quinta-feira, 29 de janeiro de 2026
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Leão XIV: estabelecer uma pastoral solidária, sem julgamentos, que saiba acolher a todos

Mariangela Jaguraba – Vatican News

O Papa Leão XIV abriu oficialmente o novo ano pastoral da Diocese de Roma com a Assembleia Diocesana realizada, na tarde desta sexta-feira (19/09), na Basílica de São João de Latrão.

O Pontífice iniciou o seu discurso, agradecendo aos presentes, em sua catedral, sede da Diocese de Roma, por sua presença e “pela alegria de seu discipulado, pelo trabalho pastoral, pelos fardos que carregam e pelos que tiram dos ombros de muitos que batem às portas das suas comunidades”.

Leão XIV destacou a palavra “dom”, dita por Jesus à Samaritana, “Se você conhecesse o dom de Deus”, indicando que “este dom é o Espírito Santo, que sacia a nossa sede e irriga a nossa aridez, iluminando o nosso caminho”. Indica também “o Espírito Santo, o Espírito criador capaz de renovar todas as coisas”, conforme usada nos Atos dos Apóstolos pelo Evangelista Lucas.

O Papa na Basílica de São João de Latrão para a abertura do ano pastoral da Diocese de Roma
O Papa na Basílica de São João de Latrão para a abertura do ano pastoral da Diocese de Roma   (@Vatican Media)

Caminho sinodal

De acordo com o Papa, “através do processo sinodal, o Espírito suscitou a esperança de uma renovação eclesial, capaz de revitalizar as comunidades, para que cresçam no estilo evangélico, na proximidade a Deus e na presença do serviço e do testemunho no mundo”.

“O fruto do caminho sinodal, após um longo período de escuta e debate, foi, antes de tudo, o impulso a valorizar os ministérios e os carismas, inspirando-se na vocação batismal, colocando no centro a relação com Cristo e o acolhimento dos irmãos, começando pelos mais pobres, partilhando suas alegrias e dores, suas esperanças e esforços.”

Segundo Leão XIV, “desta forma, é destacado o caráter sacramental da Igreja que, como sinal do amor de Deus pela humanidade, é chamada a ser canal privilegiado para que a água viva do Espírito possa chegar a todos. Isso requer a exemplaridade do povo santo de Deus. Como sabemos, sacramentalidade e exemplaridade são dois conceitos-chave da eclesiologia do Concílio Vaticano II e da hermenêutica do Papa Francisco”. “Vocês se lembrarão o quanto ele apreciava o tema patrístico do mysterium lunae, ou seja, da Igreja vista no reflexo da luz de Cristo, da relação com Ele, sol da justiça e luz das nações”, acrescentou.

O Papa na Basílica de São João de Latrão para a abertura do ano pastoral da Diocese de Roma
O Papa na Basílica de São João de Latrão para a abertura do ano pastoral da Diocese de Roma   (@Vatican Media)

Laboratório de sinodalidade

Na nota que acompanha o Documento Final da XVI Assembleia Sinodal, o Papa Francisco escreveu que ele “contém indicações que, à luz de suas orientações básicas, já podem ser acolhidas pelas Igrejas locais e pelos agrupamentos de Igrejas, levando em consideração os diferentes contextos, o que já foi feito e o que ainda precisa ser feito para aprender e desenvolver cada vez mais o estilo específico da Igreja sinodal missionária”.

“Pois bem, cabe-nos agora trabalhar para que a Igreja que vive em Roma se torne um laboratório de sinodalidade, capaz — com a graça de Deus — de realizar “obras do Evangelho” num contexto eclesial marcado por desafios, especialmente na transmissão da fé, e numa cidade que precisa de profecia, marcada por numerosas e crescentes situações de pobreza econômica e existencial, com jovens muitas vezes desorientados e famílias frequentemente sobrecarregadas.”

Participação ativa de todos na vida da Igreja

De acordo com o Papa, “uma Igreja sinodal em missão precisa desenvolver um estilo que valorize os dons de cada um e compreenda o papel da liderança como um exercício pacífico e harmonioso, para que, na comunhão inspirada pelo Espírito, o diálogo e as relações nos ajudem a vencer as numerosas pressões de oposição ou de isolamento defensivo“.

O dinamismo sinodal deve ser nutrido nos contextos reais de cada Igreja local“, disse ainda o Pontífice, ressaltando que isso significa “trabalhar pela participação ativa de todos na vida da Igreja“. De acordo com o Papa, “um instrumento para fortalecer a visão de uma Igreja sinodal e missionária são os organismos de participação“, pois “eles ajudam o Povo de Deus a exercer plenamente sua identidade batismal, fortalecem o vínculo entre os ministros ordenados e a comunidade e orientam o processo desde o discernimento comunitário até as decisões pastorais”. “Por isso, convido-os a reforçar a formação de organismos de participação e, a nível paroquial, a rever os passos dados até agora ou, onde tais organismos não existam, a compreender quais são os obstáculos para poder superá-los”, sublinhou.

O Papa na Basílica de São João de Latrão para a abertura do ano pastoral da Diocese de Roma
O Papa na Basílica de São João de Latrão para a abertura do ano pastoral da Diocese de Roma   (@Vatican Media)

Pensar e projetar juntos

A seguir, o Papa falou sobre “as prefeituras e outros organismos que conectam diferentes áreas da vida pastoral, bem como os próprios setores diocesanos, projetados para conectar melhor as paróquias vizinhas num determinado território com o centro da diocese”. De acordo com o Pontífice, existe o risco de que essas “realidades percam sua função de instrumentos de comunhão e se reduzam a algumas reuniões, onde se discute juntos algum tema para depois voltar a pensar e viver a pastoral isoladamente, no próprio recinto paroquial e nos próprios esquemas“.

“Hoje, como sabemos, num mundo que se tornou mais complexo e numa cidade que corre a grande velocidade e onde as pessoas vivem em permanente mobilidade, precisamos pensar e projetar juntos, saindo dos limites pré-estabelecidos e experimentando iniciativas pastorais comuns. Por isso, exorto-os a fazer desses organismos verdadeiros espaços de vida comunitária onde se exerça a comunhão, lugares de confronto onde se realize o discernimento comunitário e a corresponsabilidade batismal e pastoral.”

Cuidar de quem expressa o desejo do Batismo

A seguir, o Papa se deteve nos objetivos a serem perseguidos com estilo sinodal. O primeiro é cuidar da relação entre iniciação cristã e evangelização, “tendo em mente que a solicitação dos sacramentos está se tornando uma opção cada vez menos praticada”. “Nesta perspectiva, é necessário cuidar com delicadeza e atenção daqueles que expressam o desejo do Batismo na adolescência e na idade adulta. Os escritórios do Vicariato responsáveis por isso devem trabalhar com as paróquias, tendo especial cuidado com a formação contínua dos catequistas”, sublinhou.

O Papa na Basílica de São João de Latrão para a abertura do ano pastoral da Diocese de Roma
O Papa na Basílica de São João de Latrão para a abertura do ano pastoral da Diocese de Roma   (@Vatican Media)

Uma pastoral capaz de incidir no tecido social

O segundo objetivo é o envolvimento dos jovens e das famílias. Segundo Leão XIV é “urgente estabelecer uma pastoral solidária, empática, discreta, sem julgamentos, que saiba acolher a todos e propor percursos mais personalizados possíveis, adequados às diferentes situações de vida dos destinatários. Como as famílias têm dificuldade em transmitir a fé e podem ser tentadas a fugir dessa tarefa, devemos procurar acompanhá-las sem nos substituirmos a elas, tornando-nos companheiros de caminho e oferecendo instrumentos para a busca de Deus”. “Uma pastoral que se torna como uma escola capaz de introduzir à vida cristã, de acompanhar as fases da vida, de tecer relações humanas significativas e, assim, de incidir também no tecido social, especialmente a serviço dos mais pobres e dos mais frágeis“, ressaltou.

Comunidades cristãs generativas

O terceiro e último objetivo é a formação em todos os níveis. “Vivemos uma emergência educativa e não devemos nos iludir que a simples continuação de algumas atividades tradicionais manterá vivas as nossas comunidades cristãs. Elas devem se tornar generativas: ser um ventre que inicia para fé e um coração que procura aqueles que a abandonaram. As paróquias precisam de formação e, onde não existem, seria importante incluir cursos bíblicos e litúrgicos, sem transcurar as questões que ressoam nas gerações mais jovens, mas que nos dizem respeito a todos: a justiça social, a paz, o complexo fenômeno das migrações, o cuidado da criação, o exercício adequado da cidadania, o respeito na vida de casal, o sofrimento mental e as dependências, e muitos outros desafios“.

“O trecho evangélico da samaritana conclui-se com um crescendo missionário, pois ela vai contar aos outros o que aconteceu, e eles vão até Jesus e chegam à profissão de fé. Estou certo de que também na nossa diocese, o caminho iniciado e acompanhado nos últimos anos nos levará a amadurecer na sinodalidade, na comunhão, na corresponsabilidade e na missão”, concluiu o Papa.

 

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