sábado , 25 de novembro de 2017
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Vivemos dias de Procusto – Francinaldo Rafael

Vivemos dias de Procusto – Francinaldo Rafael

Estamos atravessando um delicado período de exacerbação dos comportamentos extremistas. O egoísmo leva pessoas a impor aos outros regras de moral, padrão de beleza, gostos, etc. Faz recordar o mito de Procusto.

Procusto é um personagem da mitologia grega. A cama de ferro que possuía em casa tinha o exato tamanho dele. Todos os hóspedes eram convidados a se deitarem nela. Se fossem  altos, ele amputava o excesso de comprimento para ajustá-los à cama. Quem tivesse baixa estatura era esticado até atingir  a medida do móvel. Nunca alguém se ajustava exatamente ao tamanho da cama, porque Procusto mantinha secretamente, duas camas de tamanhos diferentes.

Procusto é uma representação da intolerância. Boa metáfora para demonstrar as  várias tentativas de imposição do ser humano ao próximo.

O Espírito Joanna de Ângelis (Leis Morais da Vida – psicografia Divaldo Franco) nos adverte que “a toda criatura é concedida a liberdade de pensar, falar e agir, desde que essa concessão subentenda o respeito aos direitos semelhantes do próximo”. Reforça que a liberdade é a grande luta da Humanidade através dos milênios contra a usurpação, a violência, a hegemonia de forças dominadoras.

A Benfeitora nos lembra também que há muitos críticos na Terra que apenas veem o que lhes é adequado. Apontam facilmente erros, amplificam detalhes negativos mesmo que insignificantes. São perfeccionistas em relação às tarefas alheias, combativos contra os companheiros de labuta, nos quais sempre descobrem falhas. “São críticos, porém, incapazes de aceitar as apreciações que os desagradam. Quando advertidos ou convidados ao diálogo franco, de que se dizem partidários, justificam os enganos e justificam-se, não admitindo admoestações ou corrigendas”, diz ela taxativamente.

Como há muitos desses críticos na Terra, Joanna recomenda que não nos detenhamos nas observações deles. Mesmo que nos agridam, oremos  por eles. “Não tens o dever de agradá-los, é verdade, porém não os tenhas como inimigos”. E nos chama a atenção para o exemplo de Jesus, que impiedosamente perseguido,  fiscalizado e combatido por “defensores da verdade” prosseguiu sereno por saber que os doentes mais infelizes são os que se recusam reconhecer a posição de enfermos, quando os ‘piores cegos são aqueles que não querem ver”.

Por fim, para atravessarmos com um pouco de serenidade esses tormentosos dias, se faz necessário que nos desarmemos interiormente. Que nossas atitudes não sejam  de Procustos da atualidade, e sim, aquela para a qual o Mestre nos convidou: fazer aos outros aquilo que gostaríamos que nos fosse feito.