sábado , 16 de dezembro de 2017
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Um marco histórico de luzes e consolações

Dezoito de abril de 1857, manhã de primavera na Europa. Bem cedo chega à Livraria Dentu, no Palais Royale,   em Paris, uma carruagem trazendo os 1.200 exemplares da primeira edição de uma obra que viria a descortinar novos horizontes para a humanidade. Era o dia do lançamento de O Livro dos Espíritos, o mais excelente repositório de ensinamentos sobre a existência e a natureza dos Espíritos e suas relações com o mundo corpóreo.

A obra contém os princípios básicos da Doutrina Espírita. Esclarece acerca da imortalidade da alma, da natureza dos Espíritos e suas relações com os homens, as leis morais, a vida presente, a vida futura e o futuro da Humanidade. Apresenta ao homem condições para esclarecimentos sobre suas inquietações: o que sou, de onde vim, para onde vou, qual a razão da dor e do sofrimento, qual o sentido da minha existência.

Composto num encadeamento de ideias, O Livro dos Espíritos foi organizado em sua primeira edição com 501 perguntas e respostas. Em 18 de março de 1860, foi publicada a segunda edição, definitiva, revisada e ampliada, com 1.019 questionamentos e os respectivos esclarecimentos. Em várias oportunidades, Allan Kardec enfatizou que o livro é a reunião dos ensinamentos ditados pelos Espíritos Superiores e publicado por ordem deles. Nada contém que não seja a expressão do pensamento deles e que não lhes tenha sofrido o controle. Só a ordem e a distribuição metódica das matérias, assim como as notas e a forma de algumas partes da redação pertencem a Kardec, O Codificador.

A partir daquele dia, a doutrina nascente despertou a atenção da sociedade parisiense, e em seguida, em outros pontos da Europa, com repercussão pelas Américas. O escritor francês Victorien Sardou leu a obra e escreveu a Kardec ressaltando que “(…) todos os grandes problemas ali são resolvidos, mesmo aqueles que os mais ilustres filósofos não puderem resolver”. O sr. G. Du Chalard publicou um artigo no “Courrier de Paris”, onde enfatizava: “A todos os deserdados da Terra, a todos quantos avançam ou caem, regando com as lágrimas o pó da estrada, diremos: lede ‘O Livro dos Espíritos’; ele vos tornará mais fortes”. O abade Leçanu, em sua obra “História de Satanás”, destacou: “Observando-se as máximas de ‘O Livro dos Espíritos’, de Allan Kardec, faz-se o bastante para se tornar santo na Terra”.

Ao longo desses 159 anos, o Espiritismo tem mostrado novas perspectivas as criaturas humanas. Proporciona esclarecimentos de forma racional em relação a jornada de cada um, sob o olhar das Leis Divinas, eternas e imutáveis. Também pela revelação objetiva das vivências sucessivas e o processo contínuo de aprendizado na busca do aperfeiçoamento através das nuances que a vida oferece. Seus ensinamentos conduzem o homem a redescoberta de si mesmo.

No Rio Grande do Norte, 18 de abril foi oficializado como o Dia do Espírita, através de projeto do deputado Nélter Queiroz, sancionado pelo então governador Garibaldi Alves Filho, em 1996.