sábado, 31 de janeiro de 2026
InícioArtigosPOLÍTICA: "LULA, TARCÍSIO E BOLSONARO"

POLÍTICA: “LULA, TARCÍSIO E BOLSONARO”

 

Ney Lopes

Ontem, 2, consumou-se ato político-administrativo do maior significado para a democracia brasileira.

Encontraram-se os  adversários políticos,  presidente Luiz Inácio da Silva e o governador de SP, Tarcísio de Freitas.

Assinaram  acordo de cooperação para a construção de um túnel entre as cidades paulistas de Santos e Guarujá, com investimento de R$ 6 bilhões.

Planejado há quase 100 anos, o túnel imerso sairá finalmente  do papel.

A obra visa melhorar o fluxo de pedestres, cargas e automóveis que transitam entre as duas cidades do litoral, com reflexos em pelo menos nove municípios da Baixada Santista.

É uma tentativa de resolver histórico gargalo de mobilidade, impactando a vida de dois milhões de pessoas.

Inicialmente, Lula se opunha a participação na obra do governo de SP.

Defendia PPP com o setor privado.

Mudou de ideia, considerando esse sonho vem de 1922, conforme registro de um jornal paulista.

O incrível são as críticas despropositadas de militantes da extrema direita contra o diálogo administrativo do governador Tarcísio de Freitas com o presidente Lula.

O governador chegou a ser vaiado por bolsonaristas, na reunião em Santos.

Aliados radicais de Bolsonaro alegam falta de lealdade de Tarcísio e desconhecem que se trata de projeto importante para o estado.

Na história são comuns os acordos e conversas entre adversários políticos, diante de situações exigidas pelo interesse coletivo.

Para não irmos muito longe, um exemplo é o próprio presidente Bolsonaro.

O general Augusto Heleno, seu amigo e auxiliar, chamou de “ladrões” os políticos que integravam o centrão.

Cantarolou a música clássica de Bezerra da Silva: “Se gritar pega centrão, não fica um meu irmão”.

Pois bem.

Na condição de presidente, Bolsonaro fez aliança com o “centrão” e começou indagando aos seus correligionários:

Pessoal critica: ‘ah tá conversando com o Centrão’, quer o quê? Que eu converse com o PSOL? Com o PCdoB? ”.

Foi mais adiante: “O cara quer tocar fogo na canoa, mas não tem um toco de bananeira do lado dele. Vai atravessar o rio cheio de piranha nadando, vai morrer e ser comido no meio do caminho”.

Em 1946, na campanha para governador de SP, juntaram-se os inimigos Getúlio Vargas e o secretário-geral do Partido Comunista do Brasil, Luís Carlos Prestes.

Na ditadura de Vargas, Prestes havia ficado preso por nove anos e vira sua esposa, Olga Benário, ser entregue, grávida, à Alemanha nazista.

A Frente Ampla foi uma tentativa de enfrentar a ditadura militar e de abertura democrática, que uniu Carlos Lacerda, Juscelino Kubitschek (JK) e João Goulart (Jango), em 1966.

No caso do presidente Lula e o governador Tarcísio de Freitas, não é união política, mas a soma de esforços, em benefício do interesse público.

Merece aplausos e apoio de quem tenha bom senso.

Verdadeira lição de democracia!

NOTÍCIAS RELACIONADAS

DEIXE UMA RESPOSTA

Por favor digite seu comentário!
Por favor, digite seu nome aqui
Captcha verification failed!
Falha na pontuação do usuário captcha. Por favor, entre em contato conosco!
- Advertisment -

Notícias Recentes