Cross Fit do procurador Fernando Rocha

Flagrado se exercitando numa academia de ginástica no segundo dia da retomada da atividade, o procurador federal Fernando Rocha veio a público para, primeiro admitir o erro que cometeu. Rocha, que se notabilizou nas redes sociais pela posição radical contra a reabertura gradual das atividades econômicas no Rio Grande Norte, fez o óbvio: admitiu a contradição de passar a fazer uso de algo contra o qual se opunha de forma radical, criticando todos que ousassem defender a flexibilização das medidas de distanciamento social.

Integrante do Grupo de Trabalho do Ministério Público Federal, Fernando Rocha não resistiu e foi à academia. Não somente caiu em contradição como colocou em xeque a sua atuação e a credibilidade do trabalho dos colegas. E o erro cometido foi tão grande e tão evidente que o procurador anunciou, depois de confessar o arrependimento, que decidiu deixar o grupo de trabalho da Procuradoria da República no Estado.

Mas, Fernando Rocha foi além. Lamentou ter imagens pessoais suas divulgadas em blogs e nas redes sociais. Esquece o procurador que ele é uma pessoa pública, com um excelente salário pago com recursos do contribuinte, servidor da sociedade e pelas posturas adotadas nas mesmas redes sociais não pode reclamar da repercussão do seu gesto e do seu erro. O procurador também anunciou que vai processar quem cometeu “excessos” na divulgação da sua ida à academia.

Rocha deve se preparar para processar toda a sociedade, a mesma sociedade para cuja defesa o Ministério Público foi criado. Fernando Rocha parece esquecer que a liberdade de expressão e a liberdade de imprensa são direitos fundamentais numa Democracia e garantidas na nossa Constituição Federal, a mesma que consagrou o papel e a missão do Ministério Público Federal.

Há depoimentos nas redes e comentários em WhatsApp apontando que o procurador entrou em farmácia sem máscara e se exercitava em locais públicos sem fazer uso do objeto de proteção recomendado mundialmente como uma das formas de prevenção da pandemia do novo Coronavirus, a máscara. Mas isso não vem ao caso.

Para se defender e posar de vítima, o procurador também fez uso da estrutura do MPF/RN. Foi a Assessoria de Imprensa do órgão que tornou público o seu posicionamento.

Resumo da história: para criticar a flexibilização das atividades econômicas, Rocha agiu como procurador da Republica. Nas redes sociais, se valia da sua posição no MPF. Para tentar explicar o que fez, admitir o erro que cometeu e para ameaçar processar blogueiros e jornalistas, continuou se valendo do fato de ser integrante do Ministério Público Federal.

Fernando Rocha só esqueceu que era procurador quando decidiu ir à academia cuja reabertura tanto criticara. Talvez aprenda agora que não basta posar de paladino nas redes sociais e, na primeira ocasião, agir no melhor estilo “faça-o-que-eu-digo-mas-não-faça-o-que-eu-faço”.

Esqueceu que todo e qualquer cidadão tem o mesmo direito à LIBERDADE DE EXPRESSÃO que, por exemplo, um procurador federal. E o sol da opinião pública ilumina tudo. Desde os gabinetes refrigerados das autoridades públicas a uma simples academia de ginástica.

Blog do BG