Entrevista – Etevaldo Almeida Silva

Etevaldo Almeida Silva possui graduação em Economia pela Universidade do Estado do Rio Grande do Norte (UERN), mestrado em Economia Rural pela Universidade Federal do Ceará (UFC) e é professor da UERN desde 2004, no Departamento de Economia.

Cearense nascido em Fortaleza, em novembro de 1974, criado na cidade de Pacoti/ Serra de Baturité onde até hoje moram seus genitores, residiu nessa região serrana até o ano de 1991 quando foi, em 1992 para Fortaleza cursar o Segundo Grau Científico.

Em 19 de janeiro de 1995 veio beber do conhecimento do renomado ensino técnico ofertado pela Escola Técnica Federal do Rio Grande do Norte na Unidade de Ensino Descentralizada de Mossoró (ETFERN/UNED), foi aluno da primeira turma da Escola Técnica, atuando em diversas ações dessa instituição: foi o primeiro bolsista da Biblioteca da UNED, e atuou como bolsista do primeiro Projeto de Extensão da UNED e foi da primeira formação do Grupo de Teatro da UNED/Mossoró.

Em 1998, formou-se em Eletromecânica com Habilitação em Mecânica. No ano de 1996 também iniciou seu curso superior na UERN concluindo em 2001. Foi Estagiário, Técnico Administrativo, Assessor, Chefe de Departamento, Pró-Reitor Adjunto e Pró-Reitor de Extensão na Pró-Reitoria de Extensão da UERN entre os anos de 2001 a 2017.

Atuou como Vice Coordenador do Fórum de Pró-Reitores de Extensão da Regional Nordeste – (2015-2017). Foi membro do Grupo de Trabalho Interinstitucional sobre Indicadores de Avaliação do Fórum de Pró-Reitores de Extensão das Instituições Públicas de Educação Superior Brasileiras (FORPROEX (2015-2017)).

Atuou como membro da Comissão Técnica de Elaboração do Plano Institucional de Cultura da Universidade do Estado do Rio Grande do Norte, na sua gestão de Pró-Reitor de Extensão.

Fez parte da Comissão que coordenou o Processo de Recredenciamento Institucional da Universidade do Estado do Rio Grande do Norte junto ao Conselho Estadual de Educação (CEE/RN, 2016-2018).

Nos últimos anos tem contribuído efetivamente com o debate em torno da Curricularização da Extensão Universitária em mais de 20 Universidades Federais, Estaduais e Institutos Federais das Regiões Brasileiras, tornando-se um dos especialistas brasileiro desta Política Pública de Educação Superior.

Tem experiência na área de Economia Rural, com ênfase em Economia Agrícola, Economia do Setor Público, Economia da Cultura e Políticas Públicas, atuando principalmente nos seguintes temas: competitividade, indicadores de desempenho, indicadores de avaliação, educação superior, extensão universitária e cultura, curricularização da extensão, dimensões econômicas das linguagens artísticas e das políticas culturais.

Com este vasto currículo, é o atual secretário de cultura de Mossoró, e é com ele que O Mossoroense fala esta semana.

 

Que experiências você traz para esta nova função como gestor cultural?

Trazemos as experiências adquiridas principalmente ao longo de 16 anos atuando como um membro da rede pertencente a gestão da Extensão Universidade da Universidade Estado do Rio Grande do Norte, seja como estagiário, como técnico, como assessor e no papel de gestor.

Todas essas articulações ou percursos foram, pautados pelo exercício da práxis formativa, no sentido de pertencimento, da construção coletiva, da esculta sensível, das relações construídas pelos princípios que referenciam a nossa atuação como aprendente dos saberes oriundos das ações concretamente realizadas como política pública, respaldado sempre pela: interação dialógica, interdisciplaridade e interprofissionalidade, indissociabilidade, impacto na formação humana e transformação social. Nossa função como gestor cultural adotará essas diretrizes.

 

Como você vê o cenário cultural mossoroense?

Inspirando-se no significado do termo cenário cultural, interpretado como o lugar onde se utiliza para compor ou criar o ambiente de uma ação dramática ou qualquer outro acontecimento artístico cultural, posso afirmar que o cenário cultural mossoroense é constituído por diversos cristais de inspiração artístico cultural. Neste contexto, precisa-se que a gestão pública municipal perceba essas potencialidades, escute os fazedores e fazedoras de arte e cultura, gere oportunidade através de política pública de Estado para que os artistas possam viver de sua arte, contribua com a formação plena da cultura com democracia, respeite a competência estabelecida na cadeia produtiva de arte e cultura presente no município. O que está evidente nessa fala, a gestão municipal empossada há um mês em Mossoró, já está estartando e concretizará nos próximos quatro anos.

 

Quais serão as suas prioridades frente à pasta de Cultura?

As prioridades frente à pasta da cultura no município de Mossoró na gestão 2021 a 2024 serão concretizadas conforme expresso no Plano de Governo Pra Mudar Mossoró, do prefeito Allyson e do vice-prefeito, Fernandinho.

Trabalharemos diuturnamente para que a sociedade mossoroense torne-se conhecedora da história da nossa cultura e da atuação do município seja como um agente indutor do movimento cultural, por vezes financiando-os por vezes organizando-o por meio das políticas públicas conforme elencadas a seguir:

Instituir um Sistema Municipal de Informação e Indicadores Culturais, realizando o mapeamento de todas as expressões culturais, materiais e imateriais do município de Mossoró, mantendo-o em consonância com os Sistemas Estadual e Nacional de Informações e Indicadores Culturais; Instituir o Programa de Formação Cultural, realizando periodicamente cursos, oficinas, fóruns e seminários de qualificação de gestão cultural, linguagens artísticas, patrimônio cultural e demais áreas da cultura, capacitando, assim os agentes públicos e agentes culturais do município; Manter e ampliar os editais de fomentos culturais, através do Fundo Municipal de Cultura; Criação de projetos e programas anuais de apoio financeiro aos artistas, grupos, instituições, pontos de cultura e produtores culturais locais; Revitalização do Memorial da Resistência, Teatro Municipal, Estação das Artes, Escola de Artes, Museu Municipal e Biblioteca Pública Municipal, através da realização de programas e projetos, utilizando as suas áreas externas e internas com as diversas expressões culturais. Em parceria com as secretarias de educação, saúde, assistência social, esportes, segurança pública, desenvolvimento econômico e turismo, agricultura, dentre outras, realizar ações articuladas com todos os equipamentos da rede pública do município; Criação de um programa de apoio e incentivo à promoção de artistas, grupos e instituições que irão participar de eventos culturais em níveis, estadual, federal e internacional com fins de promover um intercâmbio cultural que seja cada vez mais crescente; Criar o sistema de tombamento do patrimônio material e imaterial do município de Mossoró, sendo coordenado pela Secretaria Municipal de Cultura e fiscalizado pelo Conselho Municipal de Cultura; Promover a disseminação cultural nos bairros de Mossoró com projetos como bibliotecas comunitárias, exposições, apresentações e manifestações culturais; Revitalização e ampliação do corredor cultural; Criação do festival gastronômico e cultural de Mossoró; Fortalecimento do Mossoró Cidade Junina, profissionalizando a sua organização e dando-lhe mais transparência, tornando o evento uma ferramenta de política pública que fortaleça a economia e promova a cidade e sua cultura no cenário nacional; Democratização do acesso e da produção da cultura em eventos culturais promovidos pelo Município; Criação de um Centro de Cultura e Artesanato Popular onde os artesãos, cordelistas e todas as expressões de cultura popular da cidade possam se manifestar e comercializar os seus produtos; Manter, fortalecer e ampliar o calendário de eventos religiosos na cidade; Fortalecer O Conselho Municipal de Política Cultural na estrutura básica da Secretaria Municipal da Cultura com composição paritária entre Poder Público e Sociedade Civil, garantindo participação social institucionalizada, de caráter permanente.

 

Qual o cenário atual da secretaria de cultura de Mossoró?

O Cenário atual é de muitos desafios para serem sanados. Precisa-se de planejamento, execução, realização em várias linhas de atuação. Encontramos a secretaria com algumas fragilidades: sem o próprio espaço físico de funcionamento da equipe da secretaria da cultura, segundo depoimentos, por falta de atuação efetiva por parte de um ou outro gestor anterior, principalmente no que diz respeito a realização de ações na própria estrutura de funcionamento; Encontramos os equipamentos de cultura com condições precárias de funcionamento: a Biblioteca pública fechada para acesso do público por volta de 10 meses, sem ar condicionado em alguns ambiente, sem internet que der conta de todo espaço físico, sem bebedouro para o usuário, necessitando de atualização do acervo,  o museu municipal interditado para reforma que encontrava-se parada por mais de dois meses, o piso superior da estação das artes interditado pelo corpo de bombeiros, o memorial da resistência com o museu a céu aberto rasgado e pichado, sem possibilidades de um turista  acompanhar todo o registro da história de Mossoró nos murais ilustrativos, o teatro necessitando de uma reforma interna e externa; a escola de artes com problemas de estrutura física e manutenção de equipamentos. Todos os equipamentos com problemas de segurança com registros constantes de furtos e roubos. Em função da pandemia, as contrapartidas dos artistas em relação aos editais da Lei Aldir Blanc, na sua maioria, não foram realizadas ainda.

 

Com relação à Lei Aldir Blanc, um edital ficou pendente. Como está hoje a situação deste edital?

O Edital nº 006/2020 da Lei Aldir Blanc 14.017/2020, com processo de despesa 1841/2020 foi empenhado e liquidado na gestão anterior. Neste momento encontra-se em tramitação realizando-se análise das certidões negativas de cada um dos proponentes contemplados com os recursos. Passando-se desse procedimento legal seguirá para o financeiro providenciar as transferências dos recursos. Ressaltando que ainda será realizado as contrapartidas dos artistas para posteriormente o município fazer prestação de contas ao governo federal.

 

Que avaliação você faz das últimas duas gestões culturais de Mossoró?

Penso que cada gestor público tem um perfil para sua atuação, se fundamentam em objetivos intrínsecos as suas visões de mundo e por uma proposta de governo para seguir e executar. Nesse interim, prefiro que os gestores anteriores sejam avaliados pelos próprios usuários de suas decisões políticas nos respectivos períodos em que estiveram à frente da pasta da cultura. Como uma de nossas primeiras ações a frente da secretaria de cultura, está sendo chamar todos os fazedores e fazedoras de arte e cultura para fazermos uma esculta sensível sobre a arte e cultura do município de Mossoró, recebemos muitos depoimentos que evidenciam argumentos que caminham para responder essa pergunta. Posteriormente publicizaremos um relatório que dará resposta a pergunta evidenciada.

 

Quais são os grandes desafios seus enquanto gestor cultural neste cenário de pandemia?

Os nossos desafios principais estarão centrados na preocupação com a realização das ações de arte e cultura que envolve a concentração de muitas pessoas. Respeitaremos, portanto, as orientações de segurança da organização mundial da saúde com relação ao cenário da pandemia. Efetivamente esses desafios serão sanados quando tivermos toda a população vacinada e comprovada nossa imunidade quanto a contaminação por covid.

 

O chamado “Corredor Cultural de Mossoró”, tem vários equipamentos em estado de deterioração há alguns anos. Existe algum planejamento para recuperação destas estruturas?

Com exceção da planta do museu que estava em reforma e encontramos paralisada e apenas a planta baixa da Arena concluída, faltando as plantas complementares, encontramos também as plantas de reformas dos outros equipamentos em fase de construção tramitando para conclusão. Resgatamos junto a equipe da Secretaria Municipal de Infra-estrutura, Meio Ambiente, Urbanismo e Serviços Urbanos as demais plantas e solicitamos que se desse andamento e conclusão das respectivas peças de reforma para planejarmos a recuperação dos Equipamentos.

 

Já há um posicionamento a respeito da realização ou não do Mossoró Cidade Junina?

Até o presente momento, estamos seguindo as orientações da Organização Mundial de Saúde quanto a realização de ações envolvendo quantidade significativas de pessoas.

 

Considerações finais:

As ações de cultura no município de Mossoró serão fundamentadas numa política pública de estado para que se tornem sustentáveis ao longo dos anos. Faremos uma gestão participativa, democrática e transparente, pautada no respeito aos fazedores e fazedoras de arte e cultura de todos os cantos sejam aqueles que residem na zona urbana ou tantos outros que se encontram na comunidade rural mais distante do centro da nossa cidade.