sábado , 25 de novembro de 2017
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Palhinha

Thadeu Brandão – Meu primeiro livro e a primeira professora

Ambos aconteceram ao mesmo tempo. Minha primeira professora, Irmã Beatriz, Filha do Amor Divino, educadora do Colégio Nossa Senhora do Carmo em Nova Cruz, naquele hoje distante 1980. Foi minha querida professora que primeiro pegou em minhas mãos e iniciou minha alfabetização eu, com seu apoio, estava firmada aos 5 anos de idade.

Naquela época, malgrado os percalços de minha vida, morava com meus avós e tias, na pequenina Nova Cruz, Agreste do Rio Grande do Norte. Longe de meus pais, por questões de saúde, eu tive a primeira parte de minha infância a felicidade de correr livre em uma cidade do interior, ainda sem os percalços da violência, andando e brincando, soltando pipa, jogando bola e subindo em cima dos muros para cantar.

Meus vizinhos da frente, donos de uma bodega sortida, casal maravilhoso e já falecido, me mimavam com doces e muitos afagos. Na verdade, o pequeno galeguinho era o xodó da rua da feira (farinha) do centro de Nova Cruz.

Irmã Beatriz era meu consolo escolar. sempre paciente, seu olhar bondoso e caridoso viu em mim algo que muitos não viram. Deu de presente algo que trago até hoje: meu primeiro livrinho, “A Palhinha do Presépio”, que com carinho dobrado repassei ao meu menino. Lembro como se fosse hoje o dia em que recebi o presente. Estava eu, minha avó paterna, Maria de Lourdes e a Irmã Beatriz. Meu primeiro de milhares. Meu primeiro que até hoje está comigo e que me levou a mais fantástica jornada de minha vida: a libertação de minha alma e a inserção no mundo da luz do saber. E foi uma freira católica quem fez isso. Uma santa, não tenho dúvidas.

Hoje soube que ela partiu. 99 anos bem vividos e dedicados à sua ordem e a educação. O que dizer minha querida professora? Tantos anos de distância, ainda posso sentir sua presença, mesmo em cada um dos professores, do maternal à pós-graduação, que me deram a mão, que não desistiram de mim, que comigo trilharam o árduo caminho do saber.

Irmã Beatriz, minha primeira professora, minha singela homenagem. De seu eterno galeguinho, a minha eterna gratidão.