quinta-feira , 27 de julho de 2017
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Tristeza não tem fim, felicidade sim? – Márcio Costa

Era um fim de tarde de mais um dia de trabalho num escritório encravado na cidade de Pau dos Ferros, interior do Rio Grande do Norte, num ano do início da era 2000, quando recebi pelo MSN, antigo meio de comunicação via internet, aquela tão fadada pergunta que antecede uma má notícia: “Você soube de Vovô?”

Eu me preparava para enviar minhas noticias como correspondente do Alto Oeste para mais uma edição do jornal O Mossoroense, e diante da frase não pensei duas vezes: “Luciano, arrume as coisas, vamos embora para Mossoró. Vovô morreu”.

Luciano Lellys, fotógrafo do jornal que me acompanhava, astuto observador de cenas de crime, e casos insolúveis, detentor de uma veia nata de investigador, fez valer a lógica e conteve minha reação impulsiva.

“Pergunte o que aconteceu”.

O choque imediato causado pela frase do jornalista que ocupava a redação em Mossoró impediu de fazer o básico. Confirmar a notícia. “O que houve com Vovô?” Distante 145 quilômetros, e sem saber o alvoroço que estava causando, o jornalista complementou seu pensamento em tom de euforia. “Vovô apelidou a nova jornalista”.

Numa mistura de alívio e ira, era inevitável não externar insatisfação com o episódio, mas de sorriso aberto surgiu um pensamento natural de satisfação. Ele não partiu.

O Vovô em questão não era pai da minha mãe, muito menos do meu pai. Na verdade, apesar de ser conhecido por apelidar quem aparecesse a sua volta, nunca soube ao certo por que Cosme da Rocha Freire, era conhecido por Vovô, se na época ao menos neto tinha, e sua inocência na maioria das vezes se assemelhava a de um bebê.

Ao chegar em Mossoró contei este episódio em tom de amenidade e de pronto fui revidado. “Sai pra lá HP. Ainda está muito longe de eu morrer”. HP era o apelido dado a mim, usado meses a fio sem que soubesse ao menos a origem. Não lembro de ter escutado ele falar meu nome uma única vez, mas lembro o dia em que explicou a definição do meu apelido.

HP era a abreviação invertida de Padre Huberto, o Monsenhor Huberto Bruening, catarinense que dedicou sua vida como missionário em Mossoró. Quando decidira colocar este apelido, Vovô não imaginava que durante minha adolescência, e juventude, por diversas vezes fui indagado sobre minhas relações com a igreja católica. “Você é padre?”. Se não significa nada, significa ao menos que a percepção de Vovô estava dentro da média.

Trabalhar com jornalismo nunca foi fácil. A pressão pela busca das notícias, as retaliações, ameaças e risco iminente, acabam tornando a vida de um jornalista um cenário de constante tensão, geralmente recompensado pelas histórias e experiências que se acumulam.

Conhecer Vovô foi sem dúvida uma das melhores experiências em meus 18 anos de jornal O Mossoroense. Foi através dele, o guardião do arquivo, e arquivo vivo do terceiro jornal mais antigo do País, que descobríamos a cada dia uma nova particularidade sobre a forma de se fazer jornalismo ao longo de tantas décadas, num cenário de constantes mudanças tecnológicas e sociais.

No último dia 2 de maio, ao chegar na redação do jornal O Mossoroense me deparei com a informação de que ele tinha sofrido um AVC e estava hospitalizado. Imediatamente liguei para uma de suas filhas, e após colher as informações básicas, me prontifiquei a ajudar da forma que fosse necessário. Era o mínimo a se fazer num momento onde a união de forças poderia salvar alguém tão especial.

Poucos dias antes, ele havia entrado na redação do jornal onde trabalhou por mais de 40 anos, e durante cerca de 30 minutos, colocou os assuntos em dia comigo, e outros funcionários remanescentes, com a mesma alegria de sempre, e um olhar de saudades que não conseguia esconder.

“Está na hora de acabar com estas férias e voltar a trabalhar”, disse antes dele voltar para o aconchego do lar, seu novo escritório desde a aposentadoria em 2012. Como imaginar que aquela seria a última visita num local onde era recebido como ídolo, mito e com salva de palmas? Como imaginar que aquele seria nosso último contato?

Acompanhei a evolução do quadro de saúde dele pelo telefone e de forma surpreendente sua evolução foi gradativa e rápida. Na última quinta-feira, recebi a informação de que ele receberia alta nesta sexta-feira e me preparei para visita-lo no sábado.

Com minha mãe já falecida, aprendi que visita em hospital pode ser um fator de estimulo para melhora, mas as vezes pode deixar um sentimento de frustração, impotência, um sabor as vezes amargo, e desde então evito contato com pessoas nestas condições. Por que não esperar até sua alta prevista?

Não deu. Acordei na sexta-feira com a informação de que nosso último contato estaria resumido à sua última visita a redação do jornal O Mossoroense. Vovô deixou o hospital na manhã da sexta-feira como previsto, mas ao chegar em casa, possivelmente emocionado por conseguir voltar para o convívio da sua família, foi vítima de um novo AVC.

Mesmo sem ter a intenção, não partiu sem antes voltar e motivar novos sorrisos de conforto antes da partida em definitivo.

Como não me sentir culpado? Não gosto de velórios nem de sepultamentos. Mas não podia deixar de me despedir do amigo Vovô. Na noite desta sexta-feira me dirigi ao Centro de Velório e sem falar com nenhum familiar fui direto ao local onde estava serenamente acomodado.

Seu semblante vendia paz a um preço que não há como se pagar. Foram segundos marcados pela mistura de memórias enoveladas e ao mesmo tempo tão sóbrias. Impossível segurar as lágrimas.

De repente escuto una voz. “Você é Márcio Costa: Obrigado por tudo. Ele gostava muito de você”. Levantei os olhos envoltos em lágrimas. Era Kaline, a filha com quem eu mantinha contato em busca de informações.

Não lembro o que falei, nem poderia, mas em poucos segundos surgiu sua outra filha, Kaliane. Fui confortado pelo abraço de uma pessoa que na verdade deveria está sendo confortada. Passamos a conversar sobre os últimos dias e sobre a trajetória dele no jornal.

Em poucos minutos o ambiente ganhava o contorno com a semelhança de Vovô. Ali, diante de sua presença, filhos e de sua esposa, começaram a surgir algumas risadas espontâneas de momentos proporcionados pela sua alegria inconfundível.

“Ele apelidou todo mundo no hospital. Deixou sua última mensagem em código para uma tia que acabou de aposentar, algo relacionado a um mapa. Creio que seja de pagamento. Ele pediu pra levar um rádio. O hospital autorizou e levamos. Ele ouviu todos os dias antes de voltar pra casa”, destacou Kaliane, uma de suas filhas.

E por falar em rádio, esta era uma de suas grandes paixões. Sempre relatava suas noites antenadas na Rádio Globo do Rio, divididas com o radialista Ataulfo Alves. E desta relação surgiu aquele que poderia ser seu hino de vida.

Quem conviveu com Vovô dificilmente não o viu cantarolar por diversas vezes o refrão da música “A Felicidade” de Vinicius de Morais.

“Tristeza não tem fim. Felicidade sim”.

Quando o poetinha escreveu A Felicidade, jamais poderia imaginar que o sentido de uma das mais belas canções da Bossa Nova viesse a ser colocado a prova com a mesma antítese de sua origem, por uma figura folclórica nascida numa tórrida cidade do sertão nordestino.

Nos últimos 18 anos, corriqueiramente me deparei com o refrão da música que há décadas faz sucesso nos quatro cantos do País e confesso que fora a repetição do refrão jamais tinha parado para avaliar as demais partes da música.

Adotei-a como trilha sonora para escrever este texto de despedida, e tive a certeza de que a partir de um momento normalmente marcado pela tristeza que parece sem fim, a afirmação de Vinicius de Morais passa a contar com uma pequena adaptação, mas que representa muito.

“Tristeza não tem fim…

…Felicidade sim?”

Sua partida mostra que a fatídica previsão de que a felicidade tem fim, pode sim figurar como uma dúvida a ser respondida com o tempo.

Que Deus conforte sua família, e que com o decorrer do tempo todos possam ter a certeza de que sua memória estará sempre ligada a uma felicidade eterna e sem fim, construída ao longo das histórias, e estórias, vividas e contadas no decorrer de toda a sua vida.

Vá com Deus amigo Vovô. Até um dia.

A importância das Micro e Pequenas Empresas no Desenvolvimento

Em um ano de crise, muito tem se falado nas possíveis saídas para o embaraço econômico que passamos. Ao analisar os números do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (CAGED), vê-se que nos últimos anos temos tido mais demissões do que admissões. Já são mais de 13,5 milhões de brasileiros sem um emprego formal.

Interessante perceber que quando comparamos a geração de empregos entre as micro e pequenas empresas, empresas de pequenos porte e nas empresas maiores, o saldo da geração de emprego só é positiva entre as menores. Isso significa dizer que na base da pirâmide, as micro e pequenas têm gerado mais do que demitido.

Outro ponto importante que vale à pena ser ressaltado é que isso mostra também um número considerável de novas empresas sendo formalizadas, gerando, além do emprego, mais receita para os municípios, estados e para a União. Com a nova Lei da Terceirização esse número deve aumentar ainda mais no País como um todo através dos CNPJ de Micro Empreendedor Individual (MEI).

Microempreendedor Individual (MEI) pode ter faturamento até R$ 60.000/ano, as Microempresas (ME) têm faturamento de até R$ 360.000 e as Empresas de Pequeno Porte têm faturamento de até R$ 3,6 milhões/ano. Elas têm, graças à Lei Geral da Micro e Pequenas Empresa, um regime tributário diferenciado e representam um total de 94,3% das empresas abertas no País e empregam 85% da mão de obra formal.

Além da Lei Geral, é importante que as MPEs recebam também um acompanhamento especial, que tenham atenção dos governos. O Desenvolvimento não pode ser negligenciado e precisa ser encarado como prioridade. Ao avaliar a quantidade dos empreendedores individuais ano a ano, percebe-se que há um crescimento exponencial.

Em 2008, dois anos após a instituição da Lei Geral, Mossoró tinha 68 MEIs, representando 1% das empresas ativas. Hoje são mais de 8.000 e representam 41%. O número de Microempresas não aumentou muito em números absolutos, mas diminuiu violentamente sua representatividade. Em 2008 eram 4.380 microempresas e representavam 64% do total, hoje são 5.685 e representam 29% das empresas funcionando em Mossoró.

Na série histórica, percebe-se que na medida em que sobe a representatividade das MEIs, diminui-se a das MEs. São pessoas iniciando seus próprios empreendimentos, outras formalizando seus pequenos negócios. O apoio através da qualificação e do acompanhamento é imprescindível.

Algumas universidades têm projetos de incubadoras de empresas. Umas voltadas apenas para empresas iniciadas pelo público interno, outras são abertas para a comunidade. Iniciamos desde o começo do ano rodadas de conversas com as instituições no intuito de ampliar e fortalecer estes projetos. A intenção é servir de polo de união entre empreendedores, academia e Poder Público.

Paralelo a isso, a Prefeitura de Mossoró e o Sebrae vão formalizar um convênio para qualificar aqueles que já têm e também os que desejam iniciar um negócio. A expectativa é de que possamos fortalecer a geração de emprego e renda também através dos micro e pequenos empreendedores.

A reação de Lula – Júlio César Cardoso

A reação de LULA à revelação do ex-diretor da Petrobras, Renato Duque, de que o ex-presidente  lhe deu orientação a apagar vestígio de conta em banco na Suíça  é uma demonstração de quem se vê, cada vez mais, desmascarado em seus próprios círculos corruptos de amizades.

Se existem idiotas –  que acreditam na inocência de Lula -, eles só podem estar no covil do PT. É impossível que todos os delatores da Lava-Jato estejam mentindo. A verdade é que os fatos convergem para um só lugar: a prática corrupta de Lula é uma verdade inequívoca.

Nenhum político sério e honesto enriquece na vida pública. Por exemplo: Sarney, Lula, Renan e outros biltres solertes, que usam a esperteza criminosa de agir para se locupletar na política, deveriam ser sentenciados com a perda dos direitos políticos para sempre e mantidos na cadeia por muito tempo, sem direito a nenhum benefício.

Se não fosse a Lava-Jato, pós-mensalão, para escancarar a podridão política, nada se ficaria sabendo no submundo putrefato da política nacional. E justiça seja feita ao denodado juiz Sérgio Moro, que  não teve medo de mandar para a cadeia – e anda mandará mais – elementos políticos e não políticos, componentes da macrodelinquência que tomava conta do Brasil.

E a ODEBRECHT, OAS etc. estão aí para desnudar os larápios de colarinhos brancos, que roubavam há muito tempo a esperança de brasileiros pobres, como Paulo Bernardo, ex-ministro dos governos Lula e Dilma, oportunista que pouco trabalhou no Banco do Brasil,  e esposo da também indiciada senadora Gleisi Hoffman (PT-PR), escudeira empedernida de Lula e do PT.

Lula é um impostor que soube inebriar a ala  intelectual petista. Mas não conseguirá enganar o juiz Sérgio Moro. Todas  as delações premiadas levam ao Lula.

Lula é o proprietário oculto de todo o seu patrimônio. Era alimentado financeiramente com dinheiro ilícito do propinoduto contabilizado na ODEBRECHT e OAS. O dinheiro volumoso recebido das “palestras” dadas no exterior era a forma especiosa de a ODEBRECHT remunerar o ex-presidente pelas facilidades que  seu governo concedia à empreiteira. O sítio e cobertura não estão oficialmente em seu nome, mas pertencem ao Lula, conforme declaração inquestionável das empreiteiras.

É evidente que não é só o Lula que merece ser penalizado, mas todos aqueles envolvidos na Lava-Jato, como os arrolados na lista de Fachin, respeitado o devido processo legal: Temer, Serra, Renan, Eunício Oliveira, Jucá, Collor, Lobão, Moreira Franco, Eliseu Padilha, Aécio, Dilma, Gleisi, Lindbergh e outros saltimbancos travestidos de políticos.

O Brasil precisa exorcizar todos os componentes corruptos da República da Odebrecht e pô-los na cadeia.

Júlio César Cardoso – Bacharel em Direito e servidor federal aposentado

Balneário Camboriú-SC

Paiva Netto – O Democrata Divino

Jesus é o Democrata Celeste, a divina liderança das Almas livres.

Aprendemos que Deus concede ao ser humano a liberdade na condução de sua própria vida. Todavia, o Criador não é inconsequente. Ele abaliza essa mesma liberdade com leis recíprocas, que promovem o equilíbrio. No caso, a Lei de Causa e Efeito. Plantou-se, colhe-se! O Bem ou o mal. Por isso mesmo, há décadas, defini a Democracia como o regime da responsabilidade. Portanto, jamais deve ser confundida com caos.

Rui Barbosa (1849-1923), destacado jurista, jornalista, diplomata e político brasileiro, na sua belíssima “Oração aos moços”, escreveu: “A regra da igualdade não consiste senão em quinhoar desigualmente aos desiguais, na medida em que se desigualam”.

É evidente que isso não se trata de um pensamento de Al Capone (1899-1947), porque, assim, eu não o colocaria nesta reflexão, dedicada à Fraternidade Ecumênica.

Rui não se refere aqui ao uso da exclusão, que é violência, pois tinha conhecimento de que desumanidade resulta em desumanidade. E o notável “Águia de Haia”, anteriormente em seu discurso proferido no dia 15 de janeiro de 1910, no Teatro Politeama Baiano (Salvador/BA), a certa
altura declarara: “Deus não recusa a liberdade aos Seus próprios negadores. Mas, por isso mesmo, no fundo mais inviolável de toda a liberdade está Deus, a sua garantia suprema”.

Jesus exorta em todos nós o exercício da Fraternidade Ecumênica ao nos deixar o Seu Mandamento Novo, a Suprema Ordem do Cristo (Evangelho, segundo João, 13:34 e 35) — “Amai-vos uns aos outros como Eu vos amei. Somente assim podereis ser reconhecidos como meus discípulos” —, porque sem esse sumo sentido de verdadeira Justiça, de Solidariedade e de Generosidade a Liberdade se torna condenação ao caos. Ele também admoesta: “Quando o Filho de Deus voltar sobre as nuvens com os Seus Santos Anjos, dará a cada um de acordo com as próprias obras de cada um” (Evangelho, segundo Mateus, 16:27).

José de Paiva Netto ― Jornalista, radialista e escritor. Contato: [email protected] — www.boavontade.com 

Insegurança: a inimiga dos grandes desafios – Charles Peterson Rezende

É comum se sentir inseguro perante mudanças e desafios, em especial, diante de alguma prova ou concurso importante. A falta de autoconfiança pode ser a pior inimiga para o êxito. Aquela dúvida constante: “Será que eu vou conseguir?”. Os pensamentos negativos: “É muito difícil”. E até mesmo a autodepreciação: “Não vou conseguir porque tem gente melhor que eu”. Esses pensamentos acabam se transformando em um ciclo vicioso, que sempre impedem de seguir adiante e obter sucesso.

O Professor de Técnicas de Estudo e especialista em concursos públicos, Charles Peterson, conta que acreditar em si próprio é o primeiro passo para a realização. Ele confessa que é procurado diariamente por seus alunos por conta da falta de autoconfiança. “É uma matemática simples: a baixa de autoconfiança se torna autodestrutiva, negativa. E quando nos tornamos confiantes, acreditamos em nós mesmos, em nossas habilidades, nos tornamos positivos. Nós sabotamos nossa autoconfiança e temos medo de confiar em nós mesmos. Mas a autoconfiança pode ser trabalhada, construída e consolidada. É um esforço que vale a pena, pois faz toda a diferença na vida”, explica o professor.

O especialista revela uma abordagem que utiliza frequentemente com seus alunos. Charles pergunta se essa insegurança é apenas em relação à prova ou concurso, ou também funciona assim em outras áreas da vida. Geralmente a resposta mais comum é que a insegurança está presente em diversas áreas. No que isso tudo tem valor? Charles explica. “Eles relatam que essa insegurança em iniciar a jornada de estudar para um concurso público existe porque é algo desconhecido no início. É como dirigir um carro: no início a insegurança reina. Mas com o tempo as coisas mudam”, explica Charles, que acrescenta, “A confiança vai crescendo gradualmente, à medida que o indivíduo enxerga que é capaz, que aquilo pode dar certo, aos poucos se torna natural e conquista a confiança no que antes temia”.

Essa analogia se encaixa perfeitamente no processo de conquistar ou aumentar a autoconfiança para qualquer desafio. “A segurança vem com a prática, com a tentativa, o erro e com a preparação. A pergunta que deve ser feita é: Como eu posso confirmar que estou dominando tal situação? É por meio de provas? Testes? Então é exatamente nesse ponto que é importante dedicar a sua atenção”, aconselha o professor. Charles ainda acrescenta que, dominando a situação, você se torna autoconfiante.

A eficácia e a autoestima são fatores que contribuem para o aumento da autoconfiança.

“A eficácia é justamente a capacidade de gerar resultados, por meio de ações concretas.

Essa habilidade só é aprendida quando trabalhamos duro nesse desafio, até conseguirmos. E a autoestima, fundamental em todos os aspectos, está em valorizar e confiar em si próprio, acreditando na própria capacidade”, relata o especialista.

Charles ainda conta que aconselha sempre seus alunos a registrarem o que já alcançaram e também o que é importante para eles, ou seja, onde eles pretendem chegar. Botar as metas e os passos já conquistados no papel trás, além de confiança, motivação. Ele também ressalta a importância de saber seus pontos fortes e explorá-los.  “Para muitos pode ser difícil encontrar pontos fortes, porém tente até conseguir, porque isso está diretamente ligado com o fortalecimento da sua autoestima”, conclui o especialista.

A prática, a tentativa, refazer aquilo que te demonstra estar conseguindo sucesso, pouco a pouco, traz a segurança necessária.

Charles Peterson Rezende – Professor Empreendedor

www.charlespeterson.com.br

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Passagem do Pedro – São Sebastião – Sebastianópolis – Governador Dix-sept Rosado: Meu relicário sagrado – José Romero Araújo Cardoso

Indubitavelmente, há nítida ênfase em minha subjetividade à topofilia definida pelo geógrafo Yi-Fu-Tuan, quando lembro de assuntos pertinentes ao despertar de identidade com a geografia humana do município norte-riograndense de Governador Dix-sept Rosado.

A fixação em minha memória da preparação dos plantios de alho e cebola às margens do rio Apodi-Mossoró, onde João Cruz possuía propriedade encravada entre as supracitadas glebas rurais, é imagem contida em minhas reminiscências de infância que o tempo não apaga.

O alho teve importância econômica de destaque em Governador Dix-sept Rosado. Quando das colheitas, as estruturas do espaço urbano do município transformavam-se literalmente em locais de exposição de um dos principais produtos cultivados no lugar. Milhares de tranças de alho e cebola ficavam expostas aguardando compradores que não tardavam em aparecer.

A Festa do Alho era bastante concorrida, culminando na coroação de uma rainha. Certamente nos dias de hoje apenas os mais velhos guardam as recordações de uma época marcada pelos festejos que assinalavam boas colheitas que resultavam em interessante poder aquisitivo para àquelas pessoas que se dedicavam ao artesanal feitio dos terraços com a areia do escoamento fluvial, destinados ao plantio de alho e cebola, o qual muitas vezes era consorciado com o cultivo de batata-doce.

O velho trem que foi sonho de Ulrick Graf transportava alho e cebola para todos os recantos onde passava a linha férrea. A qualidade dos produtos fazia com que fossem disputados por exigentes consumidores espalhados pelo país.

Não alcancei o pleno funcionamento da extração de gipsita nas vossorocas da Espadilha ou pedreira, como era mais conhecida a região que abrigou a maior mina de gesso da América Latina, mas guardei na memória as histórias que Severino Cruz Cardoso me contava sobre o cotidiano da área de extrativismo onde a maioria das pessoas que lá residiam tratavam-se carinhosamente por primos, tendo em vista a origem comum destas através de vínculo genealógico com o português Jerônimo Ribeiro Rosado.

Nessa época, conforme relato de diversos moradores da pedreira, era comum encontrar-se na caatinga grande quantidade de emas, bem como porcos-do-mato. Infelizmente essas espécies estão extintas devido à caça predatória e ao desmatamento intenso.

Recordações daqueles tempos são profusas na memória de Raimundinho de tio Jerônimo Rosado Bandeira, pois ele viveu intensamente momentos gloriosos que marcaram profundamente as vidas dos habitantes da verdadeira comunidade familiar erguida sob a égide das tradições e dos valores da paraibanidade marcante que permeou a edificação dos elos de identidade, sobretudo àqueles referentes a Pombal (PB) e a Catolé do Rocha (PB).

A caprino-ovinocultura é uma atividade pecuária tradicional em Governador Dix-sept Rosado. Tenho profunda gratidão a um eminente e respeitado cidadão de nome Fausto Martins, de saudosa memória, pois certa vez fez questão de separar diversas cabeças de criação de pequeno porte visando custear no futuro algo que precisasse em meus estudos.

Nunca esqueci o sabor das groselhas cultivadas no quintal da residência do casal Nô Rosado Bandeira-Penha Formiga. A casa de Dona Santa Formiga, nora dos simpáticos pombalenses, sempre foi referência no que tange às visitas, tendo em vista o grau de amizade que sempre foi reverenciado, fruto da convivência e da afinidade do esposo José Formiga com Severino Cruz Cardoso.

Participei de várias e inesquecíveis Festas de São Sebastião. A residência de Lourenço Menandro Cruz localizava-se próxima à igreja dedicada ao santo católico martirizado em razão de sua conversão ao cristianismo. Em sentido diagonal, estava a morada de outro paraibano conhecido por Pedro do Alecrim, amigo de longas datas de toda família, onde sempre tive livre trânsito.

No mercado, parada obrigatória a fim de colocar a conversa em dia, era praxe cumprimentar Leôncio Carlos, de saudosa memória, bem como Fernando aleijado, pois ambos foram amigos de longas datas de Severino Cruz Cardoso. A panelada preparada por Necí tornou o principal espaço de comercialização Dix-septiense uma referência para todos que cultuam as tradições da culinária sertaneja.

A prosa de Chico Bacatela, homem de caráter, justo e honesto, sempre foi admirada por todos que o conhecem, pois em verdade esse grande sertanejo é um verdadeiro repositório da história do lugar.

Sintetizo a importância de Governador Dix-sept Rosado em minha vida através da definição de que o lugar personifica relicário sagrado onde estão contidas lembranças marcantes de momentos felizes ali vividos dos quais nunca hei de esquecer.

(*) José Romero Araújo Cardoso. Geógrafo. Professor-adjunto da UERN.

 

Redes sociais: o potencial dos dados ofertados de graça pelo consumidor – Por Daniel Galvão

O ser humano é uma criatura social. Isso quer dizer que, em maior ou menor escala, gostamos de compartilhar experiências e até mesmo a nossa vida com outras pessoas. Pode ser apenas com um pequeno círculo ou com qualquer um, depende do nível, da informação e da relação de intimidade de cada um.

Dito isso, é possível considerar que coisas simples como a satisfação com um serviço ou produto, hábitos e gostos ligados ao consumo, assim como preferências e afinidades sejam coisas compartilhadas entre amigos e conhecidos sem grandes problemas. Isso porque prezamos por alertar e recomendar situações em que fomos menos ou mais felizes.

No contexto do marketing essas informações são valiosíssimas. Elas traçam o perfil de consumo de uma pessoa e inclusive as influências de consumo sofridas por ela. O melhor de tudo é que os próprios consumidores ofertam essas informações de graça, partindo do seu próprio hábito de compartilhar o que pensam.

Há um enorme potencial comercial envolvido para as empresas, já que as informações são confiáveis, gratuitas e ligadas a um grupo específico que, muitas vezes, tem os mesmos hábitos de consumo. É possível ser estratégico no marketing de forma digital para aquele grupo e ter resultados quase garantidos.

As redes sociais montaram seus impérios em cima disso. Eles vendem a compilação e análise desses dados primários e cabe às empresas, auxiliadas por especialistas, atingir seu público da maneira mais inteligente possível. Não adianta só criar uma campanha e direcioná-la a um grupo que apresenta tendência de consumo a seu produto.

Ninguém quer ser interrompido por banners ou vídeos cansativos. É preciso ter apelo emocional. Não basta falar das vantagens de seu site agregador de um conteúdo X e de como ele facilita sua busca pelo mesmo produto Y, de cinco em cinco minutos em todo comercial ou vídeo de anúncio. É preciso conversar com o usuário e as deixas estão lá, ele já nutriu sua empresa com dados, é preciso apenas saber como usá-los.

Hoje em dia não é mais um anúncio por si só que vende os produtos. A própria TV já perde espaço no quesito de eficiência em suas propagandas. Isso porque elas são pensadas de forma muito genérica. Seus comerciais entram em rota de colisão com o futuro do consumo de vídeo, que está nos celulares e computadores. Atualmente, se impacta muito mais, com um público muito mais filtrado, através da internet.

Dizer o que o consumidor tem que comprar já não é o que funciona. Por anos se pensou na publicidade e no marketing como a arte de dizer o que as pessoas querem, mesmo que não queiram, porém isso simplesmente cansou a mente do consumidor, o tornou cético, pouco receptivo e, muitas vezes, contrários ao trabalho de algumas marcas, transformando-as em chatas e irritantes.

A publicidade com uma boa estratégia de marketing é a arte de dizer ao consumidor que se tem o que ele precisa no momento exato em que ele está precisando. Casar o consumo de informação com o que se tem a vender, se utilizando dos dados estrategicamente gerados pelas redes sociais é aquilo traz os melhores resultados.

É importante ofertar algo, a informação, o conteúdo, isso é o que conquista a atenção. Claro que uma promoção bem encaixada tem espaço aqui, mas é preciso chamar a atenção com algo de valor, não só querer vender. Além disso, é preciso se relacionar com o cliente.

Ele quer se sentir exclusivo, quer ser tratado de forma atenciosa e única. Ele não pode sentir que é um número. As informações cedidas via redes sociais tem um fator crucial aqui. Elas permitem essa “exclusividade”, uma personalização do atendimento e da oferta.

As empresas que trabalham com marketing digital, hoje, na verdade vendem essa inteligência, a lida com esses dados e a criação de um caminho confiável de resultado. É preciso considerar isso para se aproveitar bem o potencial da informação gratuita que está na internet. As redes sociais não funcionam sozinhas, como em tudo no marketing, é a estratégia que conta no fim. O futuro está em ouvir o que o cliente tem a dizer e, com isso, dialogar com ele.

Daniel Galvão é especialista em marketing digital e Diretor da CRP Mango.

Paiva Netto – Todo dia é dia de Índio

Os registros históricos relatam que, no I Congresso Indigenista Interamericano, ocorrido no México, em 1940, representantes de diversos países convidaram os índios a se sentarem à mesa para o debate cujo tema central era a própria situação deles no continente americano. A princípio, os protagonistas do evento, receosos, não compareceram. Porém, no dia 19 de abril, numa demonstração de cordialidade, aceitaram participar do acontecimento. Por isso, nessa data foi instituído o Dia do Índio. O objetivo principal era o de exigir dos governos a criação de políticas que salvaguardassem a cultura e a qualidade de vida dos povos indígenas. No Brasil, em 2 de junho de 1943, o presidente Getúlio Vargas (1883-1954) assinou o decreto de lei no5.540, determinando que no país aquela data também fosse dedicada ao índio.

Ao longo do tempo, apesar dos esforços de garantir a eles o direito de viver em suas terras com dignidade, há muito o que fazer ainda. Eles são merecedores do maior respeito. Os versos do entusiasta Jorge Ben Jor, na composição em parceria com o saudoso Tim Maia (1942-1998) e imortalizados na voz de Baby do Brasil cá na Terra Brasilis, valem nossa reflexão: “(…) Pois todo dia, toda hora, era dia de índio/ Mas agora eles só têm um dia / O dia dezenove de abril (…)”.

Sepé-Tiaraju

A história de nosso povo e de sua luta por tornar o país soberano tem, na atuação dos índios, capítulo dos mais relevantes. Grandes guerreiros o grafaram com as tintas da coragem e do amor ao torrão natal. Um deles, Sepé-Tiaraju, guarani de São Miguel das Missões, teve seu nome inscrito em 18/4/2006, pelo Senado Federal, no Livro dos Heróis da Pátria. A honrosa distinção partiu de um projeto do senador pelo Rio Grande do Sul dr. Paulo Paim.

O Brasil que desejamos ver progredir, nunca deixando de lado seu natural espírito solidário e fraterno, é composto também por decididas Almas, como a de um Sepé-Tiaraju que, a 7 de fevereiro de 1756, na resistência à invasão dos Sete Povos das Missões, bradou: “Esta terra tem dono!”.

De fato, esta terra é de Jesus, a presença que a todos ilumina! E como gosta de saudar um Irmão Índio, grande amigo nosso, conhecido como Flexa Dourada (Espírito): “Salve, Jesus!”.

José de Paiva Netto, jornalista, radialista e escritor. Contato: [email protected]/ www.boavontade.com

A verdadeira urgência é resistir – Fernando Mineiro – Deputado estadual (PT-RN)

Ao aprovar o regime de urgência para a reforma trabalhista, os golpistas revelaram mais do que uma estratégia política para acelerar a tramitação do projeto repudiado pelas centrais sindicais, movimentos sociais, CNBB, OAB, entre outras instituições respeitáveis que já o condenaram de público. Indiretamente, os golpistas revelaram também que têm pressa porque têm medo.

Eles sabem que a sociedade organizada vai reagir nas ruas para barrar a reforma abusiva, assim como ocorreu com a Previdência. Por uma razão muito simples: as pessoas já perceberam que a reforma trabalhista não tem nada de modernizante, não é justa nem é capaz de ajudar a reverter o desastre econômico que o governo deles produziu no Brasil.

Os “argumentos” pró-reforma que os golpistas martelam incessantemente na mídia seguem o mandamento nazista da propaganda política: uma mentira repetida mil vezes pode tornar-se verdade. Tudo o que eles dizem é uma mera cortina de fumaça para encobrir os verdadeiros objetivos da reforma: rasgar a CLT e empurrar as relações trabalhistas de volta ao século 19, cassar direitos e conquistas sociais, dificultar o acesso dos trabalhadores à Justiça, enfim, beneficiar o capital e aviltar o valor do trabalho.

A verdadeira urgência da reforma trabalhista relatada pelo deputado tucano Rogério Marinho, que se presta ao papel de marionete dos setores mais atrasados do patronato, passa longe do que foi aprovado na Câmara. O que é urgente de verdade é a mobilização contínua e a resistência organizada contra esse novo desdobramento do golpe político iniciado com o impeachment da presidenta Dilma.

É preciso participar da greve geral convocada para o próximo dia 28, realizando atos de protesto em todas as cidades e mantendo as pessoas informadas e conscientes do fundamental: por maior que pareça o rolo compressor dos golpistas, ele sempre será menor que o poder dos/as trabalhadores/as unidos/as em defesa de suas conquistas legítimas.

#Nenhumdireitoamenos

Tomislav R. Femenick – Nem tão elementar, meu caro Watson

Tomislav R. Femenick – Da Academia Brasileira de Ciências Contábeis

Nos Laudos Periciais os fatores subjetivos são identificados como aqueles que são norteados pela experiência, expertise e competência do perito e que, portanto, expressam um juízo de valor. Sabendo-se que pessoas diferentes podem tirar conclusões diferentes de uma mesma questão e ambas estarem corretas, o campo dos fatores subjetivos nas Pericias Judiciais é amplo e reconhecidamente necessário. Todavia há que se ter parcimônia no uso e influência de fatores subjetivos na estruturação de Laudos Periciais, bem como na interpretação de dados que sejam factíveis de subjetividade. Porém os elementos objetivos não podem ser objetos de interpretação e de “achismo”.

Um dos princípios base do raciocínio científico diz que o “todo” se decompõe em “partes” e que a junção de todas as partes recompõe o todo. Outro axioma do mesmo campo impõe que, em um conjunto de variáveis, todas têm que ser verdadeiras para que o resultado da equação seja igualmente verdadeiro. É uma situação similar ao silogismo, sistema de raciocínio dedutivo, que parte de algumas premissas para se obter uma conclusão lógica. Para que a conclusão seja verdadeira, todas as premissas também têm que ser verdadeiras. “Elementar, meu caro Watson”, diria Sherlock Holmes. Proposições elementares, mas nem sempre seguidas com acuidade.

Todavia nem sempre é assim tão elementar. Vejamos um caso concreto. Recentemente fomos convidados a analisar uma Perícia Contábil de um processo judicial em que se avaliava uma empresa para fins de dissolução da sociedade. Aparentemente nada de anormal. No entanto, ao estudar a metodologia adotada pelo perito e, ainda, como essa metodologia foi usada, nos deparamos com algumas impropriedades. Primeiro, o Laudo Pericial tinha sido estruturado tendo como base o sistema de Fluxo de Caixa Descontado, metodologia fundamentada nos seguintes pressupostos: a) o valor do empreendimento está relacionado à expectativa de geração de caixa em períodos futuros; b) a capacidade do negócio gerar recursos financeiros lhes confere valor. Essa lógica é correta quando a sociedade continua existindo, mesmo com a saída de alguns sócios, e não com a saída de todos os sócios. Havia ainda um agravante, era uma sociedade mista de capital e pessoas, pois a geração de caixa estava intimamente ligada ao trabalho dos sócios; profissionais liberais de um mesmo ramo e de uma mesma especialidade.

Mais estranho ainda foi o fato de que as “fórmulas matemáticas utilizadas eram indicadas somente para sociedades anônimas de capital aberto”, com ações negociadas em bolsa de valores. Uma das fórmulas usada inclui elementos bem próprios para esse tipo de empresas: “beta desalavancado”, “variações do valor das ações” em dado período, “risco país” atribuído por empresas de rating, tais como a Moody´s e Standard & Poor´s etc. Em outras palavras: o perito não teve a acuidade de adapta-las à realidade objetiva: o capital das sociedades limitadas é formado por quotas inegociáveis com terceiros – a não ser em casos específicos, previstos em Lei.

Voltemos à quentão inicial. Se uma das partes do todo é imprópria, inadequada e/ou não correta, o tudo fica descaracterizado e perde a sua significância.

 

Tribuna do Norte. Natal, 20 abr. 2017.