A Apicultura no RN – Geraldo Maia

As abelhas existem há milhões de anos. Um fóssil (Meliponinae) de 80 milhões de anos (Cretáceo) encontrado em âmbar na América do Norte (New Jersey) indica que as abelhas devam ter surgido há pelo menos 120 milhões de anos. Evidências de que plantas eram polinizadas por abelhas estão datadas do início do Terciário.

Todos os povos primitivos da Ásia, África e Europa conheciam as abelhas e utilizavam seus produtos e derivados. Os egípcios são considerados os primeiros apicultores, uma vez que 2.400 anos a.C. já criavam abelhas em colmeias de barro. Até hoje, os egípcios mantêm uma dança típica denominada “Passo da Abelha”. Foram muito importantes também para os gregos e romanos. Na Grécia eram valorizadas no comércio e na literatura. As antigas moedas gregas, numa das faces, estampavam uma abelha como símbolo de riqueza. Os romanos veneravam-nas como símbolo de admiração e de defesa de seu território. Por muito tempo, na França, constituía grande honra receber uma medalha de ouro estampando uma colmeia povoada de abelhas. Luís XII, muitas vezes, usava seu pomposo manto real todo bordado de abelhas douradas como sinal de mansidão e bondade. Foi Aristóteles quem primeiro estudou a apicultura.

Somente no século XVII com a ajuda do microscópio é que se fizeram importantes descobertas sobre os aspectos biológicos das abelhas e foram criados os equipamentos especiais para sua cultura racional e exploração econômica.

Até o ano de 1840, só eram criadas no Brasil as abelhas nativas, ou seja, abelhas Melipônicas ou indígenas, que se caracterizam por serem mansas e sem ferrão, que produzem mel de excelente qualidade, mas em menor quantidade.

Em 1845 foi introduzida no Brasil as abelhas Apis mellifera mellifera, pelos colonos alemães, que as espalharam pelo sul do país, principalmente pelo Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Paraná e São Paulo.

Em 1956, o Dr. Warwick Estevam Kerr trouxe da África, para fins científicos, cerca de 50 abelhas rainhas das subespécies Apis mellifera adansonii e Apis mellifera capensis e as introduziu em Piracicaba, interior de São Paulo. Acidentalmente houve uma fuga destas abelhas que acabaram cruzando com as europeias já existentes no país. Desse cruzamento resultaram as abelhas africanizadas, causando problemas sérios na apicultura nacional. Agressivas e migratórias, elas se reproduziram rapidamente e hoje a população de abelhas africanas e africanizadas no Brasil é estimada em 90%. Atualmente alguns apicultores têm trabalhado para aumentar as populações de abelhas europeias puras no país, já que são mansas e muito produtivas.

No Rio Grande do Norte a Apicultura tem se apresentado, nos últimos anos, como uma importante alternativa econômica para o meio rural da região, já que o Estado apresenta um grande potencial natural para a exploração apícola, a partir de sua vegetação com grande diversidade de florada, condições climáticas favoráveis e um número considerável de apicultores.  Essas características são adequadas para a produção do mel com características orgânicas, o mais procurado no mercado internacional porque é totalmente natural, sem nenhum tipo de impureza nem produtos químicos.

Com mais da metade de seu território encravado no semiárido, o Rio Grande do Norte começa a enxergar na apicultura uma alternativa viável para incrementar sua economia.

As abelhas, além de serem os principais agentes polinizadores, produzem alimentos, materiais e produtos para uso terapêutico de excelente qualidade. Dentre os mais importantes estão: mel, pólen, própolis, geleia real, apitoxina e a cera.

Em Mossoró, no semiárido potiguar, o desenvolvimento da cadeia da apicultura passou a ser uma alternativa de ocupação e renda para famílias de pequenos agricultores. Cerca de quatro mil apicultores da região sob influência do município foram capacitados nos últimos anos. O resultado é que hoje o mel produzido na região tem ganhado espaço nos mercados do Brasil e do exterior, movimentando a economia local.

 

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