domingo , 19 de janeiro de 2020
Home / Destaques / Laíre Rosado – Cinquentenário
Colação Grau Medicina

Laíre Rosado – Cinquentenário

Há cinquenta anos, em um 13 de dezembro, voltava, em definitivo, à Mossoró. Na véspera, havia recebido o diploma de médico pela Faculdade de Medicina da Universidade Federal do Rio Grande do Norte, depois de dez anos estudando em Natal. Desde sempre ao meu lado, Sandra Maria da Escóssia Rosado, nesse mesmo mês, havia concluído o segundo grau, na Escola Doméstica de Natal e dias depois, para minha alegria, era aprovada no vestibular para a Faculdade de Serviço Social na Fundação Universidade Regional do Rio Grande do Norte. Nessa época, é claro, já estávamos namorando, o que significa mais de 50 anos de entendimento. Depois, Sandra concluiu o curso de direito na Universidade Potiguar do RN.

É muito tempo, mas lembro que meu irmão, Laéte Gurgel Rosado, foi nos deixar na Estação Rodoviária, em frente à Faculdade de Direito, para que embarcássemos em um ônibus da Viação Nordeste, com destino à Mossoró. Olhou para mim, muito sério, e disse, “meu irmão, a partir de hoje, você inicia uma nova vida. Tenho certeza que você será vitorioso como médico, em Mossoró. No próximo ano, será minha vez”. Laéte, passava a cursar o 6º ano de medicina. Estava mais emocionado que eu.

Ontem, 12 de dezembro, 1969, foi a cerimônia de colação de grau. A primeira reunindo todas as faculdades, com um orador escolhido pelo próprio diretor da Faculdade de Medicina. Quase que todas as faculdades, nos dias que antecederam a grande festa, realizaram suas colações de grau, isoladamente. A solenidade foi na Praça Cívica, antes, praça Djalma Maranhão. Realizamos a nossa no Teatro Alberto Maranhão e fui escolhido para ser o orador.

Não gosto de falar na primeira pessoa, mas voltarei ao assunto, porque muitos fatos que aconteceram no mundo acadêmico dessa época merecem registro, por terem acontecido durante o regime militar. São fatos que não foram registrados, porque vividos unicamente no meio acadêmico e, muitas vezes, às escondidas, para evitar prisões e torturas praticadas pela repressão militar existente no momento.