NOSSOS POETAS – Maurílio Santos

MAURÍLIO SANTOS, nasceu na vila Jucuri, zona rural de Mossoró. Compositor e cordelista potiguar desde menino, despertou a curiosidade dos parentes e amigos pelas suas brincadeiras direcionadas ao campo musical e da poesia. Filho de agricultores, cedo teve que aprender o ofício duro da lida campesina.

Seu pai, antes do ofício de vaqueiro/agricultor tocava fole de oito baixos, conhecido tradicionalmente como pé-de-bode, Maurílio Santos não pode negar a musicalidade que corre em suas veias.

Começou suas apresentações em público, ainda adolescente nos festivais de compositores promovidos pela Rádio Rural de Mossoró (FECOMP), nos anos 80. Em 1993, o artista, defendeu sua canção “Pelejando com a Vida” no Festival Canta Nordeste, promovido pelo Rede Globo Recife em parceria com a TV Cabugi/RN.
Os anos 2000 trouxeram à tona seu primeiro CD, “Dias de Luta”, proporcionando ao público e crítica um conteúdo mesclado tanto nos ritmos como nas temáticas contribuindo assim para uma boa aceitação por parte de quem prefere música de boa qualidade.

Paralelo à divulgação de “Dias de Luta”, teve algumas de suas canções classificadas em festivais defendidas por si e outros artistas potiguares. Nos anos de 2005 e 2006 participou do festival potiguar chamado FORRAÇO, promovido pela Inter TV Cabugi; em 2008 e 2009 classificou duas músicas nos Festivais da Canção, promovido pela Assembleia Legislativa do RN e ainda em 2009 participou do FEMPOP – Festival da Música Popular, em Pombal/PB e obteve o 3º lugar, vinculando assim sua canção “Alerta Amazônico” no CD dos 12 vencedores.

Em 2011 nos trouxe o CD “Verso e Reverso”, um trabalho que tem sido divulgado por algumas emissoras alternativas da região e em 2013 classificou a canção “Alerta Amazônico” no 39º Festival da MPB de Ilha Solteira/SP.

Em 2014 o poeta participou do Festival Universitário da Canção em Ponta Grossa/PR levando o nome de Mossoró e o Estado do Rio Grande do Norte para vários eventos importantes do nosso país. Seu último trabalho em CD, “Acervo”, de 2015 é uma coletânea com canções destaques de sua obra musical.
É autor do projeto MISTURANDO AS POESAIS em parceria com o poeta Nildo da Pedra Branca, projeto cultural já faz integra o calendário cultural dentro do evento Mossoró Cidade Junina desde 2013.

De 2006 à 2008, a gestão do Conselho de Cultura da Prefeitura de Mossoró, teve o compositor jucuriense como um dos seus membros, antes disso em 2006, Maurílio Santos, foi um dos ganhadores do Prêmio Fomento de Mossoró e em 2009 o Prêmio Núbia Lafayete, pela Fundação José Augusto do Governo do Estado do Rio grande do Norte, onde produziu a parte de estúdios do seu segundo disco.

No edital de Fomento a Cultura 2019, lançou o projeto “MAURÍLIO SANTOS E SEUS: Dias de Luta”, executado em 2021 com a gravação de um clipe musical.
As influências musicais do poeta/cantor estão dentro de um caldeirão cultural onde mexeram o que tem de melhor na música mundial: Luiz Gonzaga, James Taylor, Beatles, Zé Rodrix, Zé Ramalho, Clube da Esquina, Ednardo, Sá e Guarabira, autores que povoaram e povoam o seu imaginário e ouvidos durante sua infância e adolescência até seus dias de luta atuais.

Isso tudo junta-se as cantigas de rodas, cantorias de viola, os “benditos” das novenas, os aboios dos vaqueiros, e as cantilenas de sua mãe quando o embalava pra dormir, daí nasceu o canto e estilo de Maurílio Santos.

É autor dos cordéis JUSTIÇA DE CALÇAS CURTAS, PAULO FREIRE – Uma Nova Pedagogia Para Uma Nova Educação, A MULHER OBRA DIVINA (O doce Humano da Vida) e A LAVA JATO.

Contatos:
[email protected]
App:(84 – 99844 3810)
FACEBOOK: Maurílio Santos
INSTAGRAM: maurilio_santos

Pena Boreal - Tatuli

Canaã Latina

Vinde irmãos de todos os lugares,
Vinde por terra, no ar, por todos os mares.
Trilhem os quatro pontos cardeais,
Sírio-libaneses, nipões, eslavos,
Sudaneses, bantos, escandinavos,
Que em cada brasileiro mora um cais.

Vinde, que repartiremos nosso pão,
Nossa flora, nossa fauna, nosso chão,
Uma coisa no entanto peço à voz:
Se possível deixe um pouco para nós.

Temos no sangue o gen da acolhida,
Do novo mundo a terra prometida,
Canaã latina tropical
Vinde expulsos das terras exaustas,
Que nossa terra é sã pura e farta
E cabe mais uma pitada de sal.

Dessa terra, cada palmo, cada grão,
Um estrangeiro pôs o olho, o pé e a mão,
Mesmo assim ainda dá pra ser feliz
Sem saber se é filial ou se é matriz.

Pena Boreal - Tatuli

Abre a Porteira

Abre a porteira moço,
Tô querendo passar.
Aqui há tantos anos
Não sei me urbanizar.
Cidade grande fere.
Quando não fere, mata.
Vai nos gastando aos poucos
E o nó da saudade desata.

Dei duro o tempo inteiro,
Andei de contramão,
Criei calo na carne,
Se quis ganhar tostão.

Nas alamedas grandes,
As chaminés compridas,
Deitaram nos meus olhos
Uma languidez sofrida.
À noite eu tinha estrela
Por luzes destorcidas
E uma lua triste e feia
Etc., tô de partida.

Arrepanhei meus trecos,
Soquei no matulão,
Sem despedida ou choro
E lá vou eu pró meu sertão,
E lá vou eu pró meu rincão,
E lá vou eu pró meu torrão.

Pena Boreal - Tatuli

A Dama e o Vagabundo

Senhora dona santa,
Coberta de ouro e luz,
Teus olhos me encantam,
Teu corpo me seduz.
Filha de sol, filha da lua,
Sonho com você, nua, nua.

Senhora dona santa,
Teus olhos de rubi,
São ímãs que me arrastam
Com mãos de frenesi.
Filha do sol, filha da lua,
Sonho com você nua, nua.

Deixe eu cometer um sacrilégio,
Pois sonhar já não me satisfaz.
Profanar seu corpo com meus beijos,
Como o mais humildes dos mortais.

E em pleno amor,
A gente esquece tudo,
Nenhum de nós verá
Que sois a dama
E eu sou o vagabundo.

 

Veja também o clipe “Maurílio Santos e Seus Dias de Luta:

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