O ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal (STF), manifestou insatisfação com a atuação da Polícia Federal no cumprimento de medidas cautelares relacionadas à investigação que apura irregularidades envolvendo o Banco Master e o empresário Daniel Vorcaro, controlador da instituição.
Segundo o magistrado, houve demora injustificada e falta de empenho por parte da PF na execução das ordens judiciais. As medidas foram solicitadas no dia 6 de janeiro e autorizadas no dia seguinte, com determinação para cumprimento a partir de 12 de janeiro, dentro de um prazo de 24 horas. No entanto, a operação só ocorreu dias depois.
Em sua decisão, Toffoli alertou que a demora poderia permitir a destruição ou ocultação de provas, prejudicando o andamento das investigações. “Outros envolvidos podem estar descaracterizando provas essenciais ao esclarecimento dos fatos”, afirmou o ministro em trecho do despacho, acrescentando que a Polícia Federal teve tempo suficiente para planejar a execução das medidas.
O ministro também deixou claro que qualquer prejuízo ao processo decorrente de falhas no cumprimento das ordens será de inteira responsabilidade da Polícia Federal.
A operação
Na manhã desta quarta-feira (14), agentes da Polícia Federal cumpriram mandados de busca e apreensão contra Daniel Vorcaro, familiares e pessoas ligadas ao Banco Master. Entre os alvos estão o pai, a irmã e o cunhado do banqueiro. Também foram incluídos na operação o empresário Nelson Tanure e o investidor João Carlos Mansur, ex-presidente da gestora Reag Investimentos.
Por determinação do STF, todo o material apreendido — incluindo documentos, bens e dispositivos eletrônicos — deverá ser lacrado e encaminhado diretamente ao Supremo.
Ao todo, foram expedidos 42 mandados de busca e apreensão, além de bloqueios e sequestros de bens que somam mais de R$ 5,7 bilhões. A operação ocorreu em endereços de São Paulo, incluindo a região da Avenida Faria Lima, além de imóveis na Bahia, Minas Gerais, Rio Grande do Sul e Rio de Janeiro. Veículos de luxo e outros bens de alto valor foram apreendidos.
O celular de Daniel Vorcaro também foi recolhido pelos investigadores.
Tentativa de saída do país
O cunhado de Vorcaro, Fabiano Campos Zettel, chegou a ser detido na madrugada desta quarta-feira no aeroporto, quando tentava embarcar para Dubai, nos Emirados Árabes Unidos, mas foi liberado após a conclusão dos procedimentos da operação.
Já o empresário Nelson Tanure não foi encontrado em sua residência e acabou localizado no Aeroporto do Galeão, no Rio de Janeiro, quando se preparava para um voo doméstico. O celular dele foi apreendido pela PF.
Novos indícios de irregularidades
De acordo com apuração do jornalista Valdo Cruz, do g1, a nova fase da operação, chamada de Compliance Zero, foi autorizada após a descoberta de novos crimes supostamente cometidos pelo grupo investigado. A Polícia Federal identificou indícios de captação irregular de recursos, aplicações em fundos de investimento e posterior desvio para o patrimônio pessoal de Vorcaro e de seus familiares.
A PF também afirmou estar investigando a possibilidade de vazamento de informações dentro do caso.
Escândalo financeiro
O caso envolvendo o Banco Master se tornou um dos maiores escândalos financeiros recentes do país. Em novembro, o Banco Central decretou a liquidação extrajudicial da instituição após surgirem suspeitas de fraude na venda de carteiras de crédito para o Banco de Brasília (BRB), em um volume estimado em R$ 12,2 bilhões.
O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, classificou o episódio como possivelmente “a maior fraude bancária da história do Brasil”.
Posição da defesa
A defesa de Daniel Vorcaro informou que o empresário tem colaborado com as autoridades e que está interessado no esclarecimento completo dos fatos. Os advogados dos demais alvos da operação ainda não foram localizados.





