Daniella Franco, enviada especial da RFI a Londres
Bolsonaro desembarcou na capital britânica por volta das 9 horas da manhã pelo horário local (5h em Brasília). Logo depois, se dirigiu à residência do embaixador brasileiro em Londres. No local, dezenas de apoiadores já o aguardavam. Muitos outros chegaram logo depois, em uma mobilização previamente organizada através das redes sociais.
Da sacada da residência do embaixador, o presidente fez um discurso de cerca de cinco minutos em tom de campanha. Ele explicou que o motivo principal de sua vinda a Londres é o funeral da rainha, por quem expressou “profundo respeito”. Em seguida, afirmou que vai vencer as eleições presidenciais no primeiro turno, exaltou as belezas naturais do Brasil e elogiou o “maravilhoso” povo brasileiro.
Vestidos de verde e amarelo, seus apoiadores o ovacionaram. Durante as várias horas que passaram no local, os bolsonaristas cantaram o hino nacional, gritaram frases de apoio ao presidente, se manifestaram contra o ex-presidente e candidato à presidência Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e fizeram muitas críticas à imprensa. A polícia de Londres teve de proteger alguns jornalistas de certos manifestantes mais exaltados.

Desconfiança na imprensa
Não houve violência física, mas alguns militantes se recusaram a conversar com a reportagem da RFI, expressando sua desconfiança na imprensa. Outros participantes aceitaram responder a algumas perguntas, como as amigas Teresa, Rita e Tatiane, que se dizem grandes admiradoras do trabalho do presidente.
“Sabemos que o presidente não está aqui por um motivo feliz, mas nós viemos prestar homenagem a ele”, diz Rita. “Eu acredito nas pautas que ele defende e, com toda a esquerda contra ele, estamos aqui apoiando Bolsonaro”, frisou Tatiane.

O brasileiro Marcio viajou de Liverpool, no noroeste da Inglaterra, para participar da mobilização e “prestigiar o presidente”. Segundo ele, desde a volta da democracia no Brasil, em 1984, “não houve ninguém igual a ele”. “Não tem como não reconhecer o que ele faz pelo país”, ressalta.
Leonardo, Alexandre e Sérgio, três dos organizadores da mobilização, expressaram a felicidade de conseguir reunir centenas de manifestantes em um curto período de tempo. O evento foi organizado em apenas 24 horas. “Não é uma manifestação desrespeitosa à rainha, mas é uma chance única de podermos ver o presidente e apoiá-lo. Somos realmente contra a esquerda”, sublinhou Alexandre.

Protesto contra Bolsonaro
No local, também ocorreu uma manifestação da ONG de direitos humanos Brazil Matters, que exibiu cartazes com mensagens como “Bolsonaro é uma ameaça ao planeta e à humanidade” e “Parem Bolsonaro pelo futuro do planeta”. Os militantes, cerca de 10 pessoas, foram hostilizados pelos apoiadores do presidente e tiveram de ser protegidos por policiais.

Uma das porta-vozes da ONG, Ali Rocha, expressou sua incompreensão com as violências verbais das quais foi alvo. Segundo ela, a vinda de Bolsonaro a Londres não poderia passar despercebida. “Eles [apoiadores do presidente] tentam passar essa visão de que todos aqui apoiam Bolsonaro”, diz.
“O Bolsonaro é hoje a face global da extrema direita. Ele é o único líder que tem a capacidade de atrair essas pessoas que o idolatram, não dá para entender. Se ele vencer novamente [as eleições], a Amazônia não vai resistir” reitera.
Bolsonaro deixou a residência do embaixador no início da tarde, junto com a primeira-dama Michelle Bolsonaro, e com sua comitiva. Ele se dirigiu ao Westminster Hall, para prestar homenagem à rainha Elizabeth II e assinou o livro de condolências à monarca. Neste domingo, segundo a assessoria de imprensa do Planalto, ele ainda participa de uma recepção da família real britânica para todos os chefes de Estado e de Governo convidados.
Na segunda-feira (19) Bolsonaro estará presente no funeral da rainha Elizabeth II, marcado para as 11h pelo horário local (7h em Brasília).




