sábado , 22 de setembro de 2018
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A lei de Chico de Brito – Wilson Bezerra

Diz a tradição histórica que a voz do povo é a voz de Deus, mesmo não sendo puramente verdadeira, porque o povo até hoje, pelo menos nesse País chamado Brasil, nunca teve vez. O povo daqui é considerado o terceiro estado da França pouco antes da salvadora Revolução Francesa, que derrubou o império de Luiz XV.

Mais tem outra questão que podemos muito bem enquadrar com o dito popular, por sinal pode muito bem ser considerada uma sabedoria do povo. É a história de que se não fizer a coisa como manda a coisa, é aplicada a Lei e Chico de Brito. Quem é esse homem, Chico de Brito? Não sabemos quem seja, mas a coisa gira mais ou menos assim: ele cobre de borrada quem não fizer como manda a ordem.

Essa história se enquadra perfeitamente na nossa história brasileira. Se o trabalhador se considerar prejudicado com as atitudes arbitrárias do Governante, o pau troa.

Diz uma chamada Lei Trabalhista que o único instrumento de defesa dos direitos operários é a greve. Com ela a categoria prejudicada pode se aproximar do PATRÃOZÃO, o Governo, e dizer que a chicotada está demais. As coisas estão aumentando demais, sem ocorrer aumento de salário ou qualquer que seja a imagem do demônio, a gasolina, por exemplo, que é a base de todos os aumentos, e se fizer greve vai para a Lei de Chico de Brito, e ao que parece vai mesmo.

No momento em que uma categoria se manifesta contrário às atitudes arbitrárias praticadas pelo Governo, funciona impiedosamente essa Lei de Chico de Brito. O governo revida com violência, mesmo não estando sendo usada a violência para exigir piedade quanto às atitudes impiedosas do Governo. A força policial é acionada com armas e cassetetes, o exercito nacional também é levado às ruas, como força repressiva para agir e, mais ainda, a Polícia Rodoviária Federal vai também com seu poder absoluto revidar o pleito, ordenando, inclusive, multas, a ação judicial convocada pelo governo para acabar de qualquer forma o movimento reivindicatório.

Enfim, acaba-se aí a chamada e inexistente Democracia, porque tira o direito de reivindicar de qualquer classe trabalhadora. A prática democrática mais uma vez não passa de uma balela. Quem tentar defender seu direito de sobreviver deve ficar ciente que vai passar no pente fino, sofrer as consequências de uma maldita Lei de Chico de Brito, que nada mais é do que mais uma arbitrariedade do poder governamental, que tem a seu favor a lei por ele criada para sua defesa. Que o digam os caminhoneiros.