sexta-feira, 16 de janeiro de 2026
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Para manter ônibus em Mossoró, tarifa teria que ser de R$ 8,56

A nova alta do diesel (14,25%), anunciada sexta-feira,17, agravou o drama do transporte coletivo em Mossoró. Apesar do apoio da Prefeitura, em ações como o programa Ônibus no Bairro, o setor continua a agonizar. Nessa segunda-feira, 20, a Secretaria Municipal de Segurança Pública, Defesa Civil, Mobilidade Urbana e Trânsito (SESDEM) detalhou a crise, em balanço técnico apresentado à imprensa.

Oito meses após o plano de retomada do transporte coletivo, com o programa Ônibus no Bairro, o sistema amarga baixo número de passageiros pagantes, linhas deficitárias e crescente preço de insumos. Para suprir os custos, segundo a concessionária Cidade do Sol, a tarifa deveria ser R$ 8,56, mais que o dobro do valor atual, R$ 3,30 – sem reajuste há quatro anos.

Contudo, o diretor da empresa, Waldemar Araújo, reconhece ser impraticável a tarifa de R$ 8,56. “Por isso, defendemos que outras medidas sejam adotadas para que o serviço não seja inviabilizado, para que possamos manter todas as 11 linhas operando”, destaca.

O balanço apresentado pela Secretaria evidencia que, apesar de medidas adotadas pelo Executivo, como fiscalização de modais clandestinos e aporte mensal de R$ 65 mil, a elevada gratuidade – taxa de 42% do total de passageiros transportados – as constantes altas no preço do diesel pressionam o sistema. Somente neste ano, o valor do combustível foi reajustado cinco vezes, sendo o último reajuste com percentual de 14,25%.

“Em 2018, com pouco mais de uma tarifa (R$ 3,10) era possível comprar um litro de diesel, que custava R$ 3,46. Atualmente, uma passagem, que segue no mesmo valor compra somente meio litro de combustível. Ou seja: são necessárias mais que o valor de duas tarifas para comprar um litro de diesel”, informou a empresa Cidade do Sol.

Ainda de acordo com o relatório, das dez linhas reativadas pelo Programa Ônibus no Bairro, sete delas operam com menos de 100 passageiros diariamente. Em maio, a linha Belo Horizonte foi a mais deficitária, com média de 14 passageiros ao dia. A linha Macarrão transportou 26 pessoas, seguida pela Planalto com 35; linha Shopping 48, linha Nova Mossoró 58, linha Bom Jesus 76 e linha Sumaré com 95 passageiros.

A deficiência das linhas reflete a queda de passageiros. Para se ter uma ideia, em maio de 2019 eram transportados 247.897 passageiros ao mês. Em maio deste ano, o número caiu para apenas 87.334 pessoas que utilizaram o ônibus como meio de transporte em Mossoró. Em contrapartida, o custo só subiu com salários e outros insumos, como pneus e peças.

Ao enaltecer a iniciativa da Prefeitura em revelar o atual cenário do setor, o diretor da Cidade do Sol adverte que, somente a adoção de medidas conjuntas podem viabilizar o sistema. Além da redução do Imposto Sobre Serviço (ISS) de 5% para 2%, aprovada recentemente pela Câmara Municipal de Mossoró, Araújo citou alternativas que poderão equilibrar o sistema de transporte público coletivo.

“O problema enfrentado pelo setor é nacional, e muitas medidas estão sendo replicadas nos municípios para manter o serviço operando. Aqui em Mossoró o ISS será reduzido, mas uma medida isolada não funcionará. É preciso pensar em outras alternativas como tarifa cidadã, subsídio para gratuidade, e tantas outras que estão sendo adotadas Brasil afora para não tornar o sistema insustentável”, alerta.

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