sexta-feira, 30 de janeiro de 2026
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Semana decisiva define futuro das tarifas e novas sanções dos EUA ao Brasil

CNN Brasil

A última semana de julho começa com o Brasil sob o impacto de ameaças inéditas do governo de Donald Trump. Os Estados Unidos avaliam aplicar a Lei Magnitsky contra ministros do STF (Supremo Tribunal Federal), incluindo o cancelamento de vistos também ao alto escalão do Palácio do Planalto.

A decisão surge como resposta ao processo do STF contra o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) por tentativa de golpe.

Além das possíveis novas sanções, cresce a tensão diante do tarifaço: os EUA prometem taxar produtos brasileiros em 50% a partir de 1º de agosto, próxima sexta-feira.

O governo do republicano justifica a taxação por suposta “caça às bruxas” contra Bolsonaro e censura a redes sociais americanas. O principal impacto recai sobre setores como o agronegócio (principalmente carne, frutas, laranja), a indústria aeronáutica (Embraer), a cadeia madeireira, produtos químicos e açúcar.

O setor do suco de laranja já avalia prejuízo bilionário nos próximos anos.

Para tentar ganhar tempo, uma comitiva de oito senadores brasileiros começou a desembarcar em Washington neste sábado (26).

Já estão na capital americana o senadores Nelsinho Trad (PSD-MS), Tereza Cristina (PP-MS), Marcos Pontes (PL-SP), Esperidião Amin (PP-SC) e Fernando Farias (MDB-AL). O senador Carlos Viana (Podemos-MG) está nos EUA e deve se juntar aos colegas neste domingo (27).

Os parlamentares devem permanecer nos EUA até quarta-feira (30) e terão reuniões com a embaixadora brasileira, entidades empresariais, Câmara de Comércio e parlamentares americanos de ambos os partidos.

Um desafio é que a ida da comitiva brasileira acontece em meio ao recesso da Câmara dos Representantes dos Estados Unidos — equivalente à Câmara de Deputados.

A agenda começa na manhã de segunda-feira (28) com a chegada à residência oficial da Embaixadora do Brasil. No início da tarde, o grupo deve cumprir o primeiro compromisso público com reuniões na sede da U.S. Chamber of Commerce, onde parlamentares vão se reunir com líderes empresariais e representantes do Brazil-U.S. Business Council.

O segundo dia, terça-feira (29), será reservado para encontros estratégicos com parlamentares norte-americanos — tanto republicanos quanto democratas —, conforme apurou a CNN.

Os compromissos preveem também encontros com grupos setoriais e uma coletiva para detalhar os resultados das negociações. O objetivo é convencer autoridades e empresários dos efeitos negativos para ambos os lados e buscar consenso para atrasar, reduzir ou excluir setores das tarifas.

As não ligações para Trump

O tema das tarifas domina também o Palácio do Planalto. Lula classificou o tarifaço como “chantagem inaceitável” e tem reclamado do endosso de parlamentares bolsonaristas à Casa Branca.

Apesar da pressão, Lula descarta ligar para Trump, justificando que seria interpretado como sinal de fraqueza e “desespero”, postura criticada publicamente pela oposição, que pede ação direta do presidente da República para evitar maiores prejuízos ao país.

“Quem deve dialogar é o presidente da República. Ele devia pegar o telefone, ligar para Trump e dizer que quer dialogar, ao invés de estar tentando colher dividendo eleitoral. Essa postura é danosa para o país”, cobrou o presidente nacional do União Brasil, Antonio Rueda, na sexta-feira (25).

Aos críticos se somam também os governadores Tarcísio de Freitas (Republicanos), Ronaldo Caiado (União Brasil) e Ratinho Jr. (PSD).

“Estamos conversando, buscando parlamentares americanos, empresas americanas, agentes do governo americano que podem se sensibilizar com o problema. Infelizmente hoje a gente tá vivendo um momento em que se busca tirar proveito do país, querendo dividir o país”, afirmou Tarcísio em um evento em São Paulo no sábado (26).

Lula, por sua vez, afirma que quem faz as ligações é o vice-presidente e ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Geraldo Alckmin.

“Ninguém pode dizer que o Alckmin não quer conversar. Todo dia ele liga para alguém, e ninguém quer conversar com ele”, afirmou o presidente na sexta.

“Trump, o dia que você quiser conversar, o Brasil estará pronto e preparado para discutir e tentar mostrar o quanto você foi enganado com as informações que te deram, e você vai saber a verdade sobre o Brasil.”

Parlamentares próximos a Lula reforçam que o Congresso já aprovou previsão legal para retaliar os Estados Unidos, caso essa seja a decisão do governo.

O setor privado demonstra forte apreensão com o cenário. Entidades como a Associação de Exportadores projetam queda de até 25% nas vendas aos EUA em 2025, enquanto empresas de carne, suco, aviação e móveis avaliam suspender embarques e férias coletivas para evitar estoques encalhados.

Analistas alertam para impactos nas expectativas do mercado, câmbio e ambiente de negócios, cenário que pode se aprofundar se a crise se prolongar.

Caminhos e negociações

O governo Lula considera difícil qualquer acordo antes de 1º de agosto, mas já desenhou um plano de contingência para socorrer setores mais afetados, com linhas de crédito, subsídios e medidas judiciais internacionais.

Especialistas alertam, contudo, que tais medidas podem ampliar o endividamento público e não resolvem o impasse estrutural.

Diante desse cenário, autoridades brasileiras trabalham com duas hipóteses principais. A primeira seria a possibilidade de negociação setorial, focando em produtos específicos como suco de laranja, café e aeronaves, impulsionada pela pressão do setor privado americano.

A segunda alternativa, considerada mais complexa por depender exclusivamente de Trump, seria a extensão do prazo para aplicação das tarifas.

A situação se complica ainda mais com o tom das declarações públicas entre os dois países. Analistas ouvidos pela CNN avaliam que a escalada na relação entre Brasil e Estados Unidos pode gerar ainda mais instabilidade política, principalmente com sanções pessoais a ministros do STF, medida que abriria um precedente diplomático inédito entre Brasil e Estados Unidos.

A presença da comitiva do Senado em Washington pode ser decisiva para sinalizar o compromisso do Congresso Nacional na defesa de setores estratégicos e tentar conter danos à credibilidade do país às vésperas da entrada em vigor do tarifaço.

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