domingo, 1 de fevereiro de 2026
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Secretaria do Sínodo: “Duas sessões para tornar a Igreja mais viva e inclusiva”

Salvatore Cernuzio – Vatican News

Duas sessões do Sínodo para “favorecer a compreensão da sinodalidade como dimensão constitutiva da Igreja” e “ajudar todos a vivê-la em um caminho de irmãos e irmãs que testemunham a alegria do Evangelho”. No Angelus de 16 de outubro, o Papa Francisco anunciou assim a “divisão” da Assembleia Sinodal em dois momentos em 2023 e 2024. Em conversa com a mídia do Vaticano, a Irmã Nathalie Becquart e Dom Luis Marín de San Martin, os dois subsecretários da Secretaria Geral do Sínodo, comentam sobre a decisão do Pontífice e, logo após as reuniões com especialistas em Frascati, explicam o trabalho que levou à elaboração do Documento para a fase continental que será publicado “no final do mês”, fruto das sínteses das Igrejas locais. “Uma grande participação, mas precisamos seguir em frente”.

Ouça e compartilhe!

Irmã Nathalie, Dom Luis, qual é o significado da decisão do Papa de dividir o Sínodo em duas sessões e que frutos se espera?

Irmã Becquart: O Papa Francisco disse que a sinodalidade precisa de tempo, duas sessões ajudam em seu amadurecimento. O objetivo deste Sínodo é a conversão sinodal da Igreja, portanto um só ano não é suficiente e talvez nem dois, mas certamente um é tempo maior que pode ser útil para ‘produzir mais’ o processo, porque a visão deste Sínodo é realmente um processo, não um único evento.

Dom Marín: O Papa prolongou a Assembleia dos Bispos e não o Sínodo, porque o Sínodo já começou, nós já estamos participando dele. Não é como com o Sínodo sobre a família, que foram dois Sínodos, mas uma única assembleia dividida em dois. O objetivo é, antes de tudo, aprofundar a realidade sinodal da Igreja e, também, maior desenvolvimento do discernimento da Igreja que vem da escuta do Espírito Santo. Não devemos ter pressa e tomar decisões precipitadas, é um processo no qual a voz do Espírito fala ao povo de Deus. Um tempo de diálogo e de partilha, e para reunir a diversidade das experiências e das sensibilidades na Igreja, para que assim possa enriquecer suas realidades.

Irmã Nathalie Becquart

A Secretaria Geral do Sínodo falou da grande participação de fiéis e dioceses. Isto também influenciou a decisão do Papa de prolongar o processo sinodal?

Irmã Becquart: Eu não sei, mas é verdade que, pela primeira vez na história da Igreja, temos um Sínodo para todos. E é verdade que quase todas as Conferências Episcopais tiveram uma consulta sinodal. Nem todas, mas certamente foi dado um enorme passo em frente. Devemos continuar a ouvir a diversidade do povo de Deus e desenvolver como caminhar juntos. Digamos que a Igreja ainda está aprendendo a sinodalidade, estamos no início.

Dom Marín: A resposta das Conferências Episcopais foi ampla: 112 respostas de 114. Assim como as Igrejas Orientais, 15 de 15, ou os Dicastérios da Cúria Romana, 17 de 23. Depois a vida consagrada, os movimentos laicais e muitos outros. Houve também o Sínodo digital, uma esplêndida iniciativa do Dicastério para a Comunicação. Se, no entanto, considerarmos as paróquias, encontramos lacunas: nem todas responderam, alguns párocos têm um pouco de medo, não sabem o que fazer. Mas, como dissemos, é um processo. A chama existe e ela pode acender o mundo. Estou feliz com a resposta, eu nunca teria imaginado uma resposta assim para algo tão novo, talvez difícil no início. Mas vai adiante, passo a passo…

O caminho sinodal começou no ano passado “a partir de baixo”. E “de baixo”, que exigências, que pedidos surgiram? Quais lhes impressionaram pessoalmente?

Irmã Becquart: A primeira coisa que eu gostaria de compartilhar é que em todos os retornos da experiência sinodal dada nas sínteses, as pessoas dizem que tiveram uma experiência de alegria. Uma experiência que desperta o desejo de continuar neste estilo de escuta e diálogo. Muitas pessoas disseram: “Esta é a primeira vez que a Igreja me pergunta algo, que escuta a minha voz. Portanto, a Igreja não é formada apenas por bispos, mas eu, nós também, fazemos parte da Igreja”. Também fiquei muito emocionada ao ver que apesar de tantas dificuldades, como situações políticas de violência e conflitos, alguns países participaram do processo sinodal. Temos o testemunho de consultas sinodais em lugares isolados, com idiomas locais. Esta criatividade é verdadeiramente bela, e é belo que mesmo em situações difíceis de crise econômica ou guerra, dizemos “o Sínodo está aqui”.

Dom Marín: Das sínteses, surgiu a realidade de uma Igreja, que está antes de tudo, viva. E também unida. Uma unidade pluriforme. É uma Igreja criativa que enfrenta uma série de desafios a serem levados adiante e resolvidos. Por exemplo, o individualismo e, portanto, a necessidade de fortalecer o sentido de comunidade. Depois, o desafio da co-responsabilidade, que significa a participação de todos os batizados. É bonito ver que nestas sínteses o povo de Deus participou, talvez nem todos ativamente, mas algo se moveu e todos têm o desejo de se sentir envolvidos na vida da Igreja. Uma participação que, como disse antes, não significa uniformidade. Na verdade, encontramos a variedade de carismas, a começar pelo dos leigos que têm uma vocação específica que vem do Batismo. Também é importante o desafio da evangelização: muitas vezes nós apenas listamos problemas, não devemos apenas reclamar, mas levar a alegria da fé, conduzir a um encontro com Cristo para iluminar as áreas sombrias do mundo. E fazê-lo com a linguagem adequada para que o Evangelho chegue a todos os cantos da terra.

Entre as expectativas dos fiéis quanto aos resultados do percurso sinodal está uma maior participação das mulheres e dos leigos e também que a Igreja esteja mais presente e em diálogo com o mundo. Qual a resposta a isto?

Irmã Becquart: A sinodalidade é um chamado para que a Igreja de hoje seja mais inclusiva e dê mais espaço a todos. A fase da consulta fez um retrato da vida comunitária, com luzes e sombras. A questão das mulheres, por exemplo, é muito forte em todas as partes do mundo, também a dos leigos, das diversidades, das minorias, das pessoas que se sentiram mais marginalizadas, por exemplo, as pessoas com deficiência. É verdadeiramente o grito do povo, dos pobres e dos pequenos. Portanto, devemos continuar a discernir juntos como ser uma Igreja mais aberta. Entendemos que o estilo da sinodalidade deve ser articulado com um estilo de estar no mundo, com um espírito de diálogo e de fraternidade. Devemos sair de uma visão parcial da Igreja. A palavra-chave para sinodalidade é reciprocidade, circularidade, fraternidade.

Dom Marín: A sinodalidade visa a autenticidade da Igreja. O processo sinodal ajuda a viver a realidade da fé que não é um espiritualismo desencarnado, fechado, com uma linguagem que só nós entendemos e fala apenas de nossos próprios problemas, mas quer levar adiante a luz, a pessoa de Cristo, a experiência de Cristo. Neste desafio, estamos todos convocados. Somos um povo em movimento, dinâmico, tentando dar uma resposta aos problemas do mundo. A resposta é sempre Cristo, mas há maneiras diferentes de dizê-lo. Antes eu falava da linguagem, por exemplo, para mim a linguagem digital foi uma descoberta, outro “continente” onde encontramos jovens. Nós reclamamos que os jovens não vêm, somos nós que temos que ir à eles…. Também acho que um problema seja a mentalidade predominantemente ocidental. A Igreja é muito mais ampla, pensemos na África, no Oriente Médio, na Ásia. Devemos superar a mentalidade única e nos articular em comunidades pluriformes.

Dom Luis Marín de San Martin

O que foi dito até agora, como foi refletido no Documento para a fase continental que está prestes a começar? 

Irmã Becquart: O Documento reflete todas as vozes que foram alcançadas nas sínteses sinodais. É verdadeiramente um documento de escuta, não um tratado teológico, não um catecismo, mas um mapa para continuarmos juntos a viagem. Este documento será enviado a todas as Igrejas locais para motivar discussões e reflexões. A etapa continental quer criar mais diálogo entre a Igreja universal e as diferentes regiões do mundo, mas também entre as Igrejas locais do mesmo continente, para que todos aprendam uns com os outros e possam discernir juntos quais os passos a serem tomados.

Dom Marín: No documento, deixamos as Igrejas locais falarem. O Sínodo é um processo circular: ouvimos a palavra do povo de Deus e agora devolvemos esta palavra às Igrejas locais. As sínteses enviadas não terminarão nas prateleiras, concentramo-nos nas particularidades continentais que são uma riqueza para toda a Igreja. Portanto, estamos em um ponto de chegada e não de partida. É um documento valioso que iremos publicar.

Quando?

Dom Marín: No final do mês, o mais rápido possível.

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