O Mossoroense, uma paixão permanente

Minha primeira lembrança de contato com o jornal O Mossoroense foi ainda como criança, menino curioso, assistindo à composição das letras nas linotipos, que depois eram impressas e transformadas em opiniões e informações para os leitores.

A Farmácia Rosado ficava ao lado do prédio onde funcionava o jornal, na Rua Cel. Vicente Saboia. O jornal circulava no período da tarde e, da farmácia, eu escutava o barulho das linotipos. Pedia ao meu pai e ele consentia que fosse assistir ao espetáculo dos linotipistas. Como em passes de dança, transformavam o chumbo derretido em letras, numa rapidez que me deixava fascinado.

Nessa época, não cheguei a imaginar que, um dia, seria um dos responsáveis por uma das fases de circulação de O Mossoroense. Participei da compra da primeira máquina impressora tipo offset e, depois, da informatização do impresso, inclusive a sua circulação no mundo virtual. O jornal O Mossoroense foi o primeiro periódico, no Rio Grande do Norte, a ser colocado na internet.

Via de regra, quem participa de jornal se apaixona pelo periódico. Foi o que aconteceu comigo e todos que passaram pelo jornal. Certa vez, o ex-governador Aluísio Alves me contou que, para evitar o fechamento do seu jornal, a Tribuna do Norte, teve que vender um apartamento de sua propriedade, no Rio de Janeiro, para salvar a empresa. Para manter O Mossoroense, também tivemos que assumir posições dessa natureza. Entretanto, chegou o dia em que não foi mais possível continuar com a edição impressa.

Ninguém aceitava o desaparecimento puro e simples do jornal. A solução foi adotar a mesma decisão de importantes órgãos de imprensa, não somente no Brasil, mas em cidades do mundo inteiro. O jornal passou a circular em edições on-line, sem largar os princípios que sempre guiaram sua existência. Foi uma decisão acertada.

Conta-se que o padre Manoel Barreto, professor, escritor e duas vezes diretor do Colégio Diocesano Santa Luzia, no início do século XX, teria afirmado: “enquanto houver um descendente de João da Escóssia, o O Mossoroense continuará a existir. João era filho do fundador, Jeremias da Rocha Nogueira.

O responsável pela nova fase de O Mossoroense é o jornalista Cid Augusto, descendente direto do fundador Jeremias da Rocha. E, por curiosidade, também descendente direto do sócio de Jeremias, José Damião de Sousa Melo.

Sabendo da capacidade, do entusiasmo e da abnegação de Cid, é possível assegurar que o jornal não ressurge como uma fênix, mas será revigorado, continuando a tradição de tantos anos, sempre com o compromisso que sempre norteou seus princípios.

Afinal de contas, O Mossoroense faz parte da história de Mossoró.