segunda-feira, 2 de fevereiro de 2026
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OPINIÃO: ““MERCADO” E INFLUÊNCIA NOS GOVERNOS”

 

Ney Lopes

No Brasil de hoje assemelham-se a capítulos de novelas emocionantes, o tempo decorrido entre o anuncio dos novos auxiliares do Governo Federal pelo presidente Lula e a opinião do chamado “mercado”.

Quando o mercado aplaude, até petistas se alegram.

Ao contrário, as opiniões se dividem e o escolhido já começa com a pecha de ter o mercado contra si.

Para deixar claro, não se nega que o mercado seja importante e influa nas relações econômicas.

Todavia, quando se trata de governo o mercado não pode ser a bussola para a última palavra nas decisões da economia.

O lucro financeiro das empresas não é a mesma coisa do lucro social que os governos devem buscar nas democracias.

Em nosso país, as forças econômicas que dominam o PIB estão concentradas sobretudo no eixo SP e MG.

O comerciante ou até industrial do RN, por exemplo, está no mercado, porém muito longe da influência e benesses recebidas pelos lobbies dos megas empresários sulistas, cuja maior preocupação é que a concorrência do Nordeste não os prejudique.

O mais interessante é que, quando o mercado prevalece no comando da economia, esses nossos empresários locais pagam a conta, juntamente com o restante da população.

O Estado concede incentivos fiscais às grandes e ignora e até sufoca, as pequenas e médias empresas.

Quando muito dá “esmolas”.

Mesmo assim, empresários locais batem palmas e adotam o mesmo discurso dos sulistas, regra geral sem ter o alcance e conhecimento das consequências.

Pura ingenuidade.

Nesta análise, considere-se que mercado seja uma metáfora (sentido figurado) usada na economia para mostrar as riquezas e a forma de explorá-las.

O seu funcionamento está condicionado a vários fatores nacionais, sobretudo de ordem cultural e política.

Ouvi recentemente um desses “mestres” que se consideram “donos da verdade“ dizer que o mercado não tem alma.

Realmente, não tem.

Mas sendo um mecanismo que age sobre pessoas humanas é necessário que os governos, através dos planejadores, deem “alma” e “sensibilidade social” a esse mercado.

Nem todas pessoas nasceram para produzir lucro e mesmo assim têm que ser beneficiadas pelos governos.

Economistas já envelhecidos, como Delfim Neto, não perdem a lucidez e declaram: “Livre mercado é incapaz de indicar o caminho do crescimento’.

Não se coloque essa frase como condenação ao livre mercado.

Em absoluto.

Apenas, significa a necessidade de investimentos públicos e privados simultâneos.

Até porque, na prática só prospera o investimento privado, quando há investimento público.

Nas escolhas para a composição do futuro governo federal é necessário que a atividade econômica do país, em fase de crise, tenha tolerância para ajudar a encontrar caminhos que construam a Paz social, atendendo todas as classes sociais.

Não funciona essa história de crescer para depois distribuir.

O mercado deve ser um instrumento, que facilite a distribuição justa da riqueza, ao mesmo tempo em que a economia cresce.

Essa deve ser a dimensão da influência do mercado sobre os governos democráticos.

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