era cristã, que a educação exige os maiores cuidados, pois influi sobre toda a vida. Passados dois mil anos, a frase continua atual, mas a ideologia ainda é desrespeitada. A educação vem sofrendo, nos últimos anos, cortes de recursos, em razão da crise econômica, o que compromete o futuro do país. Uma grande parcela da juventude vem se afastando de cursos superiores pela dificuldade de acompanhar as aulas – como consequência da má formação no ensino básico, ou mesmo por não ter condições de arcar com as pesadas mensalidades do ensino privado, motivados pelos crescentes índices de desemprego entre os jovens.

Segundo o Censo da Educação Superior, relativo a 2014, o número de universitários que abandonam seus cursos tem superado o total que conclui a graduação. Naquele ano, formaram-se no país um milhão de pessoas. No entanto, 1,2 milhão de alunos trancou a matrícula, incluindo estudantes dos ensinos presenciais e à distância. A situação é mais grave nas universidades particulares: as interrupções no curso representam 86% do total.

Esse adiamento na qualificação da juventude traz um impacto negativo para o mercado de trabalho, que exige, cada vez mais, jovens capacitados. Com isso, sem formação adequada, eles encontram mais dificuldades para se engajarem no mundo corporativo. Os prejuízos são grandes. Tanto para os jovens e suas famílias, quanto para o desenvolvimento do país.

A tendência não é nada animadora. As faculdades privadas devem amargar pelo menos mais dois anos de queda no número de novos alunos.  No ano passado, o Brasil teve 2 milhões de novas matrículas, uma redução de 12% em relação a 2014.  Só no estado de São Paulo serão 207 mil estudantes a menos em 2015 e 2016, de acordo com cálculos do Sindicato das Mantenedoras de Ensino Superior este ano. A principal causa teria sido a redução do número de vagas do Fies, sistema de financiamento estudantil do governo federal.

Uma das formas de se capacitar para o mercado de trabalho com fonte de renda, que auxilia no pagamento das mensalidades escolares, é o estágio (para quem está cursando ensino médio, técnico ou superior e tem 16 anos ou mais) ou a aprendizagem (para quem possui entre 14 a 24 anos, cursando os ensinos fundamental, médio ou concluído o ensino médio). O CIEE, que há 52 anos tem como principal objetivo qualificar e inserir jovens no mercado de trabalho por meio da capitação prática, está aberto para os jovens que queiram se especializar sob a égide desses programas. Assim, eles garantem uma melhor formação profissional, renda para não interromper os estudos, além da oportunidade de ser efetivado no final do contrato.

*é presidente do Conselho de Administração do CIEE, do Conselho Diretor do CIEE Nacional e da Academia Paulista de História (APH).

José Ricardo Roriz Coelho – O ano em que o Brasil não cumprirá o ideal olímpico

O Brasil têm encontrado dificuldades crescentes para vencer no campeonato da produção global, tanto no comércio exterior, quanto jogando em casa, pois o mercado interno foi muito abastecido nos últimos anos por produtos estrangeiros. O problema está se tornando tão agudo, que, no ano em que o País sediará a Olimpíada do Rio de Janeiro, nossas empresas, ironicamente, sequer conseguirão exercitar o tradicional ideal olímpico de que “o importante é competir”. Afinal, quem consegue concorrer na economia mundial enfrentando taxas de juros e impostos extorsivos, câmbio esquizofrênico, insegurança jurídica e um ambiente de negócios contaminado pela crise política e ética?

Todos esses problemas e a baixa competitividade afetam gravemente os setores produtivos, principalmente a indústria de transformação. Exemplo encontra-se nos plásticos, que caíram 8,7% em 2015, com produção de 6,1 milhões de toneladas. O recuo foi o pior desde a crise iniciada em setembro de 2008 e que apresentou seus mais sérios reflexos no mercado mundial e brasileiro durante o ano de 2009, período em que a produção do setor retrocedeu 13,3%.

O desempenho dos plásticos seguiu de perto o da indústria de transformação, cuja queda geral de produção foi de 9,9%. Importantes setores demandantes de plásticos tiveram quebras mais significativas, como o automotivo (-25%), alimentos (-2,4%), bebidas (-5,4%), eletroeletrônicos (-30%) e higiene e perfumaria (-3,8%). Como se observa, os problemas relativos ao cenário interno do País estão corroendo importantes segmentos.

O dólar mais elevado, ainda que de modo incipiente, tem ajudado alguns ramos a aumentarem as vendas externas. As exportações de transformados plásticos cresceram 8,8% em 2015. No entanto, da mesma forma que o câmbio favorece pontualmente um incremento de nossas vendas externas, impacta de maneira direta os nossos custos, pois as matérias-primas, em especial as resinas termoplásticas, têm parte de seus preços determinados em dólares. No mercado internacional há um movimento de retração de preços de resinas por conta da forte queda do petróleo e derivados, mas isso ainda não foi sentido aqui no Brasil, por conta das variações cambiais repassadas aos preços nos mercados domésticos.

A conjunção de queda nos volumes produzidos, somada à baixa expectativa do empresário quanto ao retorno do crescimento econômico, resulta em um dos mais dramáticos sinais da crise enfrentada pelo nosso setor: o fechamento de quase 30 mil postos de trabalho. A indústria de transformação do plástico é um dos quatro maiores empregadores industriais do País e, dentre os setores geradores de mão de obra intensiva, é o que paga os melhores salários e contrata profissionais mais qualificados. Infelizmente, ainda não vemos alteração desse cenário. Para 2016 estimamos recuo de 3,5% e de 1,3% no emprego. Somente as exportações seguirão com um desempenho positivo, na ordem de 12%.

A realidade da indústria de transformação e a presente conjuntura não significam que temos um país inviável. O Brasil possui imenso potencial para vencer a crise e ingressar num novo ciclo de crescimento sustentado. Porém, precisa parar de fazer gols contra! Necessitamos de um projeto viável de País, de médio e longo prazo, mas que comece, de modo urgente, com a remoção dos obstáculos à produção aqui citados. Se continuarmos patinando nos mesmos problemas, seguiremos amargando derrotas na economia mundial.

*José Ricardo Roriz Coelho é presidente da Associação Brasileira da Indústria do Plástico (Abiplast) e do Sindicato da Indústria de Material Plástico do Estado de São Paulo (Sindiplast-SP). É vice-presidente da Fiesp e diretor de seu Departamento de Competitividade e Tecnologia.

Paulo Akiyama – A impunidade x Alienação Parental

Todos os brasileiros estão conhecendo um antídoto que está sendo aplicado ao veneno que por muitos anos está trazendo males ao povo brasileiro, nomeado como IMPUNIDADE. Este antídoto teve seu desenvolvimento iniciado na 13ª Vara Criminal Federal de Curitiba sendo seu pesquisador chefe o Juiz de Direito Dr. Sérgio Fernando Moro.

A partir dos testes iniciais, a cada dia, a população brasileira tem sentido o seu efeito em acabar com as maleficências dos poderosos os quais tinham certeza de estarem imune a punibilidade, demonstrando a cada dia que se passa, desde o início dos testes deste antídoto, que estão amargando condenações significativas, o que demonstra tal antídoto possuir um efeito avassalador contra este veneno.

Por analogia, nós que defendemos a punição daqueles pais que praticam a alienação parental, os quais estão envenenando crianças e criando assim pessoas que irão alcançar a maior idade com enormes sequelas, devemos requerer que nossos juízes das varas de família também utilizem um antídoto eficaz contra este veneno.

Temos notado – muitas decisões favoráveis a prática da alienação parental, inclusive com a perda da guarda do menor de maneira sumária, porém, casos ainda isolados, aqui e ali.

Temos notado – inúmeros movimentos nos meios de comunicação online (redes sociais) onde pais desesperados postam suas experiências negativas em relação ao comportamento do outro genitor que geralmente detém a guarda dos menores.

Precisamos encontrar um Dr. Sergio Moro, nas varas de família, de tal sorte a sentenciar de forma fundamentada, experiente e quiçá, irrecorrível, para que estas crianças e adolescentes que sofrem deste mal venham a ter oportunidades na vida de se recuperarem, de se recomporem psicologicamente.

Notadamente ainda há enorme resistência na aplicação da guarda compartilhada e pior ainda, na proteção de pensões que nada mais são do que penalização daquele provedor, ao invés de ser um meio de manutenção e assistência aos menores, filhos dos casais separados.

O que objetivamos com este artigo é sensibilizar o nosso poder judiciário e os representantes do ministério público que, impunidade não ocorre somente nos crimes, mas também nas varas de família.

Por vezes, após uma audiência de conciliação ou mediação, chega-se à conclusão de que aquele genitor que detém a guarda e administra a pensão alimentícia é totalmente contra qualquer mediação ou acordo, pois nitidamente é demonstrado o receio da perda de remuneração financeira que alcança com o recebimento da pensão alimentícia que o menor recebe e é administrado por este genitor.

Como a fábrica de corrupção está sendo extirpada de nosso meio, ao menos nos casos que estão sendo julgados na 13ª Vara Criminal Federal de Curitiba, devemos extirpar a fábrica de pensão alimentícia.

Quando ouvimos de um promotor público ou de um juiz de direito que o provedor deve pagar pensão, entendemos que sim, porém que deve ser arbitrado um valor que condiz com a realidade e não um meio de enriquecimento ilícito do outro genitor.

Assim, devemos extirpar de nossa sociedade aqueles praticantes de alienação parental que se utilizam dos filhos, sobrinhos, netos (pois podem ser outros alienadores) como arma de combate ao outro genitor, criando falsos rótulos, e inclusive utilizando do meio pensão alimentícia como forma de afastar o outro genitor da convivência regular com a criança.

Os alienadores lutam pela não aplicação da Guarda Compartilhada imaginando sempre que esta modalidade de guarda virá trazer redução dos ganhos financeiros obtidos pela pensão fixada.

Precisamos lutar, o Brasil está mudando, a população está sentindo que um único juiz não tem como agir sem que a população o apoie, não podemos deixar este ou aquele isolado, lutando uma batalha solitária.  Precisamos nos unir para combater o mal da alienação parental, vamos buscar aqueles juízes que são mais estudiosos e que compreendem melhor este mal para que possamos disseminar seus conhecimentos e experiências a todos os demais, tornando mais conhecido este mal.

Já temos seis anos de lei, e muito pouco se desenvolveu neste tema.

Precisamos propagar os males que a alienação parental provoca e demonstrar os benefícios da aplicação de Guarda Compartilhada, de forma a evitarmos ainda mais que o veneno se espalhe e que possamos distribuir antidoto a todos.

 

*Paulo Eduardo Akiyama é formado em economia e em direito 1984. É palestrante, autor de artigos, sócio do escritório Akiyama Advogados Associados, atua com ênfase no direito empresarial e direito de família. Para mais informações acesse http://www.akiyamaadvogadosemsaopaulo.com.br/

 

Tomislav R. Femenick – A utopia e a mentira

Todos os esforços empregados pelos historiadores, jornalistas e outros pesquisadores devem ter como objeto a busca da verdade. Aqui nos deparamos com um problema: o que é verdade? Para se estudar a verdade, tem-se que enveredar pelos caminhos de outra disciplina; tem-se que se debruçar sobre os “conceitos filosóficos de verdade”, que são múltiplos e às vezes contradissestes e contestadores entre si. O problema torna-se mais complicado quando se sabe que cada um desses conceitos exige um tratamento diferente da verdade.

Essa adjetivação da verdade cria um procedimento coadjuvante para a sua investigação. Se os conceitos sobre a verdade têm origem em definições filosóficas, tem-se que concluir que a verdade como coisa única, eterna e irrefutável não existe. Essa concepção sincrética ou eterna (philosophia perenis) da filosofia morreu por volta do século XVII, quando da ruptura entre a filosofia e a ciência.

Segundo o filósofo norte-americano Donald Davidson a “verdade é uma locução que só depende de duas coisas: do que as palavras significam e de como o mundo está ordenado. Não há nada mais relativo do que isso”. Sendo assim, a verdade não poderia ser encontrada e muito menos enquadrada em uma fórmula. A verdade verdadeira, a “verdade real” seria, pois, uma “noção primitiva”. Em determinadas circunstâncias, poderiam perfeitamente ser aceitas noções múltiplas de verdade.

Outro conceito filosófico sobre o tema é aquele que busca fazer a “adequação da coisa e da ideia” (adequatio res et intellectu), encontrado no pensamento de Aristóteles e de São Tomás de Aquino. Embora seja das mais antigas, essa visão da verdade é uma das mais falhas e sua falha maior está em apresentar uma adequação perfeita entre o fato e o elemento de sua comprovação. É a “certeza” não cientifica da verdade, que acaba por induzir certos estudiosos a fazer a adequação dos acontecimentos à “sua certeza da verdade”, muitas vezes nascidas de perspectivas nada científicas, tais como a fé e a ideologia. Ai, então, cria-se mitos e não relatos verdadeiros.

E por que todo esse falar sobre a verdade; perdão, sobre as verdades? É que certo cronista publicou, em uma dessas revistas mantidas por verbas públicas, um alentado estudo pseudocientífico falando sobre “os novos tempos da vigorosa economia brasileira, sob a bandeira do pensamento e do governo petista”. Seria risível se não fosse tolo, irresponsavelmente, propagandístico. Suas teses são como as folhas de outono: voam, mas não nem se sustentam no ar. Vejamos alguns pontos levantados pelo “eminente” sábio petista.

A primeira delas é pretensiosa demais da conta, como dizem meus alunos: a inflação somente teria ido embora (e foi?) por causa da atuação firme de três pilares da política econômica dos governos Lula e Dilma, Antonio Palocci, Henrique Meirelles e Guido Mantega. Outra: a primeira política social do governo brasileiro foi a campanha “Fome Zero”, implantada logo no início da gestão lulista. Mais uma: foi nos governos do operário-presidente e da gerentona que a Polícia Federal começou a prender bandidos de colarinho branco e não só os “três pés”; pobre, preto e puta. Grande cronista… Grande petista… Grande bajulador…

 Vejamos o quando tem de verdade nessa versão de bajulice explicita. Não há como não concordar que a política econômica dos governos de Luiz Inácio Lula da Silva foi a coisa mais certa dos seus dois mandatos. Todavia, ela foi uma “herança bendita” do governo de Fernando Henrique Cardoso, simplesmente continuada por Palocci e Henrique Meirelles; depois Mantega bagunçou tudo. Aliás, Meirelles quando foi convidado para assumir o Banco Central era deputado eleito pelo PSDB, partido do governo anterior.

Ora, todo mundo sabe que o tiro mortal contra a inflação teve arma e autor identificados; o plano real (ao qual o PT foi contra) e FHC, na época ministro de Itamar Franco. Como também todo mundo sabe, a política econômica do primeiro mandato de Dilma Rousseff foi um desastre completo.

Quanto a “Fome Zero”, as torcidas do Flamengo e do Corinthians sabem que ela é irmã gêmea da Viúva Porcina, a que foi sem nunca ter sido. Sem sombra de dúvida, a grande atuação social do governo Lula foi a Bolsa Família; que teve origem na Bolsa Escola, no Vale Gás e outras do governo anterior. Mas, justiça se faça, sua amplitude a transformou numa das melhores, não fossem as maracutaias nela embutidas.

 Dizer que a Polícia Federal somente começou a trabalhar agora é o mesmo que dizer que seus delegados e agentes nunca trabalharam; é uma inverdade e até uma ofensa. Eles sempre trabalharam, acontece que só agora há tantos desmandos com o dinheiro público: petrolão, mansalão, dólares na cueca, sanguessugas e muito mais.

E ainda estão por vir o eletrolão, o os financiamentos acertados do BNDES “aos amigos do rei e da rainha” e, por certo, muitos outros mais. Numa coisa Lula tem razão, a utopia do PT acabou; principalmente quando a Policia Federal, a Receita Federal e o juiz Sérgio Moro bateram a sua porta.

O espaço é curto para falar no desemprego, nos juros altos, no aumento dos impostos, na conta de luz, nas pedaladas fiscais, no preço do dólar et cetera e et cetera e tal; tudo com digital petista.

Lúcia Helena Galvão – A Mulher e a Natureza

Lúcia Helena Galvão – A Mulher e a Natureza:

“O eterno feminino pode tornar humano ao Divino.”

“Sem a mulher, a vida é pura prosa…”

Ambas as frases pertencem ao escritor nicaraguense Ruben Darío, cuja data de falecimento completa cem anos, neste ano de 2016. Expressivo poeta que era, trata do eterno feminino, mas isso ecoa estranho aos nossos ouvidos, desacostumados a falar de “eternidade”, em meio a tanta coisa perecível e descartável.

Ao longo da história, muito se falou e muitas vezes se representou este símbolo do eterno feminino, da mulher como cúmplice da vida no ofício de ajudar a própria vida a se multiplicar, ou seja, a grande e a pequena mater seriam amigas íntimas e mesmo parceiras.

Bem, mas um outro atributo de nosso tempo é que nada é entendido de forma simbólica, e sim de maneira muito (excessivamente até) explícita; assim, corro o risco de que me critiquem por associar o eterno feminino à maternidade; isso é verdadeiro e falso, simultaneamente.

Contrariamente a certos estereótipos sociais, eu verdadeiramente não creio que as mulheres estejam obrigadas à maternidade, nem que aquelas que não o fazem estejam cometendo algum tipo de erro ou mereçam críticas de qualquer espécie. Respeito e defendo que se deve respeitar tanto as que optam pela maternidade, quanto as que fazem o contrário, sem que o chamado “eterno feminino” perca nada com isso.

Não dar a luz no plano físico é uma opção que deve ser respeitada; agora, não dar a luz em plano nenhum… honestamente, não acho tão respeitável assim. E aí sim, penetramos no terreno do eterno feminino.

A natureza como um todo possui uma receita de combinar diferenças que é maravilhosa. Toda vez que vemos algo belo, significa que a natureza conciliou inúmeras cores, sons, texturas etc, e produziu harmonia. Soube iluminar as diferenças de forma positiva, gerando o encaixe perfeito, ao invés do atrito e da rejeição. Não quero dizer com isso que todo atrito seja negativo; por vezes, pode ser extremamente necessário e educativo, até…

Mas, ante um atrito, todos ficamos esperando, como numa melodia, que a dissonância se resolva em um acorde harmonioso. Dissonância eterna, desacordo, ruído sem melodia… algum segredo da natureza está sendo ignorado aí, e, com isso, a própria natureza é a primeira a sofrer, incluindo nisto, logicamente, a natureza humana.

Saber dar luz, saber harmonizar, poder deixar um rastro de conciliação, de potencialização das partes, de beleza: eis o eterno feminino. Segundo o poeta, sem a mulher, a poesia não nasceria: teríamos apenas prosa, talvez informativa, talvez útil, mas sem aquele atributo de musicalidade e de transcendência que as palavras adquirem quando se enlaçam em poesia, imitando a Vida.

Ao entender isso como potencial, como patrimônio próprio, legado pela natureza, as mulheres poderiam encontrar muito mais facilmente, eu creio, soluções para a desarmonia entre suas emoções, na tão falada instabilidade psicológica; para a desarmonia com os homens, na tão discutida “guerra dos sexos”; para a desarmonia entre os seres humanos, na tão dolorida carência universal de fraternidade. Quer algo mais luminoso, mais poético?

A antiga tradição do “eterno feminino” não defende a ideia de que as mulheres são diferentes dos homens, mas sim de que todos os seres do universo são diferentes uns dos outros, como diria Aristóteles, e que a felicidade dos seres consiste no conhecimento e na realização de suas identidades. “Sê quem és, sabendo”, dizia o poeta Píndaro (para concluir com outro poeta). E só quem nada conhece de luz, de poesia e de beleza poderia considerar menos do que um privilégio servi-las como missão e como dever, por natureza… e pela Natureza.

 

Lúcia Helena Galvão

Vice-diretora de Nova Acrópole Brasil

Roberto Cardoso (Maracajá) – O conhecimento que as universidades já não produzem

O conhecimento que as universidades já não produzem Por muito tempo bacharéis, mestres e doutores, como professores e orientadores defenderam o conhecimento produzido dentro das universidades.

Afirmaram que o conhecimento era produzido dentro do meio universitário, também chamado de acadêmico. Um conhecimento contido e produzido por trás dos muros universitários, por membros de uma academia.

Um corpo docente entendeu que a universidade produzia um conhecimento para a sociedade se beneficiar. Então passaram a produzir um conhecimento, a ser implantado nas empresas e na sociedade.

A partir de informações colhidas nas empresas e na sociedade, geraram conhecimentos para seus próprios fornecedores, de informações e conhecimentos, que foram convencidos de não saber usar e processar seus próprios dados, suas informações e seus conhecimentos.

Com os argumentos de Descartes, tabularam dados e confeccionaram gráficos, a partir de dados coletados: cronológicos, cronometrados e gerenciados, tentando prever um resultado futuro. Chegaram a propor hipóteses, e percentuais de probabilidades.

Com artigos científicos descreveram suas analises e experiências, de modo contextualizado. Um pari passo definido pela academia. Constituíram suas bancas de avaliações, com membros da própria academia. Com monografias, dissertações e teses descreveram seus conhecimentos analisados e produzidos, direcionado a um publico, com elementos selecionados por eles mesmos.

Levaram suas criações e produções bibliográficas para que suas bancas montadas avaliassem e aprovassem. Criaram um conhecimento e um comportamento como um baú de sete chaves. Com um toque de egoísmo criaram revistas cientificas que foram direcionadas a um grupo de cientistas, do qual estes mesmos faziam parte e gerenciavam.

Outorgaram para si o circulo do conhecimento científico, uma aliança da confraria acadêmica. Na busca de um publico cada vez mais seleto e mais reduzido, foram agregando normas e critérios para a publicação, em suas revistas especializadas.

Um grupo ad hoc ficou encarregado de emitir aceites e não aceites aos novos textos enviados, produzidos por uma elite, pelos pós-graduados. Com textos publicados criaram pontuações, para atingir novos patamares.

Com canudos e certificados em punho estabeleceram duelos, diante uma plateia de espectadores sentados em auditórios herméticos, dispostos a ouvir palestras e seminários sem fazer interferências nos seus discursos. Tal como as antigas dissecações de corpos em plateia de cadeiras dispostas em arena.

O tempo passou e os grupos seletos, paramentados de canudo, beca e capelo, acostumaram-se, e acomodaram-se. Placas eternizaram seus nomes em corredores e halls acadêmicos. Habituaram-se a ser olhados e respeitados como produtores e detentores do conhecimento científico e acadêmico.

Um conhecimento inabalado, respeitado e reconhecido, não só pela academia, mas principalmente pela sociedade, que gerava novos interessados em participar do grupo de cientistas. Afastaram-se do meio popular e das ruas onde floresce a cultura, o conhecimento e as duvidas, que geram respostas sem a tabulação em ordenadas e abscissas.

Como não tinham mais com quem disputar poderes, tornou-se necessário criar disputas internas com graus de poderes reconhecidos por títulos e produção científica, reconhecida e respaldada pelos órgãos de fomento e pesquisa, formados e capitaneados por uma elite. A nata da sociedade acadêmica que não se mistura com o joio.

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Andar pelas ruas de um campus universitário (Uma observação feita na UFRN), percebe-se que o conhecimento que circula nas ruas da Cidade Universitária não é, ou não são os mesmos que circulam, ou deveriam circular nas ruas da cidade (Uma observação feita a partir de Natal/RN).

Situações avaliadas a partir de um único campus universitário e uma única cidade, uma observação, que não cria um caráter cientifico, já que foi feita a partir de um pequeno universo de dados. Uma análise em um microambiente, que não pode ser generalizada e universalizada, evitando replicas e treplicas de opiniões acadêmicas.

Cientistas da academia por acordo de cavalheiros, autodeterminaram o poder de poder, de definir e delimitar o espaço e o tempo a ser estudado. Escolhem entre o micro e o macro. Escolhem um ou diversos personagens. Fazem suas analises transversais e interdisciplinares.

Estabelecem regras e critérios, para que cheguem a conclusões que provem suas ideias e teses.

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Hoje as universidades possuem enormes estacionamentos para carros particulares e de uso individualizado, quando a ordem atual da sociedade no uso de transportes é o coletivo. Carros disputam os espaços de pedestres.

Impedem a chamada acessibilidade, estacionando em acessos de portadores de deficiência de locomoção e impedem a passagem para quem ainda tem uma locomoção. A academia criou critérios de respeito, de prioridade e de locomoção que não exercem.

Não estabelece, e não reconhece dentro de seu próprio território. O campus amplo e aberto para o céu é hermético para aqueles que pisam na terra. Ônibus circulares estacionam sobre calçadas e sobre faixas de travessias de pedestres (Fato observado na UFRN), a também chamada faixa de segurança, que não transmite segurança a quem usa.

Professores individualistas com ares holandeses, montados em pick-ups enormes ocupam mais de uma vaga em estacionamentos. Carros em alta velocidade circulam por ruas estreitas. Estacionam em curvas e esquinas, sobre rampas de acesso ás calçadas.

O convívio urbano social entre as espécies motorizadas e as espécies não motorizadas não são compatíveis com o conhecimento social que dizem produzir.

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Alguns poucos professores ainda incumbidos de seu papel na sociedade vão à busca de manifestações culturais locais, para mostrar as raízes de cantos, danças e instrumentos musicais, aproveitando o dia da consciência negra, como pilar de uma construção cultural brasileira.

Enquanto o conhecimento não é produzido, os alunos instalam os slackline entre arvores, na tentativa de manter o equilíbrio na fita esticada e na linha do conhecimento produzido. Outros jogam capoeira e dançam maracatu enquanto a policia ou o feitor não vem. A universidade anda carente de reitores e diretores, de gestores e feitores, carente de fiscalização e policiamento.

Alunos dançam, cantam e tocam; se equilibram, até o dia que possam ser declarados libertos dos bancos escolares e das grades curriculares, com cadeiras obrigatórias.

Com diplomas tal como uma carta de alforria, são libertados podendo lançar seus capelos para o alto, como forma de expressar uma liberdade alcançada, depois de anos cumprindo a pena de ser um ser sem luz.

O aluno, um a-lunes, um ser não iluminado. O aluno que hoje tem nas mãos um recurso da mais alta tecnologia, que pode dizer onde ele está; com quem está, e onde precisa chegar. Uma biblioteca que cabe na palma da mão.

Tal como uma lâmpada de Aladim, ele trás seus pedidos, em sistema delivery, em poucos minutos. Bastando esfregar ou tocar os dedos sobre a tela, e falar com o atendente, a voz que vem do aparelho, o gênio da lâmpada de Aladim.

Maurício Sampaio – E agora, qual profissão escolher?

Para muitos estudantes, 2016 será “o ano”. Provavelmente o mais importante de suas – ainda curtas – vidas. Tudo em razão de ser o ano de vestibular. É o momento de uma complexa decisão, que envolve a escolha da futura profissão e da universidade.

As dúvidas vêm aos montes: qual rumo profissional seguir? Qual profissão escolher?  A dos meus sonhos ou a que meus pais querem? Será que vou ganhar dinheiro? E esses dilemas são compreensíveis, especialmente nos dias de hoje. Isso porque tradicionais profissões agora dividem espaço com novas opções, novos caminhos.

A chegada em massa da tecnologia não só transformou processos como criou eficazes canais de oportunidades. Surge, a cada dia, uma série de cursos, em diferentes modalidades. São mais de 200 tipos, entre bacharelado, licenciatura, tecnólogo, sequencial e à distância. Isso resulta em milhares de opções de profissionais.

Outros “complicadores” também aparecem na hora da grande decisão e causam desconforto, como escolher entre prazer e satisfação pessoal ou resultado financeiro.

Aliás, muitos jovens que atendo estão escolhendo e buscando sucesso profissional, com base no resultado financeiro. Um grave erro! O dinheiro não passa de uma atividade meio, ou seja, ele virá desde que você se esforce em concretizar seus objetivos finais, cumprindo metas, sendo perseverante no seu sonho.

A influência dos pais também é um grande obstáculo, pois alguns projetam em seus filhos suas realizações profissionais. Em alguns casos, isso se torna natural e sadio, mas, em outros, pode ser uma verdadeira catástrofe.

Tão ou mais importante que escolher uma profissão, um curso superior, é saber preparar um plano de vida, uma espécie de “plano de voo”, analisando suas possibilidades internas e externas. Para isso, gaste mais tempo olhando para o seu interior e descubra seus talentos, suas habilidades, sua vocação. Analise cada mudança em sua volta. Só então você será capaz de escolher o rumo certo de uma feliz e apaixonante profissão.

 

* Maurício Sampaio é coach de carreira, palestrante, escritor e fundador do Instituto MS de Coaching de Carreira. Já publicou os livros “Escolha Certa”, “Influência Positiva – Pais & Filhos: construindo um futuro de sucesso” e “Coaching de Carreira. www.mauriciosampaio.com.br ewww.imscoachingdecarreira.com.br

A coleção de problemas das empresas nacionais. De quem é a culpa?

Dennis Giacometti

No Brasil, 64% das empresas encerram as atividades antes de completarem seis anos; e apenas uma, em cada cem, chega aos 50 anos de forma saudável. Reconhecido mundialmente como país de empreendedores, o Brasil se destaca por apresentar elevada taxa de mortalidade empresarial precoce. No momento de encerrar as atividades, como acontece em outras situações da vida, há que achar um culpado que, claro, nunca é o próprio empreendedor, sempre “um outro”. Na maioria das vezes, a culpa do fracasso é do Governo! Será então que não somos corresponsáveis pelo atual estado da indústria nacional?

Se essa maneira de pensar for verdadeira, como explicar o fato de que em quase todos os segmentos econômicos existem, no mínimo, três empresas nacionais de sucesso, independente das ciclotimias naturais do capitalismo? Como essas empresas conseguem perpetuar-se em cenários tão adversos como os relatados pela maioria dos empresários brasileiros? Jogam na zona cinzenta, para enfrentar, por exemplo, o poder da burocracia? Bem possível… Arriscam-se nas ginásticas fiscais e contábeis para fugir do fisco? Hipótese, evidentemente, cada vez menos provável, em razão da implacabilidade dos órgãos reguladores e gestores do setor. Então, em que se baseia a capacidade de superação permanente dessas organizações acostumadas a enfrentar cenários difíceis e desafios?

Uma análise criteriosa baseada na experiência revela que o principal fator de diferenciação dessas empresas de sucesso é o Trabalho do Conhecimento. Seus acionistas e CEOs, de modo consciente ou intuitivo, investem em conhecimento. Isso ocorre de diferentes maneiras, em função dos recursos financeiros que cada um destina para esse fim. Quem não dispõe de recursos para a gestão do conhecimento, para a montagem de unidades de inteligência ou para a realização de onerosos estudos de mercado, viagens internacionais inspiradoras e outras iniciativas do gênero, recorre a eventos e congressos realizados por aqui, a muita leitura e até mesmo a pequenos estudos de mercado para ficar mais próximo das tendências de seu setor.

Investir no conhecimento, porém, não é tudo. Na verdade, essas “soluções” representam apenas um por cento do esforço para se manter na liderança. O restante tem a ver com a capacidade dessas organizações para transformar o conhecimento em prática inovadora. Além de contribuir para antecipar as oportunidades e riscos do mercado, a gestão do conhecimento precisa se transformar em vórtice da inovação. Essa é a sua missão crítica.

Inovação não só na área de produtos e serviços, processos internos, mas principalmente na forma como os colaboradores desenvolvem a interdependência entre as áreas para criar um ambiente propício ao avanço das práticas evolutivas. Somente assim será possível sair da mesmice, “do inferno chinês” (que amanhã será vietnamita, indiano, tailandês etc.) e consequentemente da briga única e exclusiva por preço.

As empresas brasileiras precisam ser obstinadas com a inovação, com a ousadia, com a diferenciação de suas marcas. Devem gerir o tempo de tal forma que possam pensar na reformulação do “galinheiro” nos próximos cinco ou seis anos, em vez de ficar correndo atrás dos frangos soltos 15 horas por dia.

A interação dos empresários com os governos também exige inovação e criatividade, para tentar vencer os principais obstáculos que o setor público coloca diariamente à atividade das empresas. Nesse sentido, vale tentar lembrar de atitudes diferenciadas que teriam sido tomadas pelas principais entidades que representam a indústria no país nos últimos 20 anos. Alguém se arrisca a elencar cinco ações geniais? Ações que impactaram positivamente a agenda dos governantes? Alguém conhece o sonho da Fiesp, por exemplo, para 2025 e sabe qual seria o seu projeto Brasil com base na perspectiva da evolução industrial de São Paulo? Até onde sabemos, na realidade, não existe nem uma referência que sirva de inspiração, já que o Brasil não possui um projeto para navegar no atual cenário mundial tão complexo e competitivo. Há mais coisas para qualificar do que sonha a nossa vã “filosofia”.

Um projeto para o Brasil não deve ser confundido com programas de governo apresentados pelos presidenciáveis a cada quatro anos e que depois ficam na gaveta. A questão é como criar uma identidade que diferencie o país no presente cenário de nações altamente competitivas. Algo que transcenda as ciclotimias naturais do capitalismo, que eleja quatro ou cinco áreas potenciais de desenvolvimento sustentável por 20 ou 30 anos, acima das demandas por incentivos ao consumo ou aos investimentos.

Um país ainda tão marcado pela pobreza como o Brasil tem que colocar foco nos fatores críticos para o sucesso das gerações futuras. E quais seriam esses pilares? Para estimular a inovação, seria necessário criar um centro de altos estudos que reunisse o maior número possível de profissionais práticos e teóricos, com o objetivo de facilitar a definição e a forma de implementação destes grandes diferenciais que tornarão possível uma mudança qualitativa do Brasil.

Se o país colocasse tempo, energia e recursos no Trabalho do Conhecimento, em dois anos, no máximo, conseguiria definir as grandes linhas mestras para acelerar seu desenvolvimento econômico, social e político. Cabeças brilhantes e pensantes não nos faltam. Na dúvida, o Brasil poderia até “copiar” a China, os Emirados Árabes, a Suécia ou outros países que já fizeram mudanças qualitativas. Isso já seria suficiente.

Sócio-presidente da Giacometti Comunicação e da Zhuo – Gestão, Inovação e Estratégia de Marca, Dennis Giacometti é formado em Arquitetura e trabalha há mais de três décadas como publicitário na área de Planejamento de Comunicação e Marketing.

Organize as finanças do casal e evite brigas

Dora Ramos

É muito comum ouvirmos de especialistas e até mesmo dos próprios casais que o dinheiro – ou a falta dele – sempre foi um dos principais motivadores de divórcios e separações. Eu, sinceramente, não tenho como afirmar isso, mas defendo que a saúde financeira sempre está diretamente ligada a uma vida feliz, independentemente do estado civil em que a pessoa se encontra.

Mas voltemos a falar dos casais. Na verdade, não existe uma forma pronta, que possa se encaixar em qualquer relacionamento, porém um fator é essencial: falar sobre dinheiro. Esse é um tabu presente em muitos casamentos de décadas, e precisa ser derrubado. O casal precisa sentar para conversar e definir como gerir as contas, colocando na ponta do lápis ou em uma planilha as despesas comuns, como gastos certos de todo mês, prestações do cartão de crédito, financiamento de bens maiores (geladeira, televisão, carro, casa etc.), possibilidades de poupança e preços de coisas menos essenciais, como viagens e presentes em épocas de festas.

Depois de relacionar todas as despesas, o casal deve pôr na ponta do lápis os salários, a fim de determinar qual a contribuição de cada um para as contas, seja em valores brutos ou em percentual. No caso de profissionais liberais, isso pode variar de mês em mês, porém o planejamento conjunto e o diálogo também podem evitar surpresas desagradáveis e, consequentemente, brigas.

Outra discussão muito presente é a opção por uma conta e um cartão de crédito conjuntos. E a dica também é semelhante: é necessária muita conversa para definir se a melhor alternativa é uma conta para os dois, uma para cada ou contas individuais e outra para o casal. Não há uma regra, mas é necessário saber quão desconfortáveis os dois se sentem ao compartilhar as informações de seus gastos.

Contar com a ajuda e a confiança do parceiro, abrir mão de gastos desnecessários, dividir as despesas de forma justa e, acima de tudo, conversar são fatores que garantem um orçamento planejado e, ao menos no ponto de vista financeiro, uma vida saudável ao casal.

Educadora financeira e diretora da Fharos Contabilidade & Gestão Empresarial – www.fharos.com.br

Qual é o melhor caminho?

Jeronimo Mendes

Caminhante, não há caminho, faz-se o caminho ao andar. Essa frase pertence a Antonio Machado, poeta espanhol que nasceu no século 19 e morreu na primeira metade do século 20. O que eu e ele temos em comum? O fato de ambos gostarem de poesia e de acreditarem piamente nisto: não existe caminho.

Se você tivesse absorvido – vamos chutar alto – em torno de um por cento do conhecimento disponível nos artigos, textos e livros que já passaram pelos seus olhos ou ainda nas aulas, palestras e treinamentos dos quais participou, talvez fosse o homem, ou a mulher, mais rico e inteligente do planeta.

O que está em jogo não é a leitura ou o dinheiro, mas as atitudes que você toma ou deixa de tomar depois de saber como as coisas funcionam ou, pelo menos, como funcionaram para alguns. Com tudo o que você já viu e ouviu até aqui, talvez não precisasse de mais nada, mas quando olha ao redor, ainda lhe falta alguma coisa e você começa a correr atrás de mais conhecimento.

A leitura é uma odisseia, uma viagem pelo pensamento de alguém que compartilhou uma mensagem com base na sua própria experiência pessoal ou profissional, não importa, mas a história é dele, não é sua. Talvez não lhe sirva de modelo. A situação era outra, o contexto era diferente e a história de cada um nem se fala.

Muita gente continua pobre, não apenas de dinheiro, mas, por vezes, de espirito. De nada vale a teoria sem a prática, a prática sem a experiência, a experiência sem a sabedoria, a sabedoria sem a humildade. Todo conhecimento é inútil quando não utilizado em benefício de alguém, ainda que seja de si mesmo.

Assim é na vida pessoal, na vida profissional e nos negócios em geral, portanto, sem desmerecer tudo o que você já viu, leu e ouviu, algumas questões continuam sem resposta: o que eu faço com tudo isto? Qual é o caminho? Quem está certo ou errado? Por que este ou aquele conseguiu e, baseado no mesmo método, eu ainda não?

As histórias servem de inspiração, mas não mudam a sua própria história. Sem iniciativa, esforço e dedicação, elas continuarão sendo apenas exemplos. Ser fã do Elvis não me faz cantar como ele. Entender a vida do Steve Jobs também não. Conhecer todos os passos da riqueza utilizados por Donald Trump não farão de você um milionário.

Antes de publicar o meu livro Manual do Empreendedor, eu entrevistei mais de quarenta empreendedores da Região Metropolitana de Curitiba, entre eles, Oriovisto Guimarães, presidente do Grupo Positivo, Raul Candeloro, fundador da Editora Quantum – Revista Venda Mais e Ronaldo Duschenes, presidente da Flexiv Escritórios de Sucesso. Qual é o caminho? – eu perguntava ao final de cada entrevista. A resposta era sempre a mesma: não existe caminho, eu fui fazendo o caminho à minha maneira.

Existem muitos caminhos, entretanto, qual é o melhor, o menos sofrido, o mais rápido? A maioria das pessoas morre na dúvida, com medo de voltar atrás, antes mesmo de partir, portanto, agora, mais do que nunca, você vai construir o próprio caminho. O amanhã é muito incerto para os planos.

Tem uma ideia? Coloque em prática, estude, compartilhe com pessoas da sua confiança, encontre um sócio, alguém que acredite, teste até encontrar a perfeição, mas lembre-se, feito é melhor que perfeito, portanto, não dá para transferir essa responsabilidade.

Eu trabalhei em nove empresas diferentes, dos catorze aos cinquenta anos, até descobrir que o melhor caminho era abrir a minha própria empresa. Enquanto isto não acontecia, eu continuei caminhando, fazendo cursos, experimentando, batendo cabeça, lendo livros, muitos livros, olhando sempre para frente.

Todas se mostraram um terreno fértil para o aprendizado. Não reclamo de nada e lembro-me de todas as pessoas com carinho, inclusive de chefes tirano que hoje servem de inspiração para meus artigos e livros. Olho para trás com orgulho por ter realizado o melhor que eu podia, dentro das minhas limitações e das limitações que me foram impostas.

Há muito tempo eu deixei de me impressionar com fórmulas prontas que tentam ensinar o caminho que as pessoas devem ou não devem tomar para se tornarem ricas, magras e felizes. O que eu aprendi é que para cada escolha existe uma consequência, ou um preço a ser pago, então, para tornar o caminho mais agradável, eu tratei de aperfeiçoar minhas escolhas.

Pense nisso e empreenda mais e melhor!

Jerônimo Mendes é administrador, coach, escritor e palestrante.