MOTORISTAS DO PASSADO – Wilson Bezerra

A pesquisa existe e ela própria confirma, para nossa segurança, onde e quando possa, para verdadeira realidade, confirmar os fatos que se deram no passado envolvendo a própria sociedade que a construiu.

Assim o fazemos quando queremos conhecer os acontecimentos. A documentação existente do saudoso memorialista Raibrito, o imortal da legitima história mossoroense, nos deparamos, num dado instante, com a documentação sobre dois motoristas de tradicional envergadura ao longo do passado e, ademais, nos fez lembrar também outros que, por sinal, ainda chegamos a conhecê-los, embora nos últimos dias de existência.

A manchete apontada pelos arquivos do Raibrito se referia de pronto a dois nomes notáveis como motoristas: Ismael Siqueira e Lucas Siqueira de famílias tradicionais, os quais atuaram por muitos anos.

Foram motoristas quando não existiam estradas asfaltadas. Eram estradas carroçais que para chegar a qualquer destino seria pura tortura, enfrentamento de dificuldades, sofriam os carros e os passageiros que ele ocupavam por horas a fio em percursos de um centro a outra localidade.

Ismael Siqueira foi, durante tempos, o motorista do bispo mossoroense dom Jaime de Barros Câmara, quando este viajava a Pau dos Ferros. Às vezes, quando não queria viajar no misto do senhor Sérvulo Marcelino, o fazia por seu intermédio e ainda se louvava da eficiência do motorista Ismael, atravessando momentos horríveis com buracos em toda estrada carroçal, ruins, e pior ainda quando da época de inverno.

As opções eram poucas antigamente quanto a motoristas bons. O velho João Siqueira, com seu misto, a sopa de Antônio Cirilo, que fazia horas e horas para chegar de Natal, quase sempre saia duas horas da manhã para chegar à tarde naquela capital, todos cansados e com bastante fome.

O empresário Antônio Florêncio de Almeida, entre outros daquela época, fazia suas viagens com menos sofrimento porque estas eram próximas do parque salineiro, Areia Branca, Grossos, às vezes até Macau.

Os motoristas de antigamente deixaram suas pegadas de bons profissionais porque deram provas incontestes de sua paciência para vencer os descasos públicos quanto às vias de acesso entre as cidades. Naquele tempo nem sequer respeitavam as grandes metrópoles.