sábado, 31 de janeiro de 2026
InícioColunasClauder ArcanjoPÍLULAS PARA O SILÊNCIO (PARTE CCLXIII)

PÍLULAS PARA O SILÊNCIO (PARTE CCLXIII)

Clauder Arcanjo*

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

(Pintura “Vênus no espelho”, de Peter Paul Rubens)

 

Amargo, não…

 

“Há a terra onde nós nascemos, e há a mulher que nós amamos. Tudo mais é reflexo…”

(Alvaro Moreyra, em As amargas, não…).

 

Nesta manhã chuvosa, o cheiro de terra molhada me transpõe para a província. A mulher que eu amo, bem junto a mim, mata a saudade do meu chão.

 

&&&

 

Nos reflexos dos teus olhos, a certeza da refração da luz da minha paz.

A cidade nem sabe o que sinto por ti. Pouco importa, a tua beleza, amada, e o conforto do teu colo me bastam.

 

&&&

 

Só me agrado da noite quando divido o leito com ela. Ela a me dizer: “Não ligo para o teu sono atribulado, muito menos a sinfonia dos roncos; e acho lindo quando usurpas, no meio da madrugada, os lençóis só para ti.”

O amor tem razões indecifráveis.

 

&&&

 

Cobri teus olhos e pedi: “Me mostra por onde anda a estrela da manhã.”

Viraste e, de olhos fechados, beijaste-me os lábios, ardente, a me confessares: “Está sempre em mim, quando estás aqui!”.

 

&&&

 

Há dias em que a paixão nos deixa parvos, o amor nos cobre de tolices, e a comunhão dos corpos instala a república do silêncio entre nós dois. Enfim, em tais momentos revelamo-nos a própria definição de almas gêmeas.

 

&&&

 

“O tempo feliz é sempre o tempo que passou.”

Ao ouvir tal sentença, ela se rebelava contra o lugar-comum e se punha a soprar-lhe carícias presentes, até jogar por terra a máxima, julgada por ela, tão descabida.

 

&&&

 

Seu amado era lobisomem, todos professavam nas calçadas de Licânia.

Isso porque, nas noites de sexta, ela ficava só, a esperá-lo uivando de paixão.

 

&&&

 

Muitos louvam a minha calma. Puseram tal máscara em mim, e eu não consigo mais me libertar dessa condenação.

Há momentos em que a fúria é a melhor resposta.

 

&&&

 

Faz-se imperioso devolver ao circo os melhores palhaços. Na política, reparem bem, há uma boa geração de bufões.

 

“Nunca um desejo me afligiu. A imaginação me deu tudo.”

(Alvaro Moreyra, em As amargas, não…).

 

*Clauder Arcanjo é escritor e editor, membro da Academia Norte-rio-grandense de Letras.

NOTÍCIAS RELACIONADAS

Culpa

CULPA

CULPA

DEIXE UMA RESPOSTA

Por favor digite seu comentário!
Por favor, digite seu nome aqui
Captcha verification failed!
Falha na pontuação do usuário captcha. Por favor, entre em contato conosco!
- Advertisment -

Notícias Recentes