terça-feira, 3 de fevereiro de 2026
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Extensão do auxílio emergencial evitará desastre maior na economia, mostra pesquisa

renda básica emergencial pode salvar o Brasil de uma devastação econômica ainda maior se estendida até o fim do ano, defendem pesquisadores do Centro de Desenvolvimento e Planejamento Regional (Cedeplar), da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG).

Conforme o estudo desenvolvido pelos economistas, o auxílio governamental de R$ 600 se reverte diretamente em consumo, o que aquece a economia, gera mais arrecadação ao Estado e expande a produção de setores como o de serviços e o de alimentação.

“Os mais pobres gastam tudo o que ganham. Ninguém que vai acessar um benefício de renda emergencial vai aplicar em títulos do Tesouro Direto ou vai guardar embaixo do colchão. Eles vão gastar, e vão gastar principalmente nos setores econômicos mais atingidos pela crise – ou seja, aqueles ligados ao mercado interno”, explica Juliane Furno, doutoranda em Desenvolvimento Econômico na Unicamp, assessora parlamentar da Câmara Federal.

Ela destaca que, concomitantemente ao alívio econômico, o pagamento é também um mecanismo de justiça social.

“Do ponto de vista social, existir um programa de renda básica em um período de crise é fundamental para dirimir essa tendência natural a concentração de renda em momentos de crise econômica – ou seja, possibilitar que os mais pobres sejam menos afetados”, afirma a pesquisadora.

Os pesquisadores da Cedeplar constataram que o auxílio emergencial tem efeito imediato no Produto Interno Bruto (PIB) – só com os três primeiros meses de pagamento, por exemplo, o aumento é de 0,44%. No entanto, se o programa for imediatamente cortado, há retração, com acréscimo de apenas 0,06% no fim de 2020.

Por outro lado, se a pressão dos movimentos sociais e da oposição surtir efeito e a renda básica for mantida, o estudo estima um impacto no PIB anual de 0,55%, com um acréscimo de 0,31% no ano seguinte, em 2021.

Eles vão gastar, e vão gastar principalmente nos setores econômicos mais atingidos pela crise – ou seja, aqueles ligados ao mercado interno.

Com a manutenção do programa até o fim de dezembro, a capacidade arrecadatória do Estado seria 5,7 vezes maior, de acordo com a projeção – ou seja, saltaria de R$ 22,3 bilhões, caso a renda básica fosse mantida apenas no período de três meses, para R$ 128 bilhões, com a política estendida.

Segundo Juliane Furno, isso prova que a renda básica é um benefício barato, com significativos ganhos sociais e alta taxa de retorno aos caixas públicos.

“É um benefício barato, que se paga, na medida que tem esses efeitos multiplicadores muito significativos na economia. É um tipo de projeto que quase não tem custo fiscal e, pelo contrário, possibilita que a gente consiga sair com menos fraturas e menos desigualdade deste período”, afirma.

Ainda conforme o estudo da UFMG, do ponto de vista da geração de emprego, no cenário de uma renda básica estendida, a taxa de crescimento do emprego poderia chegar a 0,81% no final de 2020 e de 0,31% em 2021, projetam os pesquisadores.

 

Brasil de Fato

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