quinta-feira, 29 de janeiro de 2026
InícioEstadoMeteorologistas afirmam que chuvas no final do ano não têm relação com...

Meteorologistas afirmam que chuvas no final do ano não têm relação com inverno de 2016

Após alguns dias de forte calor, Mossoró volta a ter dias mais amenos e com leves pancadas de chuva devido ao vórtice ciclônico de ar superior, mesma condição climática que causou chuvas no Oeste potiguar há 10 dias. O meteorologista da Empresa de Pesquisa Agropecuária do Rio Grande do Norte (Emparn), Gilmar Bistrot, ressalta, porém, que os eventos não têm relação com o período chuvoso do próximo ano.

“Essas chuvas causam uma sensação na população de que, devido à aproximação do nosso período chuvoso, que vai de fevereiro a maio, elas sejam um indicador de um bom inverno na região Nordeste no próximo ano. Entretanto, esses eventos não têm nada a ver com as chuvas do próximo ano”, afirma.

Gilmar Bistrot explica ainda que as chuvas causadas pelo vórtice ciclônico de ar superior não têm a intensidade necessária para sanar os problemas de abastecimento do Estado. Ele aponta que, geralmente, o evento costuma ter curta duração e, desta vez, deve se prolongar sobre o Rio Grande do Norte até a primeira semana de janeiro.

“O vórtice ciclônico de ar superior trouxe a zona de convergência para o Nordeste e, devido às condições de vento e à maior temperatura da água do oceano Atlântico, ainda deve gerar chuvas sobre os estados por mais uns 10 dias, pois estas condições favorecem uma maior duração deste fenômeno”, conta o meteorologista.

No Rio Grande do Norte, o vórtice ciclônico de ar superior chegou a causar chuva de granizo em municípios da região Oeste no final do ano passado. Este ano, o fenômeno renovou as esperanças de potiguares que enfrentam a seca em cidades como Apodi e Caicó.

A seca atualmente enfrentada pelo Nordeste brasileiro foi apontada pela Federação da Agricultura e Pecuária do Piauí (Feapi) como a pior dos últimos 50 anos. Já em relação ao RN, a estiagem foi apontada pela Emparn como a pior dos últimos 100 anos. Este ano, 153 dos 167 municípios potiguares decretaram estado de emergência devido à falta de chuvas, sendo que 122 tiveram de ser abastecidos por carros-pipa.

Panorama para o período chuvoso de 2016 ainda é incerto

Gilmar Bistrot informa que, embora ainda não seja possível elaborar previsões para o período chuvoso 2016, as mudanças climáticas das últimas semanas podem indicar panorama menos negativo para o próximo inverno. Em outubro deste ano, a Agência Nacional de Águas (ANA) anunciou a possibilidade de seca extrema no Nordeste em 2016 por causa do El Niño, porém, o fenômeno que causa aquecimento nas águas do oceano Pacífico tem perdido a força.

“Vamos continuar acompanhando os indicadores. Ainda é cedo para traçarmos previsões sobre o inverno de 2016, pois não é possível saber se fatores como a perda de foco do El Niño e aquecimento do Atlântico Sul vão continuar e favorecer o regime de chuvas no Nordeste no próximo ano”, disse.

O Nordeste brasileiro enfrenta seca desde o ano de 2011. De acordo com o Monitor de Secas do NE do Brasil, quase toda a região apresentou volumes de chuva acumulados inferiores a 20 mm em novembro deste ano. O panorama apresentado pelo monitor é de seca moderada à seca excepcional, com quase 50% do território potiguar enquadrado nesta última categoria, de maior gravidade.

NOTÍCIAS RELACIONADAS

DEIXE UMA RESPOSTA

Por favor digite seu comentário!
Por favor, digite seu nome aqui
Captcha verification failed!
Falha na pontuação do usuário captcha. Por favor, entre em contato conosco!
- Advertisment -

Notícias Recentes