Caio César Muniz – Eu, marginal!

Calma, minha alma bandida é só poética, nunca matei ninguém, já cometi pecados condenáveis e me arrependo de tudo que o fiz e pelas decepções que porventura tenha causado. Mas não é disto que quero falar.

A começar pela minha aldeia, não importa o que faça, o que cresça, o que construa, não tenho oportunidades de mostrar no meu torrão nem um pouco do que o mundo me deu como experiência: editoria, jornalismo, fotografia… nada.

O último gestor, mesmo que nós dois sendo partidários, mas, deixando de lado estas questões, nunca me deu qualquer cabimento. A última vez que nos encontramos, ele jurou de pés juntos que iria olhar para a cultura local. Deixou (e muito) a desejar.

Pela marginal, eu sigo. Construindo meu mundo, buscando oportunidades pelas beiradas do acaso, mendigando chances aqui e acolá, mas sempre como coadjuvante, co-participante da história, mesmo com afagos e “likes” efusivos.

Um abastado de minha cidade chegou ao cúmulo, dia destes, de insinuar que eu era um “esquerdista, leitor de manchetes de jornais e só”. De lascar, logo eu, construtor não só das manchetes, mas das retrancas, do lide, da notícia em si. Será que ele sabe o que é isto? Sim, acertou quanto a ser esquerdista. Disto, não tenho vergonha.

Sigo pela marginal, marginal, onde as oportunidades são parcas e ser apenas protagonista parece ser destino traçado e companheiro de batalhas, como diz o novo bordão: “eu que lute”.