O Mossoroense chega aos 148 anos e se reinventa para um novo jornalismo em tempos de novas mídias

Fundado em 17 de outubro de 1872, o jornal O Mossoroense é o marco inicial do jornalismo mossoroense. Fundado por Jeremias da Rocha Nogueira, registrou momentos significativos da Mossoró e chega aos seus 148 de existência com o desafio de se reinventar diante das novas tecnologias.

Atuando desde 2015 no formato online, o jornal passa por processo de reformulação do site, das redes sociais e da equipe, buscando dinamizar a informação precisa e dar espaço à pluralidade de opiniões, suas marcas registradas ao longo da história.

Seguindo uma tendência mundial, a ideia é incrementar a parte textual com elementos de vídeos para entrevistas e matérias especiais, além de atualizar o leque de colaboradores pelo Estado.

Este não é o primeiro desafio encontrado por O Mossoroense ao longo de quase um século e meio de história. De tentativa de empastelamento a enchentes, reinventar-se também sempre foi um processo contínuo do jornal que já teve à sua frente, grandes nomes do jornalismo, como Lauro da Escóssia, Lauro da Escóssia Filho, Dorian Jorge Freire e Emery Costa.

“É possível assegurar que o jornal não ressurge como uma fênix, mas será revigorado, continuando a tradição de tantos anos, sempre com o compromisso que sempre norteou seus princípios. Afinal de contas, O Mossoroense faz parte da história de Mossoró”, comenta o diretor-geral do jornal, Laíre Rosado.

O pioneirismo e a longevidade de O Mossoroense, coloca-o, atualmente, como o segundo jornal mais antigo da América-Latina, em atividade, atrás somente do Diário de Pernambuco, de Recife, fundado aos 7 de novembro de 1825, e que encerrou sua versão impressa em maio deste ano.

MUITOS NOMES POR TRÁS DE MUITAS HISTÓRIAS

Uma trajetória de 148 não tem como serem escritos por poucas mãos. Muitos nomes fizeram parte da saga de O Mossoroense. Certamente o seu fundador, Jeremias da Rocha Nogueira, é o primeiro a ser destacado.

Nascido aos 29 de março de 1844, era filho de Floriano da Rocha Nogueira e de Anna Rodrigues Braga, a Anna Floriano, que viria depois ser a protagonista principal do episódio que ficou conhecido como o “Motim das Mulheres”.

Jeremias foi secretário e advogado da Câmara Municipal de Mossoró entre os anos de 1864 e 1973. Em 17 de outubro de 1872, com o apoio de José Damião de Souza Mello e Ricardo Vieira do Couto, fundou o Jornal O Mossoroense, “semanário, político, comercial, noticioso e literário”, ligado ao partido Liberal para combater os conservadores, vencedores das eleições daquele ano e que tinham como chefe o vigário Antônio Joaquim Rodrigues. Descontente com a forma como os votos foram apurados, pediu demissão do seu cargo de secretário da Câmara. Faleceu em 29 de junho de 1881.

Companheiros de causas como o abolicionismo e a maçonaria, José Damião de Souza Mello e Ricardo Vieira do Couto também foram importantes protagonistas daquela primeira fase do jornal.

Parte do material tipográfico, com o falecimento de Jeremias da Rocha, foi enterrado por José Damião de Souza Mello, no quintal de sua casa, na rua das Flores (hoje rua Bezerra Mendes), só sendo resgatado três décadas depois.

João da Escóssia, filho de Jeremias, abriria a segunda fase do jornal, em 1902, que trazia além do advento da ilustração, novos objetivos: servir “às letras, às artes, às ciências, às indústrias e ao desenvolvimento de todos os ramos da atividade humana”.

Era o dono do jornal, redator, ilustrador (xilógrafo) e o próprio gráfico. Os comerciais ganhavam gravuras e O Mossoroense frontispícios bem elaborados e alguns ainda atuais, como a questão das secas e da política.

Também faziam parte daquele período do jornal, que foi até 1919, com o falecimento de João da Escóssia, o coronel Antônio Gomes de Arruda Barreto, Alfredo de Souza Melo, filho de José Damião, além de Jaime Hipólito, Rafael Fernandes Gurjão e Augusto da Escóssia.

Em suas fases posteriores, e são seis, com este momento de “repaginação”, vultos das Letras, que acabaram contribuindo para o fazer do jornalismo local, como Lauro da Escóssia, Vingt-un Rosado, Emery Costa, Raimundo Nonato e Dorian Jorge Freire.