sexta-feira, 30 de janeiro de 2026
InícioDestaquesCia. Alfredo Fernandes Indústria e Comércio - Geraldo Maia

Cia. Alfredo Fernandes Indústria e Comércio – Geraldo Maia

“Tudo tem o seu tempo determinado, e há tempo para todo o propósito debaixo do céu.

Eclesiastes 3:1

 

Tudo começou quando em 20 de abril de 1920 o Sr. Alfredo Fernandes se estabeleceu na cidade de Mossoró com a firma individual “Alfredo Fernandes”. Tinha como colaborador o jovem Pedro Fernandes Ribeiro, seu primo. A empresa estava situada inicialmente à Rua Cel. Gurgel, s/nº, Centro, e tinha como principal atividade o beneficiamento e a comercialização do algodão.

Com trabalho e dedicação a empresa se desenvolveu rápido, tanto é que em 26 de julho de 1924, apenas 4 anos após a sua fundação, mudou a razão social para “Alfredo Fernandes & Cia.”, com a admissão de Amália Amélia Fernandes, na qualidade de sócia. Mudou também o seu endereço para a Avenida Alberto Maranhão, 1528 – Centro, em 1º de agosto desse mesmo ano.

Com a expansão dos negócios, a empresa viu a necessidade de admitir novos sócios, e já em agosto de 1929 entrou para a empresa, na qualidade de sócios solidários, os senhores Antônio Christalino Fernandes e Ezequiel Fernandes de Souza e em 12 de setembro de 1949 os senhores Pedro Fernandes Ribeiro, Francisco Fernandes Senna, Aldemir Pessoa Fernandes, Raimundo Nonato Alfredo Fernandes, Dr. Antônio Martins Fernandes de Carvalho e Diego Cabral de Mello, mantendo ainda a mesma razão social. Com o falecimento do Dr. Antônio Martins Fernandes de Carvalho, foi admitido como sócio, aos 8 de agosto de 1958, o Sr. Aldo Fernandes de Souza.

Em 16 de junho de 1964 a empresa muda mais uma vez a sua razão social, transformando-se em “Cia. Alfredo Fernandes Indústria e Comércio”. A sua diretoria ficou assim constituída: Ezequiel Fernandes de Souza, na qualidade de Presidente; Pedro Fernandes Ribeiro, Diretor Superintendente; Aldemir Pessoa Fernandes, Diretor Comercial; Aldo Fernandes de Souza, Diretor Financeiro; Francisco Fernandes Senna, Diretor Industrial; Raimundo Nonato Alfredo Fernandes, Primeiro Secretário e Diogo Cabral de Mello, Segundo Secretário.

Desde seus primórdios, a Cia. Alfredo Fernandes Indústria e Comércio desenvolvia as atividades de compra e venda de algodão, peles de ovinos, caprinos e bovinos, cera de carnaúba e sementes de oiticica, fazendo transações com altos mercados do Sul do país, dos Estados Unidos da América e também da Europa. Mas outras atividades foram se abrindo, de modo que a empresa passou também a operar no setor industrial, se tornando, por vários anos, exportadora de óleos vegetais, especialmente o de semente de algodão com o aproveitamento dos subprodutos, tais como torta, casca, linter e borra de linter, que é a penugem que fica presa à semente do algodão após o beneficiamento.

Não era fácil, no entanto, competir com a concorrência, principalmente as chamadas “três irmãs inglesas”: SANBRA – Sociedade Algodoeira do Nordeste Brasileiro, Anderson Clayton e Machine Cotton, que trabalhava em todas as etapas do processo algodoeiro, financiando agricultores, comprando e beneficiando plumas de algodão e produzindo óleo do caroço, produtos esses que eram vendidos não só no mercado interno, mas, principalmente, no exterior.

Segundo o historiador e Mestre em Economia Tomislav R. Femenick, “na safra de 1969/70, a SAMBRA produziu sozinha 35% dos fardos de algodão do Rio Grande do Norte, o que a colocava na liderança do setor”.

Além disso tudo, uma série de outros fatores contribuíram para que o setor entrasse em crise como por exemplo, a falta de crédito, falta de subsídios governamentais e a concorrência com a fibra sintética tais como o nylon, a viscose e o poliéster, produzidas pelo mercado concorrente, principalmente os Estados Unidos e a China, fizeram com que muitas empresas falissem. E a situação se agravou mais ainda no início dos anos 80 com a praga do Bicudo, um besouro de origem africana que dizimou plantações em todo o Estado.

E a Cia. Alfredo Fernandes Indústria e Comercio, uma das mais sólidas empresas de Mossoró, também não resistiu. Encerrou seus negócios, depois de mais de sessenta anos de atividade.  Tinha cumprido o seu ciclo, pois como reza no versículo acima, “Tudo tem sem tempo determinado.“

 

[email protected]

NOTÍCIAS RELACIONADAS

DEIXE UMA RESPOSTA

Por favor digite seu comentário!
Por favor, digite seu nome aqui
Captcha verification failed!
Falha na pontuação do usuário captcha. Por favor, entre em contato conosco!
- Advertisment -

Notícias Recentes