Atire a primeira pedra

Recentemente um caso de infidelidade matrimonial foi flagrado. As imagens caíram nas redes sociais e o fato tem sido motivo de chacota.Diante disso, muita gente colocou-se na condição de julgar e condenar apenas a mulher envolvida.Recebeu a nova modalidade de apedrejamento: o virtual. Mas ela não traiu sozinha. E o parceiro traidor? Absolvido pela sociedade machista.

Há cerca de dois mil anos algo parecido fora registrado. A Lei mandava apedrejar a mulher adúltera. Levada a presença de Jesus para que Ele se posicionasse, a resposta foi sábia: “Atire-lhe a primeira pedra aquele que estiver isento de pecado”. A sentença de Jesus convocava os homens, supostamente puros emmatéria de sexualidade, a lançarem sobre a companheira infeliz o instrumento rochoso.Convencidos pela própria consciência, foram se retirando um a um.

Conforme O Evangelho Segundo o Espiritismo, essa sentença faz da indulgência um dever para todos nós porque não há ninguémque não necessite dela para si próprio. Ela nos ensina que não devemos julgar com mais severidade os outros, do que nos julgamos a nós mesmos, nem condenar em outrem aquilo de que nos absolvemos. Antes de evidenciarmos uma falta de alguém,vejamos se a mesma censura não nos pode ser feita.

O Espírito Emmanuel, na obra Vida e Sexo, nos alerta que no rol das deserções, fraquezas e delitos do mundo, os problemas afetivos se mostram de tal modo encravados no ser humano, que pessoa alguma da Terra haja escapado, no quantitativo das existências consecutivas, aos chamados “erros do amor”. “Penetre cada um de nós os recessos da própria alma, e, se consegue apresentar comportamento irrepreensível, no imediatismo da vida prática, ante os dias que correm,indague-se, com sinceridade, quanto às próprias tendências. Quem não haja varado transes difíceis, nas áreas do coração, no período da reencarnação em que se encontre, investigue as próprias inclinações e anseios no campo íntimo, e, em sã consciência,verificará que não se acha ausente do emaranhado de conflitos, que remanescem do acervo de lutas sexuais da Humanidade”.
“-Mulher, onde estão aqueles teus acusadores? Ninguém te condenou? – perguntou o Mestre.” Ela respondeu: “- Ninguém, Senhor.” E assim lhe falou Jesus: “Nem Eu te condeno; podes ir e não peques mais.”

Tendo Jesus como exemplo, quando alguém errar não deveremos nós atirar a primeira pedra. Conforme afirmam os Espíritos Superiores, o verdadeiro sentido da palavra caridade é benevolência para com todos, indulgência para as imperfeições dos outros, perdão das ofensas, não humilhação dos que caem em desgraças.