quinta-feira, 5 de fevereiro de 2026
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Empresários brasileiros na China esperam ir além da venda de commodities durante visita de Lula

A China é o principal parceiro comercial do Brasil desde 2009. Mas se de um lado o Brasil exporta essencialmente soja, minério de ferro, carne e petróleo, mais de 90% das vendas feitas pela China para os brasileiros é de produtos da indústria de transformação.

A China também é uma das principais origens de investimentos em no Brasil. Segundo dados do governo brasileiro, entre 2007 e 2021, o país foi o quarto principal destino internacional de investimentos chineses. Ainda de acordo com Brasília, os setores com maiores aportes chineses foram eletricidade (45,5%), extração de petróleo e gás (30,9%).

“O Brasil tem feito um excelente trabalho e graças a isso tem uma balança comercial saudável na questão do agronegócio e também de minérios”, resume Jessé Efraim, vice-presidente da BraCham, a Associação de Empresas Brasileiras na China para Indústria, Comércio e Tecnologia. Mas o engenheiro, que vive há dez anos na China, onde atua principalmente na área de infraestrutura e transportes, estima que essa relação deve evoluir.

“A comunidade dos empresários brasileiros ou de representantes de grandes empresas está esperando que haja acordos mais voltados para a troca e transferência de tecnologia”, explica Efraim. “A gente espera que a parte de smart cities ou também de biotecnologia, da economia e energia verde seja mais desenvolvida. Para isso, a gente espera que existam acordos bilaterais de transferência de tecnologia onde ambos os países saiam se beneficiando”, insiste.

 

Jessé Efraim é vice-presidente da BraCham, a Associação de Empresas Brasileiras na China para Indústria, Comércio e Tecnologia
Jessé Efraim é vice-presidente da BraCham, a Associação de Empresas Brasileiras na China para Indústria, Comércio e Tecnologia © Kate Cristina / Divulgação

 

O vice-presidente da BraCham dá como exemplos possíveis projetos na área de construção civil, segurança, ou ainda em equipamentos hospitalares. “O Brasil não tem uma indústria de equipamentos hospitalares e é dependente de empresas alemãs, canadenses, francesas ou algumas chinesas. Isso ajudaria muito a redução dos custos e também acesso à saúde para a população”, aponta.

Mudança de paradigma

A mudança recente de governo no Brasil pode contribuir para impulsionar ainda mais as relações entre Pequim e Brasília, mesmo se Efraim ressalta que os negócios entre os dois países nunca foram interrompidos durante a gestão de Jair Bolsonaro. “A China sempre esteve aberta e sempre estará para qualquer presidente”, diz. “Eu converso com alguns representantes do governo chinês em Pequim e sempre ouvi a mesma coisa: não importa se é lado A ou lado B, e sim quem está na gestão do país. Eles estão abertos para conversar com qualquer um”, explica o engenheiro, que já acompanhou visitas oficiais de outros presidentes brasileiros ao país asiático.

Mesmo assim, a política acaba pesando nas relações comerciais. “O que me parece, estando na China nesses dez anos, é que, em alguns casos, alguns representantes acabam entendendo que o governo da China pesa por um certo lado. E não é essa a mentalidade. O governo chinês é aberto. Mas quando um representante se coloca com um pé atrás, isso obviamente gera resultados um pouco mais lentos”, explica. “Mas na gestão atual, ambos os lados estão totalmente dispostos e com bastante energia para trabalhar”, celebra.

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