sexta-feira , 6 de dezembro de 2019
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PROFESSORES DA VELHA GERAÇÃO – Wilson Bezerra

Sem querer querendo, como muito bem diz o dito popular, ou desculpa esfarrapada, que embora popular ou esfarrapada retrata uma intenção de alguém em fazer referência a coisas e fatos relacionados a algo.

Assim, folheando as páginas dos arquivos escritos, amarrotados pelo tempo, quando o historiador e pesquisador Raimundo Soares de Brito organizou seu arquivo, me deparei com um artigo do saudoso professor e escritor Damião Sabino, que durante época não só conviveu no bairro dos Pintos, como por toda sociedade, ensinando em colégios, escrevendo para os jornais da cidade e produzindo livros que os publicou. Era um abnegado, idealista e lutador para a conquista do saber.

Foi num desses postais que o saudoso Damião Sabino escreveu sobre vários professores antigos, entre estes Ataulfo Fernandes de Oliveira destacada figura no mundo odontológico, mais especialmente no magistério, onde exerceu por muitos anos a maestria ensinando Ciência, que muito contribuiu para a formação pedagógica de muitos profissionais da carreira do magistério ou outras funções da preferência de cada um deles.

No Centro Educacional Jerônimo Rosado, chamado de Colégio Estadual, que durante décadas foi um dos maiores colégios, com vinte e quatro salas de aulas, cada uma delas com o mínimo 40 alunos, funcionando em quatro turnos, o professor Ataulfo dedicou parte de sua vida com fiel cumprimento do dever.

À época estávamos na direção do colégio quando o professor Ataulfo nos chamou para dizer que estava para deixar de ensinar. Perguntei-lhe:

– Por que o professor tem esse desejo antes de chegar à aposentadoria?

– Meu amigo, eu faço todo esforço para comparecer à sala de aula, bem trajado, paletó e gravata, enquanto outros chegam até de bermudas, portanto me sinto desambientado, até meio apalhaçado.

– Talvez, professor, seja essa a modernidade que ameaça dominar o tempo.

– Mas, não dá para meu modo de vida e vou deixar o quanto antes a sala de aula.

– E assim foi feito. Voltou o professor Ataulfo ao seu gabinete dentário a cumprir expediente, abandonando por completo o magistério. Este perdeu um grande mestre e a Odontologia aproveitou seus esforços por mais algum tempo, até chgar o momento de se aposentar.

Assim agindo, não teve o professor Ataulfo que esperar a modernidade e a formação de nova sociedade na educação.