O Parlamento Europeu deve votar nesta quarta-feira (21) a suspensão do acordo comercial firmado entre a União Europeia e os Estados Unidos no ano passado. A informação foi confirmada por lideranças parlamentares europeias nesta terça-feira (20).
De acordo com a presidente do grupo Aliança Progressista dos Socialistas e Democratas (S&D), Iratxe García Pérez, há consenso entre os principais blocos políticos do Parlamento para levar a medida à votação. A iniciativa surge como reação direta às recentes declarações do presidente americano Donald Trump, que voltou a falar publicamente sobre a possibilidade de anexação da Groenlândia, território autônomo vinculado à Dinamarca.
Inicialmente, houve a divulgação equivocada de que o acordo já estaria congelado. No entanto, parlamentares esclareceram que, até o momento, foi definido apenas o avanço para a votação formal, marcada para esta quarta-feira.
A escalada da crise ganhou novos contornos após Trump anunciar que pretende impor tarifas comerciais a países europeus que se oponham ao plano dos Estados Unidos de adquirir a Groenlândia. Segundo o presidente americano, a partir de 1º de fevereiro de 2026, produtos provenientes de Dinamarca, Noruega, Suécia, França, Alemanha, Reino Unido, Países Baixos e Finlândia seriam taxados em 10%. Já em junho do mesmo ano, a alíquota subiria para 25%.
Diante das ameaças, países europeus reagiram reforçando a segurança na região do Ártico. Pequenos contingentes militares começaram a ser enviados à Groenlândia a pedido do governo dinamarquês, como forma de garantir a soberania do território.
Em nota conjunta, Dinamarca, Alemanha, França, Reino Unido, Noruega, Suécia, Finlândia e Holanda afirmaram estar comprometidos com a defesa da Groenlândia e com o fortalecimento da segurança no Ártico dentro do escopo da OTAN. O governo groenlandês agradeceu publicamente o apoio recebido.
A crise diplomática também gerou forte reação popular. No último sábado, milhares de pessoas foram às ruas da Groenlândia e da capital dinamarquesa, Copenhague, em protesto contra qualquer tentativa de anexação do território por parte dos Estados Unidos.




