SER OU ESTAR MINISTRO
Eduardo Mattos Portella era um intelectual na verdadeira acepção da palavra. Baiano de nascimento, foi crítico, professor, escritor, pesquisador, conferencista, pensador, advogado, político e membro da Academia Brasileira de Letras.
Em atividades políticas, pertenceu ao gabinete do presidente Juscelino Kubitscheck entre 1956 e 1961. Foi ministro da Educação no governo militar de João Batista Figueiredo, de 15/03/79 a 26/11/80.
Apesar de ministro de Figueiredo, combatia a censura e apoiou a primeira Greve Nacional dos Professores das Universidades Federais, em 1980. Após declarar esse apoio, foi procurado pela imprensa que o questionou sobre o fato de ser ministro da Educação e apoiar a greve. Sua resposta, hoje, seria viralizada nas redes sociais: “estou ministro. Não sou ministro.” É claro, foi demitido pelo presidente.
O atual ministro da Educação, Ricardo Vélez não tem a grandeza de Portella. Em várias ocasiões o presidente Bolsonaro declarou que o ministro não tem mostrado competência administrativa. Sem comunicar ao ministro fez mudanças em cargos importantes do ministério. Entretanto, o ministro colombiano declarou, esta manhã, que não conversou com Bolsonaro e que não irá deixar o comando do MEC.
Na verdade, apesar da insistência em permanecer no cargo, Ricardo Vélez “está ministro. Não é mais ministro”.





