quarta-feira , 19 de dezembro de 2018
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Na manhã desta sexta-feira (13), muitos estudantes, alguns deles mascarados, impediam o acesso de pessoas não ligadas ao movimento aos andares superiores do prédio. Foto: Julio Minasi
Na manhã desta sexta-feira (13), muitos estudantes, alguns deles mascarados, impediam o acesso de pessoas não ligadas ao movimento aos andares superiores do prédio. Foto: Julio Minasi

Estudantes revezam-se em ocupação da reitoria da UnB

Cerca de 180 estudantes revezam-se, desde as 14 horas desta quinta-feira (12), na ocupação da reitoria da Universidade de Brasília (UnB). Segundo os estudantes, o ato é em defesa de verbas para o custeio das atividades acadêmicas.  Eles querem uma audiência com a direção da universidade e pretendem manter o movimento até segunda-feira (16). A UnB informou que poderá participar da reunião.

Na manhã desta sexta-feira (13), muitos estudantes, alguns deles mascarados, impediam o acesso de pessoas não ligadas ao movimento aos andares superiores do prédio. As janelas do último andar, onde fica a reitoria, ficaram cobertas, e não era possível ver o interior da sala. Segundo seguranças do prédio, a ocupação foi tranquila e rápida, com os estudantes indo direto às diretorias, onde permaneceram, e não houve problemas durante a madrugada.

A coordenadora-geral do Diretório Central  dos Estudantes (DCE) da UnB, Scarlett Rocha, disse que a entidade não participou da ocupação e que a entidade definirá sua posição sobre o ato e as recentes reivindicações feitas  em manifestações no campus e no Ministério da Educação (MEC) em assembleia na próxima segunda-feira (16).  “Ao que parece, a ocupação já está consolidada, tranquila e organizada”, afirmou Scarlett.

Ela ressaltou que, no DCE, há um grupo favorável à manutenção do foco das reivindicações no MEC, e não na UnB. Scarlett considera justas as reivindicações dos estudantes que ocupam a reitoria, mas defende a ampliação das discussões para uma gama maior da comunidade universitária. “Há uma tendência de, a exemplo UnB, da Universidade Federal do Paraná e da Universidade Federal de São Paulo, o movimento de ocupação se nacionalizar”, afirmou.

A ocupação da reitoria da UnB ocorre em meio a uma crise financeira que atinge também outras universidades públicas. A instituição havia anunciado que, diante da restrição orçamentária, adotaria medidas de redução de recursos, como a demissão de funcionários terceirizados, o cancelamento de contratos de estágio e aumento nos preços no restaurante universitário.

Em nota no Facebook, os estudantes que ocupam a reitoria manifestaram-se contra as medidas e defenderam a manutenção das bolsas de permanência, pagas a alunos de baixa renda, e a volta dos porteiros no turno da noite. Sobre a situação financeira, pedem que o MEC libere as verbas arrecadadas pela UnB, além de transparência nas contas e auditoria nos contratos com prestadores de serviço.

Crise financeira

A direção da UnB já havia informado que os recursos disponíveis eram insuficientes para o custeio da estrutura. Em março, em audiência aberta à comunidade, foi apresentado o quadro financeiro, e a reitoria estimou déficit de R$ 92 milhões para o ano de 2018.

Na terça-feira (10), estudantes, professores e servidores promoveram um ato em frente ao MEC e pediram mais recursos. Eles ocuparam a sede do Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação.

Divergências

Segundo o MEC, as informações apresentadas pela direção da UnB são diferentes dos dados oficiais. De acordo com o Executivo, o orçamento da universidade aumentou de R$ 1,66 bilhão para R$ 1,73 bilhão de 2017 para 2018. As verbas para custeio tiveram aumento de 12%, e 60% já foram liberadas este ano.

Em nota divulgada ontem, a reitoria da UnB respondeu ao MEC. Conforme a UnB, embora o orçamento global tenha aumentado, os recursos para manutenção caíram de R$ 379 milhões, em 2016, para R$ 229 milhões, em 2018. Segundo a UnB, a verba para manutenção foi reduzida em R$ 80 milhões. Para a UnB, o problema é a verba prevista para este ano ser insuficiente. No comunicado, a instituição informa que vem adotando medidas de economia, como cortes em contratos terceirizados e economia em consumo de água, e diz que apresentou ao MEC um plano de obras para colocar as demandas de investimento para o ano.

Agência Brasil