O silêncio de Deus

silêncio

Deus chama as almas pequenas para perto de Si pois sabe quão fracas elas são. Essa fraqueza é exatamente o que atrai o Seu Olhar para elas. Olhando para Ele, essas pequenas almas vão se reconhecendo necessitadas da grandeza e do poder de Deus em suas vidas. Mas grandes são as suas lutas, grandes são as exigências, grandes são os desejos do seu coração. E diante de tudo isso, muitas vezes Deus Se faz silêncio. Parece contraditório, eu sei, falar que Deus é atraído por pela nossa pequenez e que Ele Se faz silêncio. E pensamos que esse silêncio é ausência, mas no caso do Senhor, o silêncio é a mais pura forma de Amor.

Se assim está na sua vida, atenção: pode ser um convite para nos percebermos “espalhados”, distribuindo o tesouro do nosso coração para qualquer um a qualquer custo, e não falo somente de grandes escândalos na sexualidade ou afetividade, mas muitas vezes é a procura de olhares, conversas interessadas que no fundo sabemos que estamos somente querendo que alguém nos veja. Nossa cabeça pode estar nos problemas; o coração pode estar nos sentimentos e pensamentos vagantes por aí. Porém, temos opções diante desse silêncio. Podemos começar a fazer barulho, criar dramas, problemas, faltas e continuar “espalhados”. Ou podemos fazer como quando não entendemos o que estão dizendo: concentrando-nos mais e fazendo um esforço para escutar melhor. Esse é o movimento que Deus quer de você, quando Ele permite esse silêncio interior, pois naturalmente você começa a se recolher e novamente reconhecer-se necessitado da grandeza d’Ele, assim como falamos há pouco.

O calvário se faz nesses corações 

Essas almas estão sempre diante da cruz, mesmo que não percebam, Cristo faz Seu calvário no coração desse povo. Basta ter atenção e perceber o desejo de ser uma alma recolhida, silenciosa aos pés do Senhor Jesus, fazer do nosso coraçãozinho a clausura do Carmelo, sua entrega e renúncia. Nesse calvário mora a contemplação da vitória, do mistério do nada que somos diante daquele que É. Ali mora o eterno SIM à vontade do Pai, o abandono dos abandonados para junto do Senhor dizermos “tudo está consumado”, que nada seja nosso, que nada nos agrade. Que tudo seja apenas para fazer a vontade do Pai e assim o mundo seja redimido com nossa FIDELIDADE, mesmo em meio aos tormentos, mesmo em meio às provações, em meio ao terrível e ensurdecedor silêncio, que muitas vezes não queremos viver. Que nossa perseverança seja sinal do amor incondicional, que não temos, mas Ele tem. Toda nossa vida “é” porque Ele permanece “sendo” na Cruz por nós.

“O amor não consiste em sentir grandes coisas, mas em ter uma grande desnudez e em padecer pelo Amado”, diz São João da Cruz. Sabemos que Jesus é o próprio amor na Cruz. Contemplando esse momento de consumação, as almas que querem verdadeiramente se dar a Deus precisam se desnudar diante de Deus, assim como Cristo na Cruz, e se revelar com suas misérias e fragilidades diante d’Aquele que é o único que pode saciar seus desejos mais profundos e, na perfeição do Senhor, purificando-se das suas falsas grandezas.

Deus mudo e calado, como é bom Te servir nesses momentos, pois sei que nos subterrâneos do meu coração operas grandes prodígios, ao quais conhecerei quando quiseres. No Teu amável silêncio se esconde um amor infinito que não pode ser medido em palavras ou sentimentos. Assim sabes que eu me contentarei com aquilo que Tu me deres, tendo em vista que, assim como o soldado que te feriu o peito se encontrou com Teu amor ciumento escondido no silêncio da Cruz, eu também, ao me deparar com minhas fragilidades e defeitos, feri o Teu peito, nada mais posso desejar senão me banhar da vida, do perdão e da grande misericórdia que encontrei nas Tuas chagas, tudo realizado no silêncio e no escondimento. Grande é o mistério do chamado das almas pequeninas. E para que assim permaneçam, o Senhor Se faz silêncio, pois se soubessem o tamanho da graça que portam antes de estarem maduras na misericórdia de Deus, logo pensariam que são suas as obras.

Juntos até o céu!

*Tayná Ferreira Barbosa
Postulante da Comunidade Católica Pantokrator