segunda-feira , 23 de julho de 2018
Home / Artigos (page 21)

Artigos

Raimundo Carlyle – De caciques e índios nas terras de Poti

Raimundo Carlyle (Juiz de Direito em Natal, RN).

Do início quase heroico aos estertores finais do seu reinado estadual 2011-2014, o grupo político mossoroense que ascendeu ao Poder Executivo do Rio Grande do Norte nas eleições de 2010 não conseguiu enxergar a diferença entre uma aldeia, uma província, um condado e um estado federativo, sendo apeado da busca de votos pela continuidade no exercício da governança pelos seus mais próximos aliados, antes mesmo do início da corrida eleitoral de 2014.
O grupo também foi triturado pelo “conselho dos sábios”, massacrado pela crítica assalariada, tripudiado no próprio solo rosado, abandonado pelos aliados oportunistas, mas lambeu as feridas e sobreviveu até as eleições municipais de 2016, sagrando-se vencedor na disputa travada no “país de Mossoró”.
O poder é movido ou paralisado por forças internas e externas. Vencer as forças externas só é possível com a união das forças internas, mas a recíproca não é verdadeira. Eis o enigma da esfinge que não foi decifrado pelo referido grupo político mossoroense àquela época.
O soerguimento ao poder municipal teve início quando, numa auspiciosa curva do rio grande, a ousadia de quem foi defenestrado pelo próprio grupo, o atual governador do RN, transformou-se em oportunidade, e a vitória no rincão dos rosados tornou o desalento em alegria em outubro de 2014, revitalizando a esperança na agora consumada vitória de 2016.
Um novo ciclo político estadual teve início em 2014, quando ocorreu a proeza de se unir a esperança à coragem impondo uma derrota avassaladora ao formidável grupo de “caciques” reagrupados para manter a hegemonia na aldeia de Poti. A partir daquela vitória na guerra fraticida estadual, uma reorganização das forças internas no grupo rosado fez eclodir novos atores no espectro político, além do reagrupamento das duas facções familiares antes adversárias, com vista à retomada do poder municipal em 2016 na província de Jeronimo Rosado.
A nova ordem política surgida em 2014 no território potiguar, e reafirmada em 2016 com a derrocada petista nos planos nacional e estadual, não imporá mudanças substanciais na cultura política arraigada na alma dos norte-rio-grandenses, porém fomentará um novo discurso na formação de uma classe de inusitados “pensadores” estratégicos, cujos lances midiáticos os elevarão à categoria de executores de missões impossíveis.
Contudo, ao fim e ao cabo, eles nada mais são do que aqueles seres que “urdem, fiam, costuram, tricotam, emendam e remendam” diuturnamente, com a única finalidade de obter ou manter o poder, infinitamente.

Os velhos ardis dos líderes políticos ainda permitem que eles se conservem na condição de “cabeças” de grupos, mas as dificuldades impostas à sua prevalência no comando tendem a aumentar, os obstáculos ficarão maiores, novos atores serão despertos, novas batalhas serão lutadas com força avassaladora na busca do poder nas próximas eleições, em 2018.

Rogério Cruz: O semiárido nordestino exporta água

Na semana de 8 a 12 de agosto o Conselho Regional de Economia comemorou a Semana do Economista, aqui em Natal. Em seu segundo dia de execução foi discutido o tema “As mudanças recentes na agricultura e nas Políticas Públicas para o meio Rural do Rio Grande Norte”, sob a liderança dos professores João Matos Filho e Tales Medeiros, do Departamento de Economia da UFRN.

Em adendo, foi acrescentada a ameaça real a essa atividade, qual seja, o tema da oferta de água para manter e/ou expandir o ritmo dessa atividade, abordagem que foi feita pelo atual Secretário do Meio Ambiente do Estado do Rio Grande do Norte, que também é economista, o professor de Economia da UERN/Mossoró, Mairton França.

No primeiro tema foi inicialmente rememorada a derrocada do algodão, ocorrida até o final dos anos 1980, e a emergência de um setor produtor de frutas irrigadas – que inclui a banana, a manga e o melão, principalmente, destinados à exportação. Esse conjunto de frutas veio para se associar ao cultivo do caju, em escala comercial, cultivado na Serra do Mel e que remonta aos anos 70 do século passado. Pode-se ainda destacar o mel que também é tradicional, em nosso estado, além das frutas, tem como destino, o mercado externo.

Os expositores lembraram ainda a crescente participação de empresas terceirizadas que funcionam como uma espécie de satélite em torno das firmas exportadoras e que dão um caráter complexo e moderno àquela atividade, diferentemente dos tipos de atividades mais tradicionais, até então existentes. Em uma palavra, diante de novas tecnologias produtivas e de novas formas de comercialização dos produtos, pode-se dizer que, essa atividade é marcada pela presença da modernização agrícola: sem lugar a dúvidas.

Em seguida, Mairton França mostrou a situação delicada dos estoques de água e as demandas crescentes em torno desse produto, seja para uso humano, animal ou vegetal. No momento, o Governo do Estado busca administrar pressões da sociedade e das empresas, em geral, para poder manter os níveis de atividade econômica em funcionamento e a população que tem direito à água e/ou direito à vida.

Essas duas abordagens permitiram a elaboração da seguinte pergunta de pesquisa: por que defender a continuidade e/ou expansão de um setor produtivo que é exigente em água, em meio a uma economia estadual que prescinde de gestão desse recurso mineral? E, mais: no seio de uma região semiárida? O que se propõe, então: exportar água, vez que a composição dessas frutas se aproxima de 90% de conteúdo hídrico?

Sabe-se que, temos estoques de água que, não é de hoje, atendem a fruticultura irrigada de nosso estado. Todavia, há que se lembrar também que, esses estoques hídricos são finitos e a demanda, não necessariamente. Logo, espera-se por uma retração crescente desses estoques, ao longo dos anos, mantidas as atuais condições de oferta e de demanda de água.

Na possibilidade de ocorrência de haver uma retração desses estoques, o que fazer? Ou, o que será – do ponto de vista público – o amanhã do binômio terra e água no semiárido, tendo em vista esse modelo “modernizante” que é predador – da natureza e das condições de vida em sociedade?

A história econômica recente, do RN, mostra que, a atividade privada muda de lugar, tal como ocorreu com a fruticultura irrigada no Vale do Açu. Os que se deslocarem, deixam para trás um expressivo passivo público – de caráter ambiental e fundiário, principalmente.

Há, pois, um claro interesse privado em detrimento do interesse público.

Até quando o semiárido continuará a exportar água privilegiando alguns em detrimento de muitos e, em oposição, manter um discurso de existência de uma seca? Seca, para quem?

Rogério Cruz é Doutor em Economia e professor da UFRN.

Raimundo Carlyle – O “elefante” em câmara lenta

Raimundo Carlyle

Juiz de Direito em Natal/RN

 

O quadriênio 2011–2014 marcou o Rio Grande do Norte – a auspiciosa aldeia de Poti – com uma nova realidade nas relações entre os Poderes e Instituições, marcantemente na seara orçamentária e financeira, passando a os aldeões a viver uma inusitada experiência interinstitucional, sobretudo pela massacrante e inusitada cobertura midiática recebida dos mais inimagináveis veículos e turbinada pelas redes sociais. 

A barafunda teve origem na alegação de dificuldades financeiras insuperáveis, como o pagamento de uma dívida herdada de (des)governos anteriores superior aos oitocentos milhões de reais, levando a efetivação de cortes unilaterais das dotações orçamentárias previstas em lei, alavancando fortes reações à desastrosa gestão governamental que findou em 2014. 

Traduzida para os dias atuais, a crise nas finanças públicas, herdada e alimentada por uma crise econômica nacional sem precedentes, levará uma vez mais o Executivo à “queda de braço” com o Legislativo, o Judiciário, o Ministério Público e o Tribunal de Contas, tidos como sossegadas “ilhas” financeiras, mas agora sob a ameaça de cortes nos seus orçamentos, atrasos e restrições nos repasses dos seus duodécimos constitucionais, ante a clara alegação de que o estado atingiu um nível falimentar. 

As lições de adaptabilidade do “rio” às margens que vai encontrando pelos caminhos tortuosos deveriam ser apreendidas. O tal do novo, do grande, do melhor, não pode ficar apenas nas promessas fáceis dos palanques. A inércia em criar o futuro, em corrigir os rumos no presente, em buscar as melhores lições no passado, não deve ser a opção adotada.

Somente a existência de uma vontade política maior em fundar um estado efetivo, eficiente e eficaz, poderá sobrepor à realidade cruel: o poço secou!

Wilson Bezerra de Moura – MEU PEQUENO MUNDO ACABOU

Tenho certeza que algo de novo está se passando em torno de minha vida, as coisas estão acontecendo e me trazendo surpresa e transformação com requinte de vergonha e sentimento ruim por tudo que vem ocorrendo principalmente com a alteração da personalidade do ser humano. O meu tempo era aquele onde havia a família bem organizada. O pai saia pela manhã para trabalhar, antes a mulher fazia seu café depois o servia, logo em seguida os filhos acordavam e a mulher passava a cuidar destes, depois de conversar com eles deixava-os na escola ao retornar as mesma preocupações com o criar, orientando-os cuidadosamente para enfrentar a sociedade, de principio a vizinhança com bom relacionamento e nisso o  filho se preparava para a  grande sociedade normalmente saindo com bom caráter.  A criança quando avistava um padre passando corria para pedir-lhe a benção, como isso era bom e a sociedade se consolidava num ambiente de paz e prosperidade, hoje é bem diferente padre corre com medo de assalto.

Ainda lembro embora quase com recordação que no meu tempo havia respeito e confiança entre as pessoas e as leis eram respeitadas. Havia o direito adquirido, um erro administrativo não vinha ser corrigido em sacrifício do povo, ninguém pagava pela falta cometida por alguém. A Lei não retroagia para prejudicar segundo o documento maior da nação chamado de Constituição também era garantido o direito de sobreviver pelo trabalho. O voto era tido como processo democrático quando este existia e só existe democracia quando predomina as garantias individuais. O representante popular trabalhava e não roubava, depois com a modernidade dos tempos transformou-se numa facção criminosa chamada de Lava-Jato o que mais ainda me desanima, atormenta e faz sentir saudades dos velhos tempos.

A modernidade capitalista abafou tudo quanto era bom, suave e agradável e lançou sobre a sociedade moderna a infelicidade e as bases do terror. Vi, ouvi e senti na pela uma transformação tremenda, o mundo embora pequeno que acalentou e deu forças para viver acabou quando a realidade em que vivo nos dias atuais chegou aos meus olhos.  Tenho medo e insegurança no futuro de um povo onde não existe a liberdade, garantias individuais e segurança em seu destino, quando existe instabilidade de vida, a descrença e desconfiança dominam em nome de uma força coercitiva de um poder dominante, econômico, politico e social.

Marcos Bersam: Quando o céu te ajuda!

Psicologia do Amor

Certa noite, aquele garoto conversava com sua mãe de forma casual. De repente, o assunto passou a ser as estrelas e as constelações que, naquela noite, estavam evidenciadas no céu de brigadeiro. A mãe, naquela oportunidade, resolveu falar um pouco mais sobre os astros. A certa altura da prosa, ela lhe disse que a noite era a melhor forma de observar o passado. O espirito inquieto do garoto, o fez indagar:

– Como assim?

A mãe, naquela altura, encheu-se de confiança e começou a explicar ao garoto que o céu era um museu astronômico, ou seja, a luminosidade das estrelas, por vezes, era apenas o brilho que estava acabando de chegar de uma viagem até nós. Não obstante, a luz que vemos hoje, pode não passar de uma digital luminosa da estrela que já morreu há muito tempo.

De repente, a mãe lhe disse, com toda ênfase, que muitas estrelas já haviam morrido.   O garoto sobressaltado perguntou:

– Mas estrelas morrem?

– Claro! Assegurou a mãe.

A mãe disse que tudo tem um tempo no universo; algumas coisas duram mais e outras menos tempo. Afinal, até o sol, uma estrela de quinta grandeza, tem daqui a bilhões de anos, tempo de apagar.

Aquela mulher tinha uma inteligência emocional fora da média; queria começar a preparar o garoto para comunicar o divórcio que estava se avizinhando. O garoto quis saber se a estrela sentia dor quando começava a morrer. A mãe deixou a sua intuição responder, pois sua galáxia interior estava um furdunço.

– Então! Acredito que a dor não é por causa da morte, mas tão somente pelo que se sabe fazer na engrenagem cósmica. Por exemplo, a estrela só sabe brilhar e nortear os viajantes que se encontram perdidos.

Sem compromisso com a veracidade das informações, aquela mãe deixava sua intuição falar alto.  A estrela morre, porém, deixa rastros de luz através de labirintos interplanetários e alamedas celestes.

O menino percebeu que mãe começava a se emocionar e logo perguntou:

– Algo dentro de você morreu mamãe? É você e o papai, não é?

A mãe balançou a cabeça consentindo na indagação, sem precisar falar mais qualquer coisa. O garoto percebeu a situação embaraçosa e lhe disse:

– O amor de vocês não brilha mais, certo? A estrela morreu, não é? E eu sou a luz e o brilho da estrela, por isso, você ainda está de pé e confiante e conseguindo caminhar. O amor deixa rastros e fachos de luz que não se apagam com a morte da estrela. O brilho e a luminosidade são equivalentes à força do amor. A luz e o amor não podem ser confinados em nenhum porão da galáxia das emoções. O seu amor por mim continua intenso apesar do sepultamento da estrela-o casamento.

O garoto procurou a mão de sua mãe e em um gesto de cumplicidade irrestrito, tendo por testemunha todas as estrelas, reafirmaram seus votos de lealdade com a luz do amor.

Marcos Bersam é psicólogo clínico. Site: www.marcosbersam.com.br

Tomislav R. Femenick: Pedaladas que nos custaram R$ trilhões

Realmente este é um país surreal. Aqui a realidade ultrapassa qualquer ficção e não há Gabriel Garcia Marques que resista a tamanho realismo fantástico. Com poucos dias de interregno, uma presidente da República sofreu impeachment (porém teve seus direitos políticos mantidos, em um manifesto desrespeito à Constituição), um presidente da Câmara foi cassado, um ex-presidente tornou-se réu pela segunda vez em processo na justiça federal e, numa manobra infeliz e sem pai e nem mãe, deputados de vários partidos tentaram dar a si mesmo anistia por crime de caixa dois. Eta paisinho difícil. Difícil mesmo é escolher sobre o que escrever.

Eis que abro a minha caixa de e-mails e encontro um pedido de meu amigo Martin Friedrich Manheim, que conheci na Universidade de Colônia, quando lá estive fazendo pesquisas. Martin já morou no Brasil e fala e escreve português fluentemente. Ele me pedia que lhe explicasse de maneira simples o que diabo eram as pedaladas fiscais praticadas pelo governo do PT. Convenhamos, não é uma tarefa fácil. Mas vamos começar pelo começo.

Qualquer que seja a sociedade, das mais pobres às mais ricas, os recursos sempre são escassos para atender as necessidades de bens e serviços pela sociedade, necessidades essas que sempre são crescentes. O governo, como todos os outros atores – famílias e empresas – também faz parte dessa equação. Sabendo-se que os governos por suas atividades fins não criam rendas e recorrem aos tributos para financiar seu funcionamento e seus programas, chega-se a conclusão de que qualquer aumento de gasto do governo significa redução direta dos recursos das famílias e das empresas.

Outro instrumento que o governo usa para se financiar é o endividamento público, que em junho passado atingiu a fantástica casa de R$ 2,95 trilhões; em 2002 era somente R$ 892,29 bilhões, portanto cresceu 330%. Ora, cada centavo que os vários órgãos públicos tomam emprestado no mercado financeiro significa menos recursos para financiar o crescimento das empresas ou o consumo das famílias. Quando esses recursos são aplicados em obras públicas de infraestrutura eles podem, por certo tempo, representar incentivo ao desenvolvimento. Todavia, quando eles são destinados à simples manutenção da máquina governamental, como foi o caso do período petista, representam um cerceamento ao crescimento econômico, pois quando o poder público concorre com a iniciativa privada para obtenção de crédito reduzir o volume de recursos que iriam financiar a ampliação dos negócios que, em suma, são os geradores de emprego e renda.

De 2014 para cá o cenário se deteriorou mais ainda, agora com um viés jurídico-econômico, pois além de tomar recursos para gastos correstes (gastos de manutenção) o governo Dilma o fez sem autorização do Congresso, na contramão do que diz o texto constitucional e, ainda, usando instituições públicas como financiadoras.

Então, as pedaladas foram um deslize constitucional grave e uma política econômica gravíssima. Em vez de conter os gastos do governo, a presidente Dilma tentou esconder a gravidade da situação e inflou os gastos federais para se reeleger.

Como nós contadores sabemos, os números são mais realistas que as palavras. As palavras permitem pedaladas cognitivas. Os números não. O que ocorreu foi a retirada de mais dois trilhões de reais da iniciativa privada para manter os gastos do governo (R$ 2.057.710.000.000,00), só no mercado financeiro.

Tomislav R. Femenick é contador e mestre em economia. 

Marcos Bersam – Quando o céu te ajuda!

Marcos Bersam – Quando o céu te ajuda!

Psicologia do Amor

Certa noite, aquele garoto conversava com sua mãe de forma casual. De repente, o assunto passou a ser as estrelas e as constelações que, naquela noite, estavam evidenciadas no céu de brigadeiro. A mãe, naquela oportunidade, resolveu falar um pouco mais sobre os astros. A certa altura da prosa, ela lhe disse que a noite era a melhor forma de observar o passado. O espirito inquieto do garoto, o  fez indagar:

– Como assim?

A mãe, naquela altura, encheu-se de confiança e começou a explicar ao garoto que o céu era um museu astronômico, ou seja, a luminosidade das estrelas, por vezes,  era  apenas o brilho que estava acabando de chegar de uma viagem até nós. Não obstante, a luz que vemos hoje, pode não  passar de uma digital luminosa da estrela que já morreu há  muito tempo.

De repente, a mãe lhe disse, com toda ênfase, que muitas estrelas já haviam morrido.   O garoto sobressaltado perguntou:

– Mas estrelas morrem?

– Claro! Assegurou a mãe.

A mãe disse que tudo tem um tempo no universo; algumas coisas duram mais e outras menos tempo. Afinal, até o sol, uma estrela de quinta grandeza, tem daqui a bilhões de anos, tempo de apagar.

Aquela mulher tinha uma inteligência emocional fora da média; queria começar a preparar o garoto para comunicar o divórcio que estava se avizinhando. O garoto quis saber se a estrela sentia dor  quando começava a morrer. A mãe deixou a sua intuição responder, pois sua galáxia interior estava um furdunço.

– Então! Acredito que a dor não é por causa da morte, mas tão somente pelo que se  sabe fazer na engrenagem cósmica. Por exemplo, a estrela só sabe brilhar e nortear os viajantes que se encontram perdidos.

Sem compromisso com a veracidade das informações, aquela mãe deixava sua intuição falar alto.  A estrela morre, porém, deixa rastros de luz através de labirintos interplanetários e alamedas celestes.

O menino percebeu que mãe começava a se emocionar e logo perguntou:

– Algo dentro de você morreu mamãe? É você e o papai, não é?

A mãe balançou a cabeça consentindo na indagação, sem precisar falar mais qualquer coisa. O garoto percebeu a situação embaraçosa e lhe disse:

– O amor de vocês não brilha mais, certo? A estrela morreu, não é? E eu sou a luz e o brilho da estrela, por isso, você ainda está de pé e confiante e conseguindo caminhar. O amor deixa rastros e fachos de luz que não se apagam com a morte da estrela. O brilho e a luminosidade são equivalentes à força do amor. A luz e o amor não podem ser confinados em nenhum porão da galáxia das emoções. O seu amor por mim continua intenso apesar do sepultamento da estrela-o casamento.

O garoto procurou a mão de sua mãe e em um  gesto de cumplicidade irrestrito, tendo por testemunha todas as estrelas, reafirmaram seus votos de lealdade com a luz do amor.

 

Marcos Bersam

Psicólogo Clínico

Whats: 32 98839-6808

Site: www.marcosbersam.com.br

Face:marcos bersam

Skype:marcos.antonio.mello.bersam

Instagram: psicólogo marcos bersam

Youtube canal: Psicólogo Marcos Bersam

Paiva Netto: A Caridade sustenta a vida humana

A Caridade é um tema muito presente em meus artigos, pois a considero imprescindível à nossa sobrevivência. Aproveito o ensejo para lhes adiantar pequeno trecho de O Capital de Deus, livro que estou preparando, com muito cuidado, no qual apresento algumas das palestras que proferi a partir da década de 1960:

Meditemos sobre esta passagem do Apóstolo João, na sua Primeira Epístola, 4:20: “Se alguém disser: Amo a Deus, e odiar a seu irmão, é mentiroso; pois aquele que não ama a seu irmão, a quem vê, não pode amar a Deus, a quem não vê”. 

Caridade, criação de Deus, é o sentimento que mantém o Ser vivo nas horas de tormenta de sua existência. Se você me falar que não precisa de Amor, está equivocado, ou equivocada, enfermo, ou enferma… Em resumo, trata-se simplesmente disto: Amor, sinônimo de Caridade, de que tanto carece a sociedade míope, obumbrada pela cultura insidiosa, mantida por aqueles que provocaram, para os povos, as desgraças todas que ensanguentam a História e que nos põem em perigo constante. Até quando?

A Caridade sustenta a vida humana. O jornalista Francisco de Assis Periotto, ao ouvir essas minhas palavras, completou-as assim: “no pão e na decência”.

Elevado Espírito Social

O avanço tecnológico tem derrubado muitas fronteiras e feito algumas desabar sobre outras. Entre elas, econômicas e sociais. Contudo, a globalização não vai impedir a diversidade. Porquanto, se mundializa, dá também expressão ao regionalismo. De várias formas, todo mundo influencia todo mundo. No entanto, barreiras, em diversas partes do planeta, ainda tornam cada vez mais distantes ricos e pobres. Isso pode resultar em consequências profundas, em amplitude internacional, a exemplo do fim do Império Romano. Entretanto, desta vez, tais transformações poderão provocar providências inusitadas até em corações de pedra, antes contrários ao pragmático espírito de Caridade, que serão levados a pensar que existem algumas coisas vitais, até mesmo para eles, como… a compaixão. (…) Caridade não é pífio sentimentalismo, a que alguns gostariam de reduzi-la. Acertou, pois, quando escreveu o grande Joaquim Nabuco (1849-1910): “À luta pela vida, que é a Lei da Natureza, a Religião opõe a Caridade, que é a luta pela vida alheia”.

Não seria essa a função de um verdadeiro político? O que seria mais importante para o fortalecimento das comunidades do que esse elevado espírito social?

É possível igualmente esperarmos do alto significado da Caridade, na atitude diária, o completo caminho da verdadeira independência de nossa pátria.

Caridade é assunto sério.

José de Paiva Netto é jornalista, radialista e escritor. Contato: [email protected] — www.boavontade.com 

Júlio César Cardoso: Eleições municipais em 2016

Eleitor, as eleições municipais estão aí. Demonstre maturidade e responsabilidade com a sua cidade, escolhendo bem, independente de partido, os seus representantes políticos. Vote com consciência em alguém que goze de boa reputação ética e moral, que traga propostas positivas para a coletividade e para o município. Não caia no velho brocardo que permeia o incauto eleitor, que vota no candidato com a máxima de que “ele rouba, mas faz”. Está na hora de desmistificar os políticos solertes, que usam a esperteza criminosa de agir para estar no poder.

Para a Câmara e Prefeitura Municipal, não reeleja ninguém. A política precisa de renovação constante.  Política não é profissão, é mandato transitório. A reeleição tem transformado a política em cabide de emprego e contribuído muito para a corrupção política brasileira. Dê oportunidade aos novos candidatos. Ninguém é insubstituível. Muitos dos que se consideravam ou eram considerados imprescindíveis jazem hoje nos cemitérios e o país não parou, pois novas cabeças políticas e arejadas surgiram.

Pagamos um preço muito alto por nossa omissão na vigilância política. Por isso temos um Parlamento fraco e Executivo idem, com políticos (corruptos) mais interessados em tirar vantagem da coisa pública.

Pois bem, quando falo em nossa omissão na vigilância política e em políticos mais interessados em tirar vantagem da coisa pública, procuro chamar a atenção do eleitor e contribuinte nacional para que, antes de votar, conheça a vida pregressa e curricular do candidato, se se trata, por exemplo, de político que já tenha descumprido mandato eleitoral ou se beneficiado da coisa pública, pois este é o momento de negar-se voto aos candidatos oportunistas, que buscam a política como cabide de emprego ou meio de satisfazer os seus inconfessáveis interesses.

A ausência de valores éticos e morais é a causa da profunda crise política, econômica e social por que passamos. Não pode ser considerado candidato sério aquele que, indevidamente, já tenha se beneficiado da coisa pública ou desrespeitado o instituto do voto, interrompendo o cumprimento de mandato para exercer cargos nos governos ou disputar novas eleições.

Júlio César Cardoso é Bacharel em Direito e servidor federal aposentado – Balneário Camboriú-SC.

Marcos Bersam – Quando a boca entra de greve

Como você tem beijado?

Apesar de ter sempre ouvido que a greve tradicional não surte tanto efeito como em tempos áureos, definitivamente, você, não entendia o que tinha acontecido com sua boca; assim divorciada das emoções, desconexa do corpo, entrincheirada no tédio, claro, na hora decisiva deixava você na mão.

O problema maior era que tal greve não tinha mais uma pauta de reinvindicações emocionais, de certa forma ela começou a pensar que não tinha direitos assegurados pela constituição do desejo. Sem saber qual sindicato à representava, que categoria pertencia, assim não conseguia sentar na mesa de negociação, ou melhor, na cama, para fazer uma contraproposta. Sem saber ao certo o que acontecia e mesmo com a sensação de estar perdida, parece que o motim tinha espalhado pela fábrica dos sentimentos.

Então, em meio a um silêncio e imobilismo cortante, a boca do seu parceiro ficava também paralisada, num misto de espanto você ficava atônita, pois a linha de produção não conseguia mais produzir beijos.

Observando um pouco mais atentamente parecia que a boca era apenas o reflexo de outras coisas que também estavam em greve, não era só o beijo que não acontecia, quando ele teimava em dar as caras acontecia depois do café da manhã na pressa para ir trabalhar.

De forma medíocre, com gosto de margarina você sentia saudade do gosto da saliva. Ah! Como você sentia saudades daquele tempo que você sabia beijar, embora não tenha tido muito tempo quando você era uma excelente beijoqueira. Atualmente, você fica em dúvida se sabe ainda beijar.

A greve da boca e dos beijos não ficou apenas restrita aos momentos de intimidades, quando menos esperava o diálogo tinha saído de cena, as caricias e elogios escasseavam na pressa do dia à dia. O afeto parecia ter tirado férias sem te avisar. O beijo não tinha espaço na agenda, pois para beijar precisava de pausa, ou seja, o beijo é o melhor pretexto para ancorar o presente – no aqui e agora, por fim trapacear o tempo.

O fechar dos olhos é apenas o ritual para o beijo suplicar a gratidão de estar vivo, numa espécie de oportunidade de imobilizar o universo. Os amantes sempre querem parar o tempo, como não conseguem fecham os olhos para não serem testemunhas de que o mundo continua a girar lá fora.

No entanto, a tv pendurada no quarto, o inferno do celular ao lado do travesseiro, onde acendiam luzes em faces entristecidas pelo apagar da chama da paixão.

O beijo não podia acontecer na alcova que, nos últimos tempos, tinha se tornado uma repartição pública enfadonha, logo a boca tinha que ir para cama e contentar-se com o analgésico pastoso, em forma, do creme dental de menta.

 

Marcos Bersam é Psicólogo clínico

32-98839-6808

e-mail:[email protected]

instagram: psicologomarcosbersam – videos diários

skype:marcos.antonio.mello.bersam

face: marcos bersam