sexta-feira, 30 de janeiro de 2026
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O Palacete de Antônio Florêncio – por Geraldo Maia do Nascimento

O Palacete de Antônio Florêncio

O prédio onde funciona atualmente a Secretaria Municipal de Finanças, na esquina da Av. Alberto Maranhão com a Av. Augusto Severo, no centro de Mossoró, foi construído em 1930 para servir de residência ao seu proprietário, o industrial Antônio Florêncio de Almeida e tem uma particularidade: foi o primeiro prédio construído em Mossoró usando-se em suas estruturas, vigas de cimento armado, assinalando assim o começo de uma nova era no setor de construção, haja vista que até então todos os sobrados da cidade tinham vigas de madeira, principalmente de carnaúba, madeira abundante na região.

O seu construtor foi o mestre de obras Joãozinho de Zuza, que ao lado de outros grandes construtores, como Francisco Paulino, João Dias, o velho Darico e de outros da mesma estirpe, tanto contribuíram para o embelezamento da cidade, à época em que viveram.

Os salões do palacete abrigaram, por várias vezes, a sociedade mossoroense em suntuosos bailes e luxuosos banquetes, numa prática muito usada na época, não somente ali, mas em outras mansões. A professora Ozelita Cascudo, em um depoimento sobre como era a vida social de Mossoró no passado, diz: “Li, certa vez, que as cidades também têm alma. Acho que Mossoró, naquela época, tinha mais vida, tinha alma, era mais alegre, sentia-se nela a alegria de viver. (…) A vida social do meu tempo era mais intensiva, havia mais entusiasmo, mais cultura. Lembro-me de que as festas se realizavam nas residências, como a de Antônio Florêncio de Almeida, onde haviam bailes carnavalescos, saraus dançantes, etc.”

Esse mesmo palacete, em épocas passadas, serviu de sede à Prefeitura Municipal durante as gestões do prefeito Antônio Rodrigues e Raimundo Soares de Souza, bem como a Câmara Municipal, segundo nos informa o historiador Raimundo Soares de Brito, em seu livro “Casarões e Monumentos Contam a História (Coleção Mossoroense – Série B – Nº 1085 – 1991).

Dos velhos casarões da cidade, o palacete de Antônio Florêncio é um dos mais bem preservados, haja vista que muito pouco dos seus traços originais foram modificados. A fachada foi preservada original, tendo apenas as suas cores modificadas. No interior, poucas modificações para se adequar ao uso atual, mantendo as portas e o piso originais.

É interessante lembrar de como se construía casas naquela época. Não havia loja de material de construção que vendesse tijolos, telhas, fornecesse areia, barro, cal ou qualquer outro material primário para a construção. Escolhia-se, portanto um local onde existisse material argiloso, dali tiravam o barro para moldar os tijolos e telhas. No mesmo local esse material era queimado para se tornar resistente, como ainda hoje vemos em locais próximo ao município de Assu, que mantem essa prática de confecção de tijolos artesanais. A areia era trazida da beira do rio, principalmente na época de seca, pois no inverso o rio alagava todas as margens, tornando-as lamacentas; e a cal sempre houve em abundância aqui na região, mas tinha-se que queimar a pedra para extrai-la. Não existindo cimento, a argamassa usada nas construções era feita de areia, barro e cal, que servia para juntar os tijolos e também para o reboco e acabamento final. E como ainda não se conhecia a técnica de construção de pilares de ferro, as paredes tinham que ser dobradas, ou seja, com tijolos duplos, para que a estrutura suportasse o peso de telhado. Toda a estrutura de madeira era feita, principalmente de tronco de carnaúba, tanto pela abundância dessa madeira na região, como por ser bastante resistente e difícil de ser atacada por cupim. O palacete de Antônio Florêncio, como já citamos, foi um marco para a construção em Mossoró, pois nela, pela primeira vez se usou estrutura de concreto, o que era uma novidade para a região.

Noventa e três anos se passaram e o palacete de Antônio Florêncio continua forte e belo. Um exemplo para os demais que continuam sendo demolidos sem nenhum respeito pela história que eles encerram.

pesquisador e historiador Geraldo Maia do Nascimento – [email protected]

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