PRISÃO

*CLOVIS DA SILVA ALVES

Vamos falar um pouco sobre prisão. Mas, não da prisão, própria dita, atrás das grades, não aquela dos grilhões, das correntes.

Vamos falar da prisão emocional, sob o ponto de vista de “abandonar um barco”, ou “não deixá-lo afundar”.

Aquela prisão intrinsecamente ligada ao compromisso, a obrigação, às responsabilidades.
Muitas vezes o compromisso, na forma de prisão, pode estar ligada não a uma causa externa, mas sim, a um desejo forte interno de manter uma determinada situação.

A prisão ligada a obrigação, muitas vezes está ligada a tentativa de manter um status quo, que por fatores intimamente ligados à sentimentos de pura proteção, levam determinadas pessoas a se excluírem, e ao fazer isso, se aprisionam.

A prisão referente às responsabilidades, muitas vezes está, cotidianamente, ligada aos afazeres de “coisas”, de ordem prática, no sentido de ter que fazer, pois o não fazer, acabará sufocando a pessoa compromissada, muito embora o fazer “tantas coisas”, em excesso, acabará aprisionando-a, muito mais.

A prisão no sentido de, para não “abandonar o barco”, é tão complexo que abrange as prisões referentes às responsabilidades, compromisso e obrigações.

Como traduzir a prisão no que concerne à “Não deixar o barco afundar”? Uma vez não “abandonando o barco” traz a responsabilidade de manter ele navegando. Mantê-lo na rota, seria manter o compromisso de capitaneá-lo, obrigando-se ao aprisionamento.

Podemos abordar sobre alguns prismas.

Ficar aprisionado para tentar ajudar outrem, seria um prisma.

Contudo, como entender-se prisão, a tentativa positiva de auxílio, vista sob a ótica da ajuda real. Normalmente, ajudar de modo positivo, deveria trazer satisfação benigna. Sob outro prisma, “Não deixar o barco afundar”, a prisão poderia ser ocasionada pelo envolvimento de um terceiro, inocente.
“Não deixar o barco afundar”, pode resultar da necessidade de tentar se reconstruir uma relação desgastada por traumas, decepções, em movimentos de reconstruções familiares, gerando aprisionamento.

“Não deixar o barco afundar” , pode ser a tentativa desesperada de manter-se conforme seus próprios princípios éticos e morais, o que muitas vezes leva ao aprisionamento.

Este devaneio, foi construído a partir de sensações aferidas dentro de um contexto bem complexo, onde estão envolvidos: compromisso, obrigações, responsabilidades, pessoas, sentimentos .

Nessa minha imersão, ou podemos dizer, ótica, vi tristeza, sufocamento, sobrecarga,  a procura de uma saída da PRISÃO.

 

* Clovis da Silva Alves é bacharel em direito, técnico judiciário do TJRN e chefe de secretaria da 3ª Vara Criminal de Mossoro-RN. E-mail: [email protected].