O Obelisco da Independência

Geraldo Maia do Nascimento - [email protected]

Em 7 de setembro de 1822 acontecia a Independência do Brasil, movimento esse que transformava o país em uma monarquia, com a coroação de D. Pedro I. Nessa época Mossoró ainda germinava. Henry Koster, numa viagem que fez de Recife a Fortaleza, a cavalo, anotando tudo por onde passava, registrou que “a 7 de dezembro de 1810, às 10 horas da manhã, chegamos ao Arraial de Santa Luzia, que consta de duzentos ou trezentos habitantes. Foi edificado em quadrângulo, tendo uma igreja e casas pequenas e baixas. “ Assim era Mossoró em 1810. Mas em 1922, no ano do centenário da Independência, era uma cidade próspera, já possuía 30 ruas, 12 praças, 5 travessas e uma avenida. Nesses logradouros, estavam situadas 1.872 casas, sendo 840 de tijolo e telha e 1.032 de taipa.

Manuel Benício de Melo estava à frente da municipalidade. E dentre as suas realizações, está a inauguração do Obelisco da Independência. Por definição, obelisco é um monumento comemorativo, típico do antigo Egito, constituído de um pilar de pedra em forma quadrangular alongada e sutil, que se afunila ligeiramente em direção à sua parte mais alta, terminado com uma ponta piramidal.

A ideia de construção do monumento era a de homenagear o transcurso do centenário da Independência do Brasil. E nada mais simbólico do que um obelisco. Para a sua construção foi contratado o escultor Francisco Paulino da Silva, um mestre do cimento que já havia executado várias obras em Mossoró, como a da Estátua da Liberdade, que fica na Praça da Redenção, além de altares de várias Igrejas da cidade, inclusive a de São Vicente de Paula. E o local escolhido foi a Praça do Mercado, pois todos os desfiles cívicos da cidade se davam naquela praça.

O monumento foi construído sobre pedestal, com gaveta onde foram colocados exemplares dos jornais que circulavam na época em Mossoró, bem assim como cópia da ata da solenidade e outros documentos.

Esse monumento foi inaugurado em 7 de setembro de 1922, com grande desfile cívico, solenidade essa que foi presidida pelo Presidente da Intendência (cargo equivalente hoje ao de Prefeito) Camilo Porto, com a presença de várias outras autoridades, que fizeram questão de usar da palavra para exaltar aquela homenagem ao Brasil Independente. E a partir daquela data, a antiga Praça do Mercado passou a se chamar Praça da Independência.

A gaveta onde foram depositados os documentos, era uma espécie de cápsula do tempo, que deveria ser aberta no ano do centenário da inauguração do monumento, ou seja, em 7 de setembro de 2022. Mas embora a existência dessa gaveta tenha sido registrada nos jornais da época e também através de registro no livro “Cronologias Mossoroenses – Quando, como e onde aconteceram os fatos…” – de Lauro da Escóssia, publicado pela Coleção Mossoroense – Volume CLXXXII – 1983, não se sabe se ainda existe tal gaveta.

Não me lembro o ano, mas quando da última reforma pela qual passou aquela praça, já conhecedor desse fato, procurei o engenheiro responsável pela reforma e questionei se quando foi quebrado o piso velho, ao redor do Obelisco, não tinha sido localizada essa gaveta ou algo semelhante, que pudesse abrigar esses documentos mencionados. E a resposta foi negativa. Não haviam encontrado nada nesse sentido. Isso não significa, no entanto, que não exista. Como para a reforma foi quebrado apenas o piso velho, e não o contra piso, e por não haver nenhuma razão para aprofundar a escavação, é possível que a tal gaveta com os documentos continue lá, esperando a data da sua revelação.

A questão que fica é: será que no próximo ano, quando estará completando cem anos da inauguração do Obelisco da Independência, haverá uma solenidade para recuperação dessa cápsula do tempo? Seria, certamente, uma boa oportunidade para que Mossoró, na data do bicentenário da Independência, prestasse uma grande homenagem ao Brasil.

Queremos deixar claro que os documentos que dizem ali se encontrar, não tem nenhum valor comercial, apenas histórico. São jornais antigos e uma cópia da ata manuscrita. Ressaltamos isso para que nenhum vândalo venha destruir o monumento, em mais uma imaginária caça ao tesouro.

Para conhecer mais sobre a história de Mossoró visite o “blogdogemaia.com” ou o canal do YouTube “Na História com Geraldo Maia”.