quinta-feira , 13 de dezembro de 2018
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A solução não está em uma cartola

Em tempos de descrédito recorde da classe política, outsiders tentam entrar na política atacando os que estão nela há mais tempo, pregando o novo, dizendo ser o midas e que todos os problemas só não foram solucionados antes porque os outros são oligarquias, raposas velhas, incompetentes e todos os demais adjetivos pejorativos que encontram.

Vimos isso em Mossoró, quando o então vereador Francisco José Jr venceu a eleição dizendo ser a novidade da política, que Mossoró viveria um ciclo de ouro do desenvolvimento caso aposentasse nomes com muitos anos serviços prestados à cidade. Sempre válido lembrar também a ajuda que recebeu algumas pessoas propagando que outros candidatos não tinham aval da justiça.

Nas eleições de 2016 tivemos em todo o Brasil candidatos que se diziam empresários e até quase santos, que era hora de aposentar os “velhos”. Velho aqui não significa necessariamente a idade, mas, para os que se diziam novidade, todos aqueles que não tivessem embarcado em seu sonho político de vencer os adversários políticos afirmando não ser político, mesmo que seus palanques tivessem alguns políticos com práticas políticas bem ultrapassadas. Entendeu? Eu não.

Em São Paulo, maior cidade do Brasil, vimos o empresário da comunicação João Dória vencer pregando que ele, sim, saberia consertar a cidade. Fez ao longo de 11 meses de gestão mais de 40 viagens pelo mundo, não entregou o que prometeu e fez muito marketing político eleitoral, por exemplo, plantando árvores de Pau Brasil afirmando ser uma homenagem “ao maior cara de pau do Brasil, Luis Inácio Lula da Silva”, numa clara intenção de rivalizar com o nome que lidera as pesquisas da corrida presidencial de 2018.

Outro fato que chama atenção em quem não é da política, é a falta de tato para lidar com situações que o desagradem. O empresário geralmente se recusa à ouvir crítica, mas político precisa saber ouvir, já que são servidores da sociedade. Mais uma vez recorro a Dória, que jogou um buquê de rosas no chão ao recebê-lo de ciclistas que manifestavam pro mais segurança. Em outro episódio, o prefeito demitiu um subprefeito porque o mesmo afirmou que faltava dinheiro para ações. O prefeito demitiu-o afirmando que ele deveria ter tido criatividade. O problema é que agora, quando vê pesquisa mostrar que 39% dos paulistanos consideram sua gestão ruim ou péssima e apenas 29% bom e ótimo, Dória diz que seu problema é a falta de dinheiro deixada pelo antecessor, o petista Fernando Haddad.

Para 2018 temos vários nomes prometendo resolver tudo com um simples toque da mão. O Brasil e seus Estados passam por problemas sérios e precisarão de muito trabalho para consertar. É bom ficar de olho para não comecer o erro que Mossoró cometeu em 2014, para não eleger quem muito promete o que não terá condições de entregar.

Político, seja ele iniciante na vida pública ou antigo nas lutas eleitorais, precisa compreender que os tempos são outros, que o povo tem mais acesso à informação (falsa e verdadeira), que precisa saber lidar com a escasses de recursos e, cada vez mais, a falta de paciência da sociedade.

Definitivamente, a solução não está guardada em uma cartola de Mandrak ou de qualquer outro mágico.