Wilson Bezerra de Moura – Reminiscências

 

O IMORTAL GETÚLIO VARGAS

 

Em minhas pesquisas esbarrei com uma trágica notícia da morte do ex-presidente Getúlio Vargas, publicada na edição do Diário de Natal do dia 24 de agosto de 1954.

Está consignado na história que esse dia ficou assinalado como uma data marcante, não só na história do Brasil, mas também Universal, porque Getúlio abalizou uma fase na própria vida política com outras nações, haja vista ter agido nas negociações da guerra de 1939-45, ao lado dos estadistas americanos Churchill e Roosevelt.

Teve uma vida política moldada em fatos marcantes na história nacional, períodos vividos na velha, nova Repúblicas, na fase ditatorial, em todos eles com passagem de efetiva ação em defesa dos interesses coletivos.

A primeira prova de seu brioso interesse em favor dos humildes, tomei conhecimento quando estive no Rio de Janeiro, na entrada do prédio do Ministério do Trabalho. Ali uma placa ilustra e saúda os visitantes com os seguintes dizeres: “Quando vos humilhares sentirei minha alma chorando ao seu lado”.

Era uma mensagem que Getúlio levava a todo operário brasileiro, e afirmava sua verdadeira intenção na defesa dos mais desassistidos. O sentimento afetivo, respeitoso, sentimental que dedicava aos operários partia de seu íntimo, não era político, era simplesmente um ideal que guardava dentro si e só ao operário ele tinha a preocupação de expressar, principalmente em atos.

Afinal de contas Getúlio, não suportando os arrochos políticos de adversário ferrenhos e temíveis, assim como Carlos Werneck Lacerda, homem de destacado poder por todo Estado do Rio de Janeiro, forçou-o a pedir renúncia do cargo, passou o poder ao seu vice-presidente João Café Filho, despediu-se de poucos amigos, recolheu-se aos seus aposentos, sacou a arma e disparou fatal tiro no ouvido, virando a página de mais uma história negra desse País.

Instantes antes do suicídio Getúlio escreve uma carta aos brasileiros, cujo teor expôs seu verdadeiro sentimento, assim iniciando:

“Mais uma vez as forças que dominam os interesses contra o povo coordenam-se novamente e se desencadeiam sobre mim.” Dessa forma sua missiva foi determinando os fatos necessários aos esclarecimentos do que pôs fim com um tiro a uma história construída com ideal em favor dos desvalidos.

A cicatriz deixada pelo suicídio de Getúlio Vargas, em 24 de agosto de 1954, ficou caracterizada como nova página da história desse País, que nunca mais a sociedade deixará de pensar no estadista da liberdade, igualdade no direito trabalhista como fonte das condições de vida dignas de um ser humano que tanto por ele foi defendido.