terça-feira , 19 de junho de 2018
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A CASINHA DO VAQUEIRO SALES 

Benedito vasconcelos Mendes

Benedito Vasconcelos Mendes

A primeira casa de taipa  que conheci em detalhes foi a do vaqueiro do meu avô, conhecido por “Sales da Fazenda Aracati”, a qual me causou uma excelente impressão pela sua simplicidade, limpeza e beleza. Tudo muito limpo e em seu devido lugar. O interior da casa transmitia um ar de serenidade e paz. Dona Lourdes, mulher de Sales, era muito trabalhadeira e  caprichosa e tinha muito gosto em manter a casa em ordem. Sua filha mais velha, Ritinha, à época que entrei pela primeira vez em sua casa, tinha cerca de 12 anos de idade, ajudava a mãe na arrumação da casa e nos trabalhos da cozinha. Seu filho Totonho tornou-se meu maior amigo por ocasião das minhas férias escolares, que sempre passava na Fazenda Aracati, de propriedade do meu avô. Ele tinha, quando o conheci, aproximadamente 14 anos. Tínhamos mais ou menos a mesma idade. Dona Lourdes cuidava,  além da casa, das cabras, das galinhas, dos dois cachorros de pegar gado, do gato e do papagaio.

   A  casa era de taipa, alpendrada, de dois quartos, coberta de palha de carnaubeira, de chão batido e não tinha luz elétrica. No terreiro, um frondoso e velho  Juazeiro, onde o vaqueiro Sales amarrava seu garboso cavalo “Relâmpago”.
Em frente à porta, crescia um pé de pinhão roxo, plantado para livrar os habitantes da casa, do “Mau Olhado”. Para proteger a família contra raios, na porta da frente tinha uma cruz feita de palha de carnaubeira,  benta pelo Padre, por ocasião da Santa Missa do Domingo  de Ramos, durante a Semana Santa. Na parede, ao lado da porta, estava uma ferradura, para dar sorte. Pendurado na cumeeira, no meio da sala do oratório, observava-se um rabo de raposa seco, para espantar morcego.                                                             

  O alpendre cobria as duas laterais e a frente da casa. No alpendre da frente (copiá), situava-se um banco de pau roliço (estirpe de carnaubeira sobre duas forquilhas de aroeira), uma rede de malha de fibra de caroá, uma balança de corda (com pratos de madeira pendurados por longas cordas, apropriada para pesar sacos de algodão), duas colmeias de abelha jandaíra e algumas latas penduradas com plantas. O chapéu e o gibão de couro, a cela, os arreios e o chicote de pimba de boi ficavam suspensos em um torno de armar rede, no alpendre lateral. Várias gaiolas de talo de carnaúba, com canário-da-terra, cabeça-de-fita, graúna, sabiá-laranjeira, corrupião, asa branca e outros passarinhos ficavam penduradas nos caibros do alpendre. A frente da casa era de porta e janela, feitas de tábuas de imburana, não pintadas.  A porta da frente era do tipo meia-porta, ou seja, porta partida ao meio. Durante o dia, a banda de cima ficava aberta e a de baixo fechada, com tramela de madeira. No alpendre da frente da casa, ficavam os banquinhos das mulheres fazerem chapéu de palha de carnaúba. Eram bancos de pernas curtas, para evitar que  as mulheres, usando vestido, mostrassem as pernas.

A sala da frente, onde ficava o oratório, exibia na parede as fotografias do Beato Zé Lourenço e do Padre Ibiapina (foto do quadro “óleo sobre tela”, de autoria do pintor paraibano Francisco Aurélio de Figueiredo e Melo) e, dentro do santuário, as imagens de madeira do Padre Cícero e de São José (o Santo das chuvas). Na parede via-se também um terço e um quadro de vidro, com a oração manuscrita do Responso de Santo Antônio (oração rezada para se reaver objetos perdidos ou roubados).

As duas camarinhas eram interligadas por uma cortina de tecido. Lá dormiam, em redes, o  casal dono da casa e  os  oito filhos (crianças e adolescentes), cinco do sexo masculino e três do sexo feminino. Os dois quartos se comunicavam com o estreito corredor por cortinas de chita colorida, com temas florais. No canto de cada quarto, no chão, havia um penico de barro, que na manhã do dia seguinte eram recolhidos e a urina e fezes despejadas na latrina. Em cada quarto havia também um caritó, para guardar pequenos objetos e utensílios domésticos, como lamparinas, caixas de fósforos, corrimboque, agulhas e carretéis de linha para coser, cachimbo, fumo de rolo, espingarda de caça, etc. Da parede do corredor,  pendiam um uru de palha e uma cesta  de cipó.

Na  cozinha localizavam-se um fogão a lenha, com trempe para três panelas de barro, e uma mesa de pau-branco, não envernizada, com seis bancos, com tampos de couro cru. Ao lado do fogão, sobre um suporte de madeira, tinha uma grande tina de pau-branco com água para lavar as louças. No chão, um pilão deitado de duas bocas, feito de miolo de aroeira. Presos a tornos de madeira, via-se o abano, a urupema, a colher de pau, duas cuias e  uma cuité.  Do caibro sobre o fogão a lenha, descia  uma corda de tucum com um “gancho de 5 pontas”, para espetar os alimentos salgados (linguiça, toucinho, tripa de porco, tripa de boi, coalho de boi  e carne do sol). O coalho era usado para coalhar o leite, na preparação do queijo de coalho. A corda que sustentava o gancho atravessava o centro de uma cuité com a boca para baixo, que impedia a descida de algum rato, que por ventura existisse na cobertura da casa. O gancho ficava alto do solo e sobre o fogão, para evitar que o gato comesse estes alimentos e, ao mesmo tempo possibilitava, que os mesmos fossem defumados  pela fumaça que saía do fogão. Na cozinha, também ficava a cantareira, com dois pequenos potes de água para beber. Os potes tinham as bocas cobertas por tecido de algodãozinho com elástico e por tampas de madeira. Sobre uma forquilha de Angico com três pontas, repousava a quartinha de água para beber, que era levada à noite para o alpendre e depois para o quarto. No quintal, confrontando com a janela da cozinha, situava-se um girau de varas de marmeleiro, para secar as louças de barro (panelas, travessas, alguidares e cuscuzeira).

Ao todo, a casa tinha duas portas, a porta da frente e a porta dos fundos, e quatro janelas, a da frente, a da cozinha e dois quartos.   
                                                                                                           
 A cerca do quintal era de  varas de marmeleiro. No quintal ficavam a latrina a céu aberto, o banheiro, o chiqueiro das galinhas e o girau de secar panelas, tudo feito com varas de marmeleiro. A latrina e o banheiro tinham portas feitas de talos de folhas de carnaubeira e eram revestidos com palhas,  para não se ver quem estava dentro.

A porta da cozinha (porta dos fundos) e as janelas só eram fechadas por dentro, com trancas  e tramelas de madeira, pois somente a  porta da frente tinha fechadura. As portas e janelas da casa não tinham ferrolhos. No banheiro a céu aberto tinha uma grande jarra de boca larga (pote de barro grande) com água para o banho do pessoal da casa. A água era trazida em ancoretas, em lombo de jumento, de uma cacimba feita na areia do leito do Rio dos Patos. As pessoas tomavam banho de cuia, ao ar livre, sobre uma grande laje de pedra calcária. Parte do quintal era sombreada por uma frondosa pitombeira. No quintal, no pé do muro, repousava o caco (grande alguidar de barro, pouco profundo) de torrar café. O sabão (sabão da terra), usado para o asseio da família e para a lavagem de roupa e das louças, era feito na fazenda por Dona Lourdes, que utilizava para a sua fabricação, cinza e óleo de oiticica.

Passagem do Pedro – São Sebastião – Sebastianópolis – Governador Dix-sept Rosado: Meu relicário sagrado

José Romero

(*) José Romero Araújo Cardoso

Indubitavelmente há nítida ênfase em minha subjetividade à topofilia definida pelo geógrafo Yi-Fu-Tuan quando lembro de assuntos pertinentes ao despertar de identidade com a geografia humana do município norte-riograndense de Governador Dix-sept Rosado.

A fixação em minha memória da preparação dos plantios de alho e cebola às margens do rio Apodi-Mossoró, onde João Cruz possuía propriedade encravada entre as supracitadas glebas rurais, é imagem contida em minhas reminiscências de infância que o tempo não apaga.

O alho teve importância econômica de destaque em Governador Dix-sept Rosado. Quando das colheitas, as estruturas do espaço urbano do município transformavam-se literalmente em locais de exposição de um dos principais produtos cultivados no lugar. Milhares de tranças de alho e cebola ficavam expostas aguardando compradores que não tardavam em aparecer.

A Festa do Alho era bastante concorrida, culminando na coroação de uma rainha. Certamente nos dias de hoje apenas os mais velhos guardam as recordações de uma época marcada pelos festejos que assinalavam boas colheitas que resultavam em interessante poder aquisitivo para àquelas pessoas que se dedicavam ao artesanal feitio dos terraços com a areia do escoamento fluvial, destinados ao plantio de alho e cebola, o qual muitas vezes era consorciado com o cultivo de batata-doce.

O velho trem que foi sonho de Ulrick Graf transportava alho e cebola para todos os recantos onde passava a linha férrea. A qualidade dos produtos fazia com que fossem disputados por exigentes consumidores espalhados pelo país.
Não alcancei o pleno funcionamento da extração de gipsita nas vossorocas da Espadilha ou pedreira, como era mais conhecida a região que abrigou a maior mina de gesso da América Latina, mas guardei na memória as histórias que Severino Cruz Cardoso me contava sobre o cotidiano da área de extrativismo onde a maioria das pessoas que lá residiam tratavam-se carinhosamente por primos, tendo em vista a origem comum destas através de vínculo genealógico com o português Jerônimo Ribeiro Rosado.

Nessa época, conforme relato de diversos moradores da pedreira, era comum encontrar-se na caatinga grande quantidade de emas, bem como porcos-do-mato. Infelizmente essas espécies estão extintas devido à caça predatória e ao desmatamento intenso.

Recordações daqueles tempos são profusas na memória de Raimundinho de tio Jerônimo Rosado Bandeira, pois ele viveu intensamente momentos gloriosos que marcaram profundamente as vidas dos habitantes da verdadeira comunidade familiar erguida sob a égide das tradições e dos valores da paraibanidade marcante que permeou a edificação dos elos de identidade, sobretudo àqueles referentes a Pombal (PB) e a Catolé do Rocha (PB).

A caprino-ovinocultura é uma atividade pecuária tradicional em Governador Dix-sept Rosado. Tenho profunda gratidão a um eminente e respeitado cidadão de nome Fausto Martins, de saudosa memória, pois certa vez fez questão de separar diversas cabeças de criação de pequeno porte visando custear no futuro algo que precisasse em meus estudos.
Nunca esqueci o sabor das groselhas cultivadas no quintal da residência do casal Nô Rosado Bandeira-Penha Formiga. A casa de Dona Santa Formiga, nora dos simpáticos pombalenses, sempre foi referência no que tange às visitas, tendo em vista o grau de amizade que sempre foi reverenciado, fruto da convivência e da afinidade do esposo José Formiga com Severino Cruz Cardoso.

Participei de várias e inesquecíveis Festas de São Sebastião. A residência de Lourenço Menandro Cruz localizava-se próxima à igreja dedicada ao santo católico martirizado em razão de sua conversão ao cristianismo. Em sentido diagonal, estava a morada de outro paraibano conhecido por Pedro do Alecrim, amigo de longas datas de toda família, onde sempre tive livre trânsito.

No mercado, parada obrigatória a fim de colocar a conversa em dia, era praxe cumprimentar Leôncio Carlos, de saudosa memória, bem como Fernando aleijado, pois ambos foram amigos de longas datas de Severino Cruz Cardoso. A panelada preparada por Necí tornou o principal espaço de comercialização Dix-septiense uma referência para todos que cultuam as tradições da culinária sertaneja.

A prosa de Chico Bacatela, homem de caráter, justo e honesto, sempre foi admirada por todos que o conhecem, pois em verdade esse grande sertanejo é um verdadeiro repositório da história do lugar.
Sintetizo a importância de Governador Dix-sept Rosado em minha vida através da definição de que o lugar personifica relicário sagrado onde estão contidas lembranças marcantes de momentos felizes ali vividos dos quais nunca hei de esquecer.

(*) José Romero Araújo Cardoso. Geógrafo. Professor-adjunto da UERN.

Os novos ricos da Lava-Jato – Júlio César Cardoso

Os profissionais do Direito deveriam zelar pela licitude da fonte que paga os seus honorários advocatícios. Senão,  onde ficam a ética e a decência de advogados que recebem honorários sabidamente de origens ilegais? Por que até hoje  a OAB e o Congresso não arrostaram a matéria, de maneira a moralizá-la?

A revista Veja, edição de 29/11/2017, estampa em sua capa, fumando charuto importado de R$ 350 reais a unidade, o criminalista Adriano Bretas, que enriqueceu na Lava-Jato: “Desfruto de um padrão de vida que jamais sonhei ter”.

Não se discute a competência profissional  de ninguém para fazer jus aos polpudos honorários recebidos. O que nos chama a atenção é que a fonte pagadora desses honorários é de clientes encalacrados na Lava-Jato, a qual investiga justamente a indecorosidade desses clientes em operações irregulares de desvios dinheiro público.

É difícil acreditar que os honorários advocatícios dos novos ricos da Lava-Jato venham de fontes lícitas. A Receita Federal deveria investigar a legalidade desses honorários.

De todos os contribuintes nacionais é exigida por ocasião da declaração de Imposto de Renda a comprovação das receitas lícitas auferidas. Portanto, os honorários advocatícios não podem camuflar dinheiro oriundo de operações criminosas.

“A Lava-Jato produz uma nova casta de milionários: os advogados criminalistas pagos a peso de ouro para livrar das grades os ricos acusados de corrupção”.

Que certos empresários possam pagar a peso de ouro os seus defensores até não se discute. Mas políticos, por exemplo, como Palocci, Geddel Vieira, Lula, Renan, Jucá, Cabral e outros não têm cacife para bancar com recursos próprios a casta de advogados  milionários. E Geddel Vieira mostrou muito bem de onde vem o dinheiro que paga os seus advogados: malas e mais malas abarrotadas de notas de reais e dólares, encontradas em seu bunker, em Salvador, na Bahia.

Assim, dinheiro ilícito está enriquecendo seletos grupos de advogados na Lava-Jato e precisa ser investigado.

 

Júlio César Cardoso. Bacharel em Direito e servidor federal aposentado

Pe. Francisco Cornélio – Reflexão para o V Domingo do Tempo Comum

Por Pe. Francisco Cornélio Rodrigues.
O evangelho deste quinto domingo do tempo comum, Mc 1,29-39, é a continuação e conclusão da chamada “jornada de Cafarnaum” (cf. 1,21-31), cuja leitura foi iniciada no domingo passado (cf. Mc 1,21-28) e, ao mesmo tempo, o início de uma nova etapa da missão de Jesus em outros lugares da Galileia. Ora, tendo chamado os quatro primeiros discípulos (cf. 1,16-20), designando-os como “pescadores de homens”, Jesus inaugurou seu ministério em conformidade com as tradições litúrgicas de Israel: em uma sinagoga num dia de sábado. No espaço sacro, a sinagoga, Jesus apresentou a novidade do Reino em palavras e atos (ensinamento com autoridade e expulsão de espírito impuro), causando admiração e surpresa em todos os presentes, fazendo espalhar sua fama rapidamente (cf. 1,27-28).
Se no domingo passado o evangelho iniciava com a entrada de Jesus na sinagoga, hoje inicia com a sua saída: “Jesus saiu da sinagoga” (v. 29a). Aqui, o evangelista emprega um verbo que recorda o êxodo: “ecserkomai”, cujo significado mais exato é escapar, fugir ou libertar-se. Com isso, Marcos ensina que a sinagoga não é o lugar do discipulado; pelo contrário, como símbolo das estruturas de poder e dominação vigentes, a sinagoga é uma realidade da qual as pessoas devem ser libertadas. As instituições, de um modo geral, são espaços hostis para o discipulado de Jesus porque impedem a realização do ser humano em sua liberdade e dignidade plenas.
Saindo da sinagoga, “Jesus foi, com Tiago e João, para a casa de Simão e André”  (v. 29b). A casa (em grego: “oikia”) é a alternativa proposta por Jesus para a realização do seu projeto em sua dimensão espacial primeira. No âmbito do poder instituído, aqui representado pela sinagoga, não há espaço nem condições para a realização do Reino de Deus; é necessário buscar novas formas viáveis de organização que permitam a plena realização do ser humano. Compreender esse deslocamento da sinagoga para a casa é fundamental para a compreensão de todo o projeto de Reino proposto por Jesus. A casa é o espaço eclesial por excelência; é na casa onde Jesus fala abertamente com seus discípulos. A Igreja primitiva adotou a casa como o lugar da liturgia, da catequese, do encontro. Se é na casa onde acontece a vida, deve ser na casa o culto ao Deus da vida; um culto não ritual, mas serviçal. Do púlpito da sinagoga não era possível conhecer as necessidades reais das pessoas; isso só é possível indo ao encontro delas, ou seja, indo à casa.
Ao chegar na casa com dois dos discípulos, João e Tiago, Jesus encontra uma situação desconfortável, caótica: “A sogra de Simão estava de cama, com febre, e eles logo contaram a Jesus” (v. 30). Embora se tratasse apenas de uma febre, de acordo com o texto, essa tinha paralisado a mulher, impedindo-a de exercer suas funções. Se a mulher em pleno estado de saúde já valia muito pouco naquela sociedade, muito menos seria enquanto enferma. O ato de deixar Jesus a par da situação evidencia confiança nele; é sinal de que ele já estava sendo reconhecido como doador de vida e de sentido para a vida. É também sinal de que naquela comunidade embrionária a mulher deve ter um papel relevante e até essencial.
Estando ciente da situação, Jesus não se omite, como não se conforma com o domínio do mal na vida das pessoas. Por isso, “ele se aproximou, segurou sua mão, e ajudou-a a levantar-se” (v. 31a). O texto não menciona uma única palavra de Jesus, mas apenas gestos. Por sinal, gestos sacrílegos, considerando que era dia de sábado e, portanto, nenhuma atividade manual era permitida naquele dia. Certamente, o evangelista pensou na sua e nas comunidades cristãs de todos os tempos: os gestos de libertação falam mais que longas e muitas palavras. Sem nenhum temor Jesus se aproxima de uma pessoa com a vida ameaçada; ele não teme nem foge das situações concretas de dor e sofrimento, mesmo que tal atitude fosse proibida pela religião. Pelo contrário, ele enfrenta toda situação em que a vida se encontra ameaçada. O gesto de segurar pela mão significa o cumprimento de uma ação salvífica por excelência: é Deus doando sua força em benefício do seu povo, tirando-o da opressão, de acordo com a linguagem do Antigo Testamento (cf. Ex 13,16; Is 41,13; Sl 136,12; etc.); é prova do amor e cuidado de Deus para com a humanidade.
Com um cuidado incomparável, Jesus manifesta sua opção incondicional pela vida e o bem do ser humano. O evangelista diz que ele ajudou a mulher a levantar-se empregando o verbo grego “egheiro”, o mesmo usado para falar da ressurreição do próprio Jesus (cf. 16,6). Com isso, ele quer dizer que Jesus restituiu a vida para aquela mulher. A ressurreição é, por excelência, o triunfo da vida sobre a morte e suas causas. Eis, portanto, as consequências da ação de Jesus: “Então, a febre desapareceu; e ela começou a servi-los” (v. 31b). O mal, representado no texto pela febre, não resiste à presença amorosa e cuidadosa de Jesus. Sendo o mal banido da comunidade, as atitudes de serviço se evidenciam. O serviço é a atitude imediata de quem se encontra com o amor restaurador de Jesus e o critério para perceber se esse amor está sendo vivido na comunidade cristã. Jesus é doador de vida, e quem recebe essa vida se torna servo e serva de todos.
Na sequência, diz o evangelista que “À tarde, depois do pôr-do-sol, levaram a Jesus todos os doentes e os possuídos pelo demônio” (v. 32). Com esse versículo, percebemos que as pessoas continuavam escravas da religião, colocando o preceito acima do bem. Ora, a expressão “depois do pôr-do-sol” significa o início do novo dia. Portanto, as pessoas tinham esperado terminar o sábado, por preceito, para levarem seus doentes até Jesus. Estavam literalmente sob a escravidão da lei. Como a fama de Jesus tinha se espalhado rapidamente (cf. 1,28), era grande a procura pela sua ação libertadora. Tanto é que “A cidade inteira se reuniu em frente da casa” (v. 33). Ao dizer que a cidade se reuniu, o evangelista emprega o verbo grego “epíssinago”, cujo significado é reunir, recolher, do qual deriva a palavra sinagoga. Com isso, o evangelista insiste ainda mais com a ideia da casa como alternativa à sinagoga. Se Jesus está na casa, é ali onde as pessoas devem reunir-se; e se as pessoas estão reunidas na casa, é ali onde Jesus está presente. É claro que há exagero do evangelista ao dizer que a cidade inteira se reuniu; a expressão quer enfatizar a adesão e, principalmente, a curiosidade que a presença de Jesus despertava. É perceptível também a intenção de anunciar a falência da religião instituída: as pessoas já não se sentem mais presas à estrutura rígida e fixa da sinagoga. A reunião “em frente da casa” é sinal de liberdade, acolhida e fraternidade.
É importante recordar que, embora tenham levado todos os doentes, “Jesus curou muitas pessoas de diversas  doenças e expulsou muitos demônios” (v. 34), ou seja, não curou a todos. Nas multidões sempre há incompreensão, falso entusiasmo, risco de dispersão. Estar no meio da multidão não significa necessariamente estar em comunhão. Não basta ir fisicamente ao encontro de Jesus ou participar de momentos de reunião comunidade; é necessário, antes de tudo, ter disposição interior e disponibilidade para viver os valores do Reino. A comunidade não deve entusiasmar-se simplesmente por juntar multidões; é necessário muito mais para ser, realmente, uma comunidade de discípulos e discípulas.
Terminada a chamada “jornada de Cafarnaum”, Jesus iniciou uma nova fase do seu ministério. Como comunicador do Reino de Deus, ele precisava nutrir sua intimidade com o Pai através da oração, como atesta o evangelista: “De madrugada, quando ainda estava escuro, Jesus se levantou e foi rezar num lugar deserto” (v. 35). Ele não se deixou levar pelo aparente sucesso do dia anterior. Sentia necessidade de comunicar-se com o Pai para permanecer fiel em sua missão. A oração capacita para o discernimento, fortalece as convicções. Muitas vezes o ativismo das comunidades deixa essa dimensão importante da vida cristã passar despercebida. Aqui o evangelista deixa um recado muito claro para a sua comunidade e para as demais.
Enquanto rezava, “Simão e seus companheiros foram à procura de Jesus. Quando o encontraram, disseram: “Todos estão te procurando” (vv. 36-37). Os discípulos, ainda principiantes no seguimento, queriam certamente que Jesus repetisse os feitos da jornada anterior, refazendo o mesmo percurso. É a tentação do comodismo e do poder. Alimentado pela oração e, portanto, cada vez mais convicto de sua missão, “Jesus respondeu: “Vamos a outros lugares, às aldeias da redondeza! Devo pregar também ali, pois foi para isso que eu vim” (v. 38). Aqui o aspecto dinâmico e itinerante do movimento de Jesus é evidenciado, bem como o universalismo do seu alcance é pré-anunciado. Mesmo sendo desenvolvida inicialmente na Galileia, a itinerância da missão de Jesus antecipa o universalismo que deve marcar o cristianismo de todos os tempos. Não à religião do templo, do comodismo e da conivência com os poderes instalados! Ir a outros lugares é uma necessidade de quem vive a Boa Nova e os valores do Reino.
Na conclusão, temos a atestação do caráter itinerante da missão de Jesus: “E andava por toda a Galileia, pregando em suas sinagogas e expulsando os demônios” (v. 39). A atividade de “pescar seres humanos” continuava em evidência, ao priorizar os ambientes onde as pessoas corriam mais perigo: os espaços de domínio da religião; por isso, ele pregava nas sinagogas, inicialmente. Certamente, por onde passava ele fazia a passagem da sinagoga para a casa, libertando do peso da lei para o bem da vida, em espírito de serviço e gratuidade.

Ideal do Bem – Paiva Netto

No próximo dia 30 de janeiro, completam-se 70 anos do assassinato do líder pacifista indiano Mohandas Karamchand Gandhi (1869-1948). Num mundo marcado pela violência, é sempre bom recordar o exemplo vitorioso do Mahatma (“grande alma”) ao alcançar, por meio da filosofia da não violência, a independência da Índia.

Em 1891, Gandhi formou-se em Direito na Inglaterra e voltou à Índia, onde exerceu a profissão. Dois anos depois, iniciou um movimento na África do Sul — àquela altura colônia britânica —, no qual objetivava lutar contra o racismo e pelos direitos dos hindus.

Em 1914, voltou a seu país e difundiu seu movimento, cujo método principal era a resistência passiva, pregando a não violência como forma de luta. Em 1922, foi detido após organizar uma greve contra o aumento de impostos, sendo condenado a seis anos de detenção. Porém, foi libertado em 1924. Em 1930, liderou a marcha para o mar, uma caminhada de 320 quilômetros para protestar contra os preços dos tributos britânicos e a proibição aos indianos de fabricar sal (…). Finalmente, em 1947, foi proclamada a independência da Índia. Gandhi trabalhou também para evitar o embate entre muçulmanos e hindus, que estabeleceram um Estado separado, o Paquistão, dividido em duas frações, uma das quais, anos depois, se tornou Bangladesh. Acusado pela divisão territorial da Índia, atraiu o ódio dos nacionalistas hindus. Um deles o assassina a tiros no ano seguinte, quando Gandhi tinha 78 anos. Na época, mais de um milhão de indianos compareceram ao seu funeral.

Civilização civilizada? Só com diálogo!

Numa entrevista que concedi à jornalista portuguesa Ana Serra — quando em lancei, em Portugal, a minha obra Reflexões da Alma (editora Pergaminho, 2008) —,  ressalto que Religião, Filosofia e Política não rimam com intolerância. A Ciência, idem. Observem a reflexão de Voltaire (1694-1778): “A tolerância é tão necessária na política como na religião; só o orgulho é intolerante”.

E outra coisa: jamais se deve pregar um Criador que apavore as criaturas, porém que as deixe mais responsáveis e fraternas.

Dias desses, li — na obra Farmácia de Pensamentos, da pesquisadora Sonia de Aguiar, com a qual fui presenteado pelo veterano jornalista gaúcho Luiz Carlos Lourenço — a seguinte sentença do dinâmico cantor e compositor Gilberto Gil: “A arte, a religião e a ciência são maneiras diferentes para atingir os mesmos fins. Mas, no fundo, todas elas procuram respostas para as mesmas perguntas”.

Indagações que apenas serão elucidadas quando a Fraternidade Ecumênica se tornar o fundamento do diálogo religioso, político, filosófico e científico numa sociedade planetária que se arvora civilizada. Diante disso, cabe aqui esta palavra do velho Goethe (1749-1832): “Aquele que tem vontade firme molda o mundo à sua imagem”.

 

José de Paiva Netto, jornalista, radialista e escritor.

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TRF4 mantém condenação de Lula e amplia pena – Júlio César Cardoso

Julgamento sem prova, uma ova. As provas estão nos autos, tanto que por unanimidade o TRF4 manteve condenação de Lula e ampliou a pena para doze anos e um mês.

Por oportuno, o ministro Humberto Martins, vice-presidente do Superior Tribunal de Justiça (STJ), negou nesta terça-feira (30) o pedido da defesa do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) para não ser preso após a análise dos recursos no Tribunal Regional Federal da 4ª Região (TRF-4). A decisão foi tomada horas depois de o habeas corpus preventivo ter sido protocolado na Corte.

Assim, crime  sem cadáver é um delírio da claque petista. Peitar o Judiciário de forma imoral, conclamando MST e outros desordeiros, é  extrapolar o exercício democrático.

Os demais cidadãos, democraticamente, respeitam as decisões do Judiciário. Por que o julgamento do Lula se transformou em todo esse espetáculo circense? Lula não está acima da lei e nem é melhor do que ninguém.

Um elemento que enriqueceu só vivendo da política, já é o bastante para não ter credibilidade. Veja, a Justiça bloqueou cerca de 9 milhões de reais de Lula, aplicados em BrasilPrev, por suspeita de origens ilícitas. Qual o trabalhador honesto que consegue poupar na vida tal quantia?

Sobre o tríplex. No país há milhares de imóveis não registrados em nome de seus proprietários (Registro de Imóvel), por razões as mais diversas, inclusive para esconder o nome do verdadeiro titular. Acordos de gaveta e outros especiosidades, no ramo imobiliário, não é novidade. Lula é muito esperto na tentativa de enganar incautos.

Léo Pinheiro/OAS  declarou ao juiz Sérgio Moro que  Lula era o proprietário oculto do tríplex no Guarujá e que reformou o imóvel a pedido dele e de sua falecida esposa. Mas Lula, na maior cara de pau, disse ao juiz Sérgio Moro que não sabia da reforma no tríplex.

Portanto,  a confirmação da condenação de Lula por unanimidade é um aviso de que ninguém está acima da lei. 

Júlio César Cardoso – Bacharel em Direito e Servidor federal aposentado.

Balneário Camboriú/SC.

Visão Geográfica de Henry Koster sobre Mossoró em 1810

Por José Romero Araújo Cardoso

José Romero

Henry Koster era filho de um comerciante inglês radicado em Lisboa (PT), tendo nascido na capital lusitana. Devido à saúde frágil, estabeleceu-se no ano de 1809 em Pernambuco, onde se tornou senhor de engenho em Itamaracá. Falava fluentemente o português, motivo pelo qual ficou conhecido entre os nativos por Henrique da Costa. Faleceu por volta de 1820 em Recife (PE).
Em 1810 empreendeu viagem a cavalo, saindo de Recife em direção ao Ceará. A sete de dezembro, às dez horas da manhã, chegou ao pequeno arraial de Santa Luzia, o qual não passou despercebido à apurada visão do viajante inglês.
Em 1816 Koster publicou em Londres livro que compila as observações feitas durante a fantástica viagem, com título de Travels in Brazil, em dois volumes. Em 1942 Câmara Cascudo traduziu, prefaciou e comentou a obra do viajante inglês, sendo publicada pela Editora Brasiliana, de São Paulo, dando-lhe o título de Viagens ao Nordeste do Brasil.
Com relação a Mossoró, cujos registros Câmara Cascudo considerou o primeiro e melhor depoimento sociológico e etnográfico da região, Koster assinalou que na época constava duzentos ou trezentos habitantes, estando edificado em quadrângulo tendo uma igreja e pequenas casas baixas. O viajante inglês enfatizou ainda a dura labuta cotidiana dos sertanejos radicados no arraial de Santa Luzia do Mossoró, tendo que conviver com a ameaça de animais ferozes e com as secas.
No arraial de Santa Luzia, Koster reencheu garrafas de bebidas e supriu-se de tijolos de rapaduras, demonstrando que o viajante inglês estava bem adaptado à cultura local. A rapadura, obtida com o beneficiamento da cana-de-açúcar em engenhos e moagens, tornou-se um dos símbolos do Nordeste Brasileiro.
A igreja a qual Koster fez referência é a atual matriz de Santa Luzia, em cuja imediação é considerada por muitos como o marco zero do povoamento mossoroense. Com relação ao citado templo católico, encontramos na Wikipédia que: A primeira edificação no local foi uma capela fundada oficialmente no dia 5 de agosto de 1772. Na ocasião, o sargento-mor da ribeira do Mossoró, Antônio de Souza Machado, e sua mulher, Rosa Fernandes, receberam autorização para construir uma capela na fazenda Santa Luzia, de sua propriedade. Em 13 de julho de 1801, Rosa Fernandes, já viúva, doou o patrimônio da Capela de Santa Luzia, onde já eram enterrados os mortos da cidade desde 1773. Em 1830 foi feita uma reforma na capela, que recebeu uma imagem de Santa Luzia de Mossoró, em madeira, esculpida em Portugal.
Motivos históricos, como a fixação efetiva da população e a continuidade do povoamento, foram levados em conta para a fixação do marco zero ao lado da igreja matriz de Santa Luzia, pois há consenso entre àqueles que escreveram sobre Mossoró que a povoação tomou impulso histórico e geográfico a partir da construção do templo em devoção à santa italiana.
Polêmicas, no entanto, são enfatizadas com relação ao início da colonização e do povoamento de Mossoró, pois há registros bem antes de 1772, com a presença dos Carmelitas no Rio do Carmo.
Em Viagens ao Nordeste do Brasil, Koster não faz menção à existência da Missão Carmelita no rio do Carmo, talvez em razão de sua viagem não ter sido realizada contemplando efetivamente a área de fixação dos religiosos oriundos de Pernambuco, não obstante haver citação em Viagens ao Nordeste do Brasil que houve travessia do leito seco do Panema, em cujo curso encontrava-se a redução Carmelita de catequese.
Em todo relato enfatizado por Koster, constata-se inexpressiva espacialização geográfica no arraial de Santa Luzi e em áreas adjacentes, pois avançando em direção ao Ceará, na localidade Tibau, destacou existir esparsas choupanas de pescadores e cinco ou seis casinhas de palha no povoado de Areias.
A fim de dar sustentação à tese que defende o surgimento de Mossoró a partir da igreja de Santa Luzia, o escritor e historiador Geraldo Maia afirma que: O fato dos Carmelitas terem sido os primeiros habitantes da região não quer dizer que os mesmos foram os fundadores, nem tampouco que a mesma nasceu no Carmo. (…) Mossoró surgiu ao redor da Capela de Santa Luzia em 1772, erguida no pátio da fazenda do mesmo nome, nas margens do rio Mossoró, por isso ficou sendo arraial de Santa Luzia, sendo emancipada como Vila do Mossoró, em 15 de março de 1852 , através da lei número 246, e elevada ao predicamento de cidade em nove de novembro de 1870, através da Lei número 620 da mesma data, passando a ser Cidade de Mossoró como permanece até os dias atuais.
O escritor e historiador Geraldo Maia defende que se os Carmelitas realmente tivessem tido a primazia de ter fomentado a efetiva colonização e povoamento de Mossoró, a Cidade teria tomado a denominação toponímica de Nossa Senhora do Carmo, Carmópolis ou denominações parecidas.
Os escombros da antiga morada dos Carmelitas existem, visitei-os diversas vezes, motivado pelos relatos fabulosos de David Medeiros Leite, Gildosn Sousa Barreto e José Lima Dias Júnior em Os Carmelitas em Mossoró, opúsculo importantíssimo para a história local em razão que defende com plausíveis argumentos a instalação do verdadeiro marco zero do início da povoação na região do rio do Carmo.
A presença Carmelita no Rio do Carmo é fato histórico inegável, datando do início do século XVIII, setenta anos antes da construção da igreja de Santa Luzia, motivo pelo qual não se pode desprezar a contribuição inequívoca que a ordem religiosa prestou para a História mossoroense, havendo necessidade de se repensar a importância de se colocar placa alusiva ao fato histórico referente ao início do povoamento também na área em que se fixou a missão religiosa na terra dos Monxorós, pois a existência de dois marcos zeros não é algo possível para a localização histórica referente ao início da colonização e povoamento de um lugar.

FONTES CONSULTADAS:

Catedral de Santa Luzia de Mossoró. Disponível em .. Acesso em: 03 de junho de 2016.

DAVID MEDEIROS LEITE. Disponível em .. Acesso em: 09 de junho de 2016.

GASPAR, Lúcia. Henry Koster. Pesquisa Escolar Online. Fundação Joaquim Nabuco, Recife. Disponível em .. Acesso em: 20 de julho de 2016.

LEITE, David Medeiros; BARRETO, Gildson Sousa; DIAS JÚNIOR, José Lima. Os Carmelitas em Mossoró. Mossoró: Fundação Vingt-un Rosado, 2002.

MAIA, Geraldo. Assim Nasceu Mossoró. Disponível em: .. Acesso em: 05 de junho de 2016.

_______________. Henry Koster e Mossoró em 1810. Disponível em: .. Acesso em: 08 de julho de 2016.

_______________. Seriam os Carmelitas os fundadores de Mossoró? Disponível em: .. Acesso em: 09 de julho de 2016.

KOSTER, Henry. Viagens ao Nordeste do Brasil. 12ª edição. Tradução, prefácio e comentários de Luís da Câmara Cascudo. Rio – São Paulo – Fortaleza: ABC Editora, 2003. V. 01.

___________. Viagens ao Nordeste do Brasil. 12ª edição. Tradução, prefácio e comentários de Luís da Câmara Cascudo. Rio – São Paulo – Fortaleza: ABC Editora, 2003. V. 02.
ROSADO, Vingt-un. Koster volta a Mossoró. Mossoró: Fundação Vingt-un Rosado, 1998 (Série C, Coleção Mossoroense, V. 990).

______________. Mossoró. Mossoró: Fundação Vingt-un Rosado, 2006 (Série C, Coleção Mossoroense, V. 1521).

José Romero Araújo Cardoso. Geógrafo. Escritor. Professor-Adjunto do Departamento de Geografia (DGE) da Faculdade de Filosofia e Ciências Sociais (FAFIC) da Universidade do Estado do Rio Grande do Norte (UERN). Membro do ICOP (Instituto Cultural do Oeste Potiguar), SBEC (Sociedade Brasileira de Estudos do Cangaço) e da ASCRIM (Associação dos Escritores Mossoroenses). Diretor de Acervos da ASCRIM (Associação dos Escritores Mossoroenses) (Biênio 2017-2018).

O Brasil pós-militares – Júlio César Cardoso

Ninguém de sã consciência deseja ser governado por militares.  Não obstante, no período em que o Brasil esteve sob a sua batuta, tivemos paz social, desenvolvimento, quase inexistia traficante, os nossos lares, as igrejas e as demais instituições não eram gradeadas e podíamos ir e vir sem ser molestados pela bandidagem solta. Apenas os subversivos comunistas e correlatos se deram mal com os militares, pois desejavam transforma esta República em célula comunista ou bolivariana.

 

Pois bem, o país pós-militares se transformou em uma nação de políticos  corruptos irremediáveis, respeitadas algumas exceções,  que assaltaram e continuam a assaltar a nação,  depauperando os cofres públicos, de todas as formas, cujos recursos pilhados formam ou  engordam  a fortuna ilícita de muitos políticos indecorosos, hoje, grande parte deles, encalacrados na Lava-Jato: Lula, Temer, Aécio, Collor, Renan, Jucá, Gleisi, Lobão, Palocci etc. Sem esquecer de que a ex-presidente cassada, Dilma Rousseff, de administração desastrada, concorreu para o prejuízo da Petrobras.

 

Entra governo e sai governo pelos critérios democráticos, mas os graves problemas sociais e políticos continuam  da mesma forma. Por exemplo, a necessária ampla reforma política – para o Brasil se desenvolver e corrigir as mazelas como o voto obrigatório, a reeleição geral, a redução de partidos e do inchado e inoperante Congresso Nacional, a introdução da candidatura avulsa sem vinculação partidária, a instituição do voto distrital puro etc. – não saí ou é fatiada ao sabor dos interesses políticos.
 

Assim, sem outra intervenção militar para pôr a casa em ordem por um tempo, o Brasil continuará a trilhar os descaminhas da imoralidade. A coisa aqui está tão preta que Lula, já condenado, desafia, com a sua tropa de choque,  descaradamente a Justiça e afronta o juiz Sérgio Moro. Por outro lado, o ministro do STF, Gilmar Mendes, age de forma política e incomum para livrar da cadeia elementos inescrupulosos sentenciados por juízes de instância inferior.

 

Júlio César Cardoso – Bacharel em Direito e servidor federal aposentado.

 

 

Azevedo H. Cartaxo – Crise entre OAB e o Judiciário? O problema não é esse…

Por Azevêdo Hamilton Cartaxo, Juiz de Direito, TJRN.

 

A OAB, preocupada com a crise, sugere que Judiciário deixe de pagar auxílio-moradia, alimentação e saúde. A Ordem, que com muita honra integrei, vem silenciando nas lutas da magistratura pelo simples direito de receber a reposição da inflação, como prevê a Constituição.
Em resposta, um Juiz contra sugere que Advogados também dêem sua parcela de contribuição, suspendendo o pagamento de honorários advocatícios sucumbenciais que tenham a receber do Estado. A solidariedade deve vir de todos.

A OAB rebate a crítica e afirma que honorários que advogados recebem do Estado não saem dos cofres públicos (!?), que não são “penduricalhos” etc.

E por aí vai…

Enquanto isso, os holofotes se desviam do real problema e alguns acham isso bom.

Desde o começo do ano circulou a informação de que faltaria no orçamento mais de de R$ 1 BILHÃO. Diante disso, o MP, Legislativo, TCE e TJ/RN REDUZIRAM seus gastos e já fizeram o que a OAB pede no seu manifesto. Segundo foi informado pelo Jornal Tribuna do Norte em 24.09.2017, o Executivo, além de não reduzir gastos, AUMENTOU sua despesa em 2,82%.

De acordo com Nota do TCE, existe “Auditoria apontando que o atraso de salários do Poder Executivo do Estado foi resultado do crescimento expressivo das despesas com pessoal e de uma série de impropriedades e irregularidades no planejamento e execução orçamentária.” Portanto, é falsa a transferência de responsabilidade pela crise aos demais Poderes.

Ainda assim, o Poder Judiciário, — solidário com a sociedade que não tem culpa da má gestão, —- cortou seus gastos e adiou despesas, disponibilizando dinheiro para o Executivo. Foram R$ 238 Milhões em 2017 em verbas previstas para o orçamento deste ano que foram renunciadas ou parceladas para os três anos seguintes. Além disso, cabe lembrar que R$ 20 milhões transferidos pelo TJ para o Executivo para construção de presídios em dezembro de 2016 até agora não foram investidos.

O Poder Judiciário vem contribuindo em tudo que pode e reduziu consideravelmente gastos e investimentos. O limite da ajuda é a Responsabilidade Fiscal do próprio Judiciário e a preservação dos serviços prestados à população, inclusive no julgamento de ações criminais e de garantia do direito à saúde. Já basta à sociedade do RN um Poder em crise, não precisamos de outro para aumentar nossos problemas.

O “X” da questão é que o Executivo tem um déficit mensal de pelo menos R$ 90 milhões, como declarou o Secretário Cristiano Feitosa à imprensa. Mesmo pelos seus dados conservadores, é um buraco fiscal no Executivo de quase R$ 1,2 BI ao ano!

Uma vez que é assim e que o Judiciário fez e faz a sua parte, já é tempo de desmascarar esse discurso de que “a culpa é dos outros”.

Creio que a OAB, entidade que tem consciência crítica, estará focada no real problema do Estado do RN. Certamente não é o seu Poder Judiciário.

PT e engenheiros da Petrobras criticam acordo de indenizações a investidores – Júlio César Cardoso

 

A Associação dos Engenheiros da Petrobras (Aepet) divulgou nota nesta sexta-feira (5) criticando o acordo proposto pela Petrobras para encerrar ação coletiva que tramita na corte de Nova York, nos Estados Unidos. A estatal propôs pagar US$ 3 bilhões (cerca de R$ 10 bilhões) para ressarcir acionistas estrangeiros e finalizar o processo. Fonte: Congresso em Foco.

Que moral tem o PT e entidade correligionária de criticarem o acordo da Petrobras, para pagar indenizações de investidores estrangeiros, por falcatruas operadas pelo governo petista na petroleira?

Já estamos cansados de ouvir o  discurso de políticos petistas e de sindicalistas retrógrados, os mesmos que afundaram a estatal e quase levaram o país à bancarrota. Essa bandeira de falsos nacionalistas já está rota e bastante manjada.

Agora, de tendência vertiginosamente petista, bota a boca no trombone a Associação de Engenheiros da Petrobras, condenando o acordo.  Só que ninguém viu, anteriormente, manifestação alguma desse  grupelho de engenheiros acerca da roubalheira da quadrilha na Petrobras. E se a ação processual prosseguir, qual será o valor da indenização? Seria muita burrice dar murro em ponta de faca, pois inexoravelmente é fato que a Petrobras será condenada.

Júlio César Cardoso – Bacharel em Direito e servidor federal aposentado.