terça-feira , 17 de outubro de 2017
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Nosso papel é a notícia

Não trago no bolso um discurso pronto sobre a última edição impressa do O Mossoroense. Na verdade, nem me preocupei em garimpar palavras especiais para este significativo momento.
Talvez por saber que, em quase um século e meio de existência, o jornal de Jeremias da Rocha Nogueira sempre cumpriu o seu dever, vivenciando o espírito de cada época de braços dados com o futuro.

Em 1986, quando cheguei aqui, ainda se utilizavam tipos móveis na confecção dos títulos e as matérias eram compostas em máquinas de datilografia elétricas. Esse material ganhava forma depois de recortado com tesoura, diagramado em papel 40, fotografado numa máquina gigante denominada fotolito, gravado em chapas de metal sensíveis à luz e impressos no sistema offset, numa Big Chief 29.

Informações de outros lugares nos chegavam via telex e somente depois – muito depois – por fax.

Veio a Forma Composer, o microcomputador, a internet, chegaram os tablets, os celulares, os smartphones, as redes sociais.

Desde 1999, a “folha centenária” se apresenta em ambiente virtual, primeiro de forma estática, repercutindo o conteúdo impresso. Com a implantação do jornalismo on-line, o processo inverteu-se: a plataforma de tinta e papel passou a servir de eco ao que se publicava na rede mundial de computadores.

Os leitores também mudaram o comportamento. De cem acessos digitais contra tiragens que atingiam cinco mil exemplares, chega-se à distância abissal entre as 80 mil páginas virtuais acessadas e os mil exemplares tirados por dia.

O passo de hoje é necessário e natural, embora pareça tão ousado e pioneiro quanto o de Jeremias da Rocha Nogueira, naquele 17 de outubro de 1872.

Tenho orgulho de fazer parte desta história e desta equipe que testemunha a inauguração de uma nova era para o jovem centenário que não se assombra com as transformações e não tem medo de evoluir.

Ou alguém acha que deveríamos, por saudosismo, voltar aos tipos móveis?

“O meio”, já dizia McLuhan, “é a mensagem”. Nosso papel é a notícia. E o mundo, nosso limite.