A Proclamação da República em Mossoró – Geraldo Maia do Nascimento

Em 15 de novembro de 1889 dava-se a Proclamação da República no Brasil. O estabelecimento da República nas antigas províncias diferenciou-se de acordo com a força e a organização local do Partido Republicano e dos Liberais e Conservadores. Variou também com o grau de aceitação dos representantes do antigo regime. Porém, a transição não foi traumática. A preocupação maior, inclusive para os monarquistas, era evitar perturbação na ordem. Em algumas situações, na organização dos governos estaduais, republicanos históricos foram preteridos em favor de antigos monarquistas, os tradicionais donos do poder político e da riqueza material. Em outros, liberais e conservadores continuaram a participar da administração.

No Rio Grande do Norte, a Proclamação da República não foi comemorada, nem despertou reações. Supõe-se que o povo Norte-Riograndense, como os demais brasileiros, não teve consciência da mudança que se operava. Foi um telegrama assinado por José Leão Ferreira Souto, dirigido ao Partido Republicano, que trouxe a notícia da vitória da campanha republicana pela mudança do regime para o Rio Grande do Norte. Os monarquistas se inteiraram da novidade também por telegrama, esse assinado por Umbelino Ferreira Gouveia, datado de 16 de novembro de 1889. Aliás, até a implantação da república, não existia o Partido Republicano no Rio Grande do Norte, apenas focos isolados, comandados por Pedro Velho e Janúncio Nóbrega. Os partidos existentes eram apenas dois: o Conservador e o Liberal. O Republicano só foi oficialmente fundado no Rio Grande do Norte no início de 1889, em Natal, com Pedro Velho, que ainda criou o jornal “A República”, para divulgação partidária.

Proclamada a República, Deodoro assumiu a presidência através de um golpe. Em 1891 foi realizada a primeira eleição para presidente e Deodoro, defendendo uma política centralizadora, foi eleito, derrotando Prudente de Morais e Floriano Peixoto, favoráveis à descentralização. Expressando a divisão do legislativo e a oposição a Deodoro, Floriano foi eleito para a vice-presidência. A bancada potiguar dividiu-se entre Pedro Velho, que apoiava Prudente de Morais, e Amaro Cavalcante, que apoiava Deodoro.

Se na Capital do Estado, a notícia da Proclamação da República foi recebida sem emoção, o mesmo aconteceu em Mossoró, até porque só tomou conhecimento desse fato no dia 5 de dezembro. Não despertou entusiasmo no seio da classe política nem tampouco na opinião pública. A notícia foi apreciada em plenário e um telegrama foi endereçado ao Chefe do Governo Provisório, saudando-o e externando “seu voto de sincera adesão ao sublime governo”, segundo o historiador Luís da Câmara Cascudo.

A frente dos destinos administrativos de Mossoró estava Manuel Cirilo dos Santos, que assumiu a municipalidade em 1887 para um período de quatro anos, no que seria o último do regime imperial. Com a implantação do regime republicano, todas as Câmaras Municipais foram extintas através do Decreto nº 9, de 18 de janeiro de 1890. Para substituí-las, o mesmo decreto criou em cada localidade um Conselho de Intendência Municipal, composto nas cidades de cinco membros e nas vilas de três, sob a presidência de um deles, e de nomeação do governo estadual.  Dos cinco membros nomeados para Mossoró, o escolhido para a Presidência do Conselho de Intendência foi Manuel Benício de Melo.

Assim Mossoró tomou conhecimento da Independência do Brasil.

 

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