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Funcionários do Banco Mundial pedem que indicação de Weintraub seja suspensa

Grupo cita falas racistas e preconceituosas do ex-ministro e diz que o comportamento dele é inadmissível na instituição

A Associação de Funcionários do Banco Mundial fez um apelo formal para que seja suspensa a nomeação do ex-ministro da Educação Abraham Weintraub a uma diretoria da instituição. O pedido foi feito em carta aberta enviada ao Comitê de Ética do banco e compartilhada com todos os empregados, nesta quarta-feira (24).

Em meio à sua demissão, Weintraub foi indicado pelo governo brasileiro para ocupar uma cadeira entre diretores representantes de Colômbia, Filipinas, Equador, República Dominicana, Haiti, Panamá, Suriname e Trinidad e Tobago. A aprovação dele depende dos líderes desses países.

Na carta, o grupo afirma que “funcionários ficaram profundamente perturbados” com atos de Weintraub, como uma acusação racial em que zomba do sotaque chinês, o ódio explicitado ao termo “povos indígenas” e a sugestão de prender ministros do Supremo Tribunal Federal (STF).

O texto também cita o último ato de Weintraub antes de deixar o governo – a revogação de portaria que promove cotas de pós-graduação para negros e povos indígenas.

Os funcionários ressaltaram que a postura racista e preconceituosa do ministro é inaceitável no Banco Mundial e, por isso, o Comitê deve rever o histórico do ex-ministro antes de aceitá-lo.

Leia a carta completa:

Caros Sr. Schoenleitner e Sra. Shuaibu,

A Associação dos Funcionários do Banco Mundial deseja chamar à atenção do Comitê de Ética da Diretoria o registro do Sr. Abraham Weintraub, que deve começar a trabalhar no Banco Mundial na qualidade de diretor-executivo interino da EDS15.

Muitos funcionários ficaram profundamente perturbados ao saber o seguinte: de acordo com várias fontes, Weintraub publicou um tuíte de acusação racial que zomba do sotaque chinês, culpando a China pelo novo coronavírus e acusando-os de “dominação mundial”, levando o Supremo Tribunal Federal a abrir uma investigação sobre acusações de racismo (crime no Brasil). Weintraub sugeriu que os juízes da Suprema Corte fossem presos.

Weintraub deu declarações públicas contra a proteção dos direitos das minorias e a promoção da igualdade racial (seu último ato como ministro da Educação foi revogar diretrizes para promover cotas para afrodescendentes e povos indígenas no ensino superior). Ele já disse odiar o termo “povos indígenas”.

Embora sua indicação tenha sido condenada por vários países clientes, a Associação dos Funcionários entende que a escolha deste diretor-executivo é do Brasil e somente do Brasil. Dito isto, podemos e devemos garantir que o comportamento e as ações de nossos membros efetivos modelem o Código de Conduta para Funcionários do Conselho — exigindo os mais altos padrões de integridade e ética em sua conduta pessoal e profissional — e alinhados com nossas políticas operacionais, como nossa política de povos indígenas.

Portanto, solicitamos formalmente ao Comitê de Ética que reveja os fatos subjacentes às múltiplas alegações, com vistas a (a) suspender sua indicação até que essas alegações possam ser revisadas e (b) garantir que o Sr. Weintraub seja avisado de que o tipo de comportamento pelo qual ele é acusado é totalmente inaceitável nesta instituição.

O Grupo Banco Mundial acaba de assumir uma posição moral clara para eliminar o racismo em nossa instituição. Isso significa um compromisso de todos os funcionários e membros do Conselho de expor o racismo onde quer que o vejamos. Confiamos que o Comitê de Ética do Conselho compartilhe essa visão e faremos tudo ao seu alcance para aplicá-la.

Atenciosamente,

Assembleia Delegada da Associação de Funcionários do Banco Mundial

Brasil de Fato

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