quinta-feira, 5 de fevereiro de 2026
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Papa Francisco : nenhum povo pode alcançar a paz e a segurança sozinho

Tweet do Papa Francisco por ocasião do Dia Internacional do Multilateralismo, convocado pela ONU a cada 24 de abril. Francesca Di Giovanni, subsecretária de Relações com os Estados: “Com a pandemia, novos desequilíbrios e novas crises. Para a Santa Sé é uma obrigação moral ajudar a comunidade internacional na busca da paz”.

Salvatore Cernuzio – Vatican News

Como prevenir os conflitos? Nenhum povo, nenhum grupo social será capaz de alcançar sozinho a #paz, o bem, a segurança e a felicidade. Ninguém. A lição da recente pandemia é a constatação de que somos uma comunidade mundial que navega no mesmo barco. #DiplomacyForPeace”.

Este é o tweet do Papa Francisco, divulgado na sua conta @Pontifex, para o “Dia Internacional do Multilateralismo e da Diplomacia para a Paz”, proclamado há quatro anos pela Assembleia Geral das Nações Unidas para ser celebrado a cada 24 de abril, com o objetivo de promover e apoiar os três pilares da ONU: paz e segurança, desenvolvimento e direitos humanos. Uma efeméride que visa preservar os valores da cooperação internacional, com base na Carta das Nações Unidas e na Agenda 2030 para o desenvolvimento sustentável. Portanto, um impulso ao uso da diplomacia e da tomada de decisões multilaterais para chegar a soluções pacíficas para conflitos entre nações.

O multilateralismo em crise entre as sombras de um “mundo fechado”

Processo multilateral que hoje parece ser colocado em discussão pelas sombras de “um mundo fechado”, como denunciou repetidamente o Papa Francisco. Um mundo marcado por nacionalismos, interesses egoístas e desigualdades econômicas em detrimento da pessoa humana, como emergiu especialmente nesta época ferida pela pandemia. Sobre isso fala Francesca Di Giovanni, funcionária da Secretaria de Estado há vinte e sete anos, nomeada em janeiro de 2020 pelo Papa como subsecretário da Seção para as Relações com os Estados, com a missão de acompanhar o setor multilateral.

R.- Certamente a pandemia criou novos desequilíbrios e novas crises, no âmbito sanitário, econômico, humanitário, político e social, ao mesmo tempo que aprofundou os grandes abismos e as crises pré-existentes. Os objetivos de combate à fome, por exemplo, que a comunidade internacional assumiu para 2030, estão agora seriamente comprometidos. Achamos que no mesmo período em que morrem, ou melhor, morreram – porque agora existem mais – 2 milhões e meio de pessoas de Covid, 7 milhões morreram de fome. Essas crises tornam o multilateralismo ainda mais necessário, ainda que obstáculos, fechamentos, interesses nacionalistas e ideológicos consigam, infelizmente, bloquear seu caminho hoje. É um multilateralismo em crise … E até mesmo se quer voltar atrás e buscar atalhos e acordos mais curtos com países que talvez tenham as mesmas ideias políticas e econômicas, afirmando que tais acordos são menos dispendiosos e mais eficazes do que outros que tentam envolver toda a comunidade internacional.

As palavras do Papa Francisco vêm à mente: “Estamos todos no mesmo barco” e “ninguém consegue sozinho” …

R. – É claro que os grandes temas dizem respeito a todos os países. Nenhum país pode enfrentar os problemas globais sozinho, mas mesmo os problemas que parecem circunscritos a um país têm importantes repercussões e consequências em outros, no equilíbrio de regiões inteiras, senão em toda a comunidade internacional. A pandemia é um triste exemplo disso, mas temos mudanças climáticas muito rápidas, um enorme aumento da fome em todo o mundo, deslocamentos causados ​​pela violência generalizada, fundamentalismo crescente, violência indiscriminada contra mulheres e crianças. São problemas que requerem respostas urgentes e coesas. É por isso que a cooperação em nível multilateral é a única resposta adequada e tem uma função fundamental.

Neste contexto, qual é o papel da Santa Sé? Como isso pode contribuir para a paz e a diplomacia?

R.- A Santa Sé é um sujeito soberano, reconhecido a nível internacional, que não está ligado a interesses comerciais ou militares, muito menos à expansão territorial. Isso a torna livre para levar uma mensagem de paz e solidariedade entre os povos e seus governantes. Uma mensagem que o Papa Francisco sintetiza na palavra ‘fraternidade’, um modelo a ser alcançado, embora com dificuldade, mas ao mesmo tempo um caminho concreto para as nações, pois – como o Pontífice observou na Audiência Geral de 12 de agosto de 2020 – os direitos não são apenas individuais, mas também sociais dos povos. Este respeito pela pessoa humana é levado pela Santa Sé, inspirada no Evangelho, aos foros internacionais, porque considera uma obrigação moral ajudar a comunidade internacional na busca da paz, para o desenvolvimento integral do ser humano, erradicando pobreza e combate à degradação ambiental.

Como isso se traduz de forma concreta?

R. – A nível concreto, a Santa Sé não se cansa de levar a sua elevada mensagem, apesar dos contratempos, vetos ideológicos e políticos, por meio de uma participação tão atenta e ativa quanto possível, procurando ser, como muitos a reconhecem, “voz de quem não tem voz”.

Quais são as iniciativas futuras do processo multilateral?

R.- Para o presente e para o futuro imediato são vivos os temas do combate às mudanças climáticas, da biodiversidade, dos sistemas alimentares, os temas da não proliferação nuclear, o compromisso com a defesa da dignidade da mulher e tantos outros.

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