LAÍRE ROSADO: Análise do ombudsman da Folha

Flávia Lima é repórter especializada em economia e ombudsman (por que não (ombudswoman?) da Folha desde maio de 2019.

Sua análise de hoje merece ser lido por conta da clareza com que faz interrogações sobre a cobertura do affaire Moro x Bolsonaro.

Moro chegou ao Ministério da Justiça após a popularidade adquirida durante a operação Lava Jato. Pode ser considerado “um ídolo” por parte da população, inclusive por Bolsonaro.

A ombudsman considera que a imprensa também parece dar mais valor às falas do ex-ministro. Mas não deveria. Nem Moro nem ninguém deve estar imune a questionamentos. Os vazamentos das mensagens obtidas pelo The Intercept puseram em dúvida a imparcialidade do juiz Sérgio Moro.

Em entrevista à Veja, Moro declarou “que foi descobrindo aos poucos que embarcara numa fria e que acha “engraçado” pessoas insistirem em dizer que poderia ter algo errado no pedido de pensão que fez a Bolsonaro caso algo lhe acontecesse. Por que seria engraçado, é lícito fazer tal pedido? pergunta a repórter.

E continua, ainda há muitas dúvidas. Se não foi a primeira vez que Bolsonaro demonstrou vontade de interferir em investigações, houve omissão de Moro diante de possíveis atos ilegais do presidente? Moro chegou a atender a algum pedido impróprio? Por que o ex-ministro levou tanto tempo para decidir salvar a sua biografia e por que acreditava que ela estivesse intacta?

Flávia Lima lembra que Moro mostrou grande habilidade em manejar as informações que passa para a imprensa e que, durante a Lava Jato, alguns repórteres cultivaram laços impróprios com Moro e os procuradores de Curitiba.

É interessante a leitura completa do artigo da jornalista pelos apoiadores e pelos adversários do presidente Bolsonaro. Sobretudo, por quem se interesse por um jornalismo sério que preserve uma posição lúcida, independente, sem envolvimento com seus personagens.

Exceção para aqueles que fazem, por opção, um jornalismo tendencioso.