Artistas denunciam “exclusão” do MCJ e desrespeito ao Conselho Municipal de Cultura por parte da Secretaria de Cultura

Secretário Etevaldo Almeida não se posicionou sobre caso denunciado por cantora.

A cantora mossoroense Dayanne Nunes denunciou nesta quarta-feira (09) em suas redes sociais a exclusão do seu nome do processo de contratação do Mossoró Cidade Junina (MCJ), segundo ela, sem uma explicação plausível por parte da Secretaria de Cultura de Mossoró, sendo que ela diz ter cumprido todas as exigências solicitadas pelo edital e tendo seu nome habilitado e publicado no Jornal Oficial de Mossoró (JOM).

Claramente emocionada, Dayanne comenta no vídeo: “Eu adoraria saber porque uma gestão municipal que usa do dinheiro público para fomentar a cultura, na cidade da cultura, Mossoró, e nos faz passar por todo um processo seletivo, por todo um edital, por trâmites, por burocracias, por idas e vindas na secretaria, por papeladas, por documentos autenticados, por todas as comprovações, nos faz passar por isto, nos faz nos desgastar, perder o nosso tempo, o nosso dinheiro, nossa boa vontade, para, no final das contas não me contratar”.

Enviamos pedido de esclarecimento ao secretário Etevaldo Almeida às 10h15min, mas ele não deu nenhum retorno até o fechamento desta matéria, às 21h48min.

 

Fake news, silêncio, trapalhadas e desrespeito ao Conselho Municipal de Cultura

O ator, encenador palhaço e vice-presidente do Conselho Municipal de Políticas Culturais de Mossoró utilizou uma carta onde, além de se solidarizar com Dayanne, também denuncia a propagação de fake news por parte da Secretaria de Cultura, mas também desrespeito ao Conselho, que, segundo ele, não está sendo consultado em várias ações anunciadas pelo secretário Etevaldo Almeida.

 

Leia carta na íntegra:

IMPERA O SILÊNCIO DIANTE DO CAOS

Américo Oliveira

(Ator, encenador e palhaço).

 

Compartilho a minha insatisfação e indignação com o que estamos vivenciando dentro do CMPC. Estamos acompanhando, com muita atenção, o que está acontecendo. Fomos eleitos para representar a classe artística e a sociedade civil. Todavia, temos sentido e estamos percebendo um distanciamento em alguns processos.

O que está acontecendo com a classe artística de Mossoró, através da Prefeitura de Mossoró e da Secretaria de Cultura, é um tremendo desrespeito com os artistas. As mídias têm se calado perante o caos que se apresenta. Alguns artistas estão tendo seus valores rebaixados no ato da contratação. Outros, são excluídos da programação do Mossoró Cidade Junina Virtual.

Por exemplo: o edital das quadrilhas juninas. Não vi nenhuma convocação para o CMPC participar da reunião que houve com o setor junino. Não fomos convocados para analisar o edital. Agora, estamos testemunhando os artistas sendo excluídos da programação do evento. Mesmo artistas de renome e com uma enorme bagagem artística.

Não acabou! Dentro do processo de licitação das bandas, já há relatos de bandas que também estão tendo seus valores rebaixados. Enquanto outras, aumentados. É o que, até então, temos apurado. Percebe-se uma discrepância de fatos entre a realidade e as expectativas e promessas criadas pela Prefeitura. Tudo isso, óbvio, possui o aval do prefeito Allyson Bezerra.

Percebam como a coisa tem funcionado. Nas redes sociais da PMM, por exemplo, circulou a informação de que houve o pagamento de auxílio a um montante de 200 artistas. O que circulou foi distorcido. Saindo do terreno do que é surreal que a Prefeitura gosta tanto de abraçar, o que de fato é real é que esses artistas serão pagos com um cachê, e não com auxílio. Atores, atrizes, produção do Chuva de Bala e das demais atrações do MCJ não receberão auxílio.

Um grupo de artistas mossoroenses protocolou um ofício para que fosse possível sentar com o prefeito no intuito de debater a lei que cria diretrizes para a instituição do Programa Municipal de Fomento como política pública de enfrentamento à calamidade decorrente da pandemia da COVID-19. Para surpresa de ninguém, até agora, não houve nenhuma reunião, convite, chamamento ou convocação para reunião alguma por parte da Prefeitura.

Para nós, artistas, a questão vai além do financeiro. Passa pelo amor em participar de algo importante para a cidade e para os demais setores da cadeia de economia criativa de Mossoró. Aproveito o ensejo para manifestar a minha indignação e deixar a minha solidariedade à cantora Dayanne Nunes, pois a mesma ficou de fora da programação do MCJ mesmo tendo apresentado um portfólio excelente. E o pior, o senhor Secretário de Cultura, Etevaldo Almeida, afirmou em entrevista que todos os artistas classificados no edital do MCJ seriam contemplados dentro da programação. O que, pelo visto, assim não será. Reina a falta de sensibilidade mesmo diante de uma pandemia que trouxe a escassez de trabalho para o setor cultural.

Deixo o meu grito de esperança e de luta por todas e todos que desejam um fazer cultural democrático e acessível. Que pena que nessa gestão que foi eleita, inclusive com a promessa de representarem o “NOVO” da/na política, já se avistem práticas da velha política, como a perseguição, ou a falta de respeito, silêncio e exclusão de artistas ao bel prazer de um jogo impuro e sombrio, que exclui pessoas como se derrubasse peças de um tabuleiro de xadrez.