domingo, 1 de fevereiro de 2026
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Brasileiros denunciam detenção migratória desumana nos EUA

Numa remota ex-prisão em Louisiana, relatos de instalações insalubres e alimentação escassa são generalizados. Especialistas há anos pedem o fechamento do local por violar direitos humanos.

 

Ao embarcarem no tortuoso caminho para a deportação, brasileiros têm sido enviados a uma detenção nos Estados Unidos (EUA) que acumula um longo histórico de violações de direitos humanos. Os imigrantes que passam pelo Centro de Processamento de Pine Prairie e as suas famílias denunciam tratamento desumano e condições insalubres dentro da antiga prisão, que hoje serve ao Serviço de Imigração e Controle de Aduanas (ICE).

 

O cenário drástico retratado por brasileiros que estão ou estiveram detidos em Pine Prairie inclui alimentação escassa e insalubre, instalações em más condições de higiene, falta de itens básicos e tratamento agressivo ou negligente de guardas. Parte deles relata dificuldades para obter cuidado médico apropriado e manter comunicação com famílias e advogados.

 

“Eles nos tratam aqui como animais”, diz Nelson (nome fictício), de dentro da detenção, à DW por telefone. “Está muito difícil. Eu choro todos os dias e só quero a minha liberdade.”

Até a manhã de sexta-feira (28), havia ao menos três brasileiros em Pine Prairie. Cerca de cinco passaram por lá em março. Todos homens, os detidos podem chegar a 1.094, segundo o grupo privado com fins lucrativos GEO, que opera desde 2015 as instalações num ponto remoto do estado de Louisiana.

“Mentalmente, isso aqui é uma loucura”, afirma Alberto (nome fictício), também mantido no centro de detenção. “Eles só nos jogam nas celas, e qualquer coisa que a gente precise demora uma eternidade.”

A Pine Prairie, chegam imigrantes apreendidos pelo ICE em diferentes regiões dos EUA. “Ele me diz que é humilhante estar lá”, reporta um familiar de um terceiro brasileiro, que só raramente consegue se comunicar com ele. A viagem de carro para chegar a Pine Prairie levaria 25 horas.

 

Brasileiros denunciam detenção migratória desumana nos EUA

Numa remota ex-prisão em Louisiana, relatos de instalações insalubres e alimentação escassa são generalizados. Especialistas há anos pedem o fechamento do local por violar direitos humanos.

TOPO

Por Heloísa Traiano

 

29/03/2025 11h10 Atualizado há 54 minutos

 

Escalada de operações de busca de imigrantes interrompe o sonho americano para indocumentados, submetidos a um precarizado sistema de detenções nos EUA — Foto: DW

Escalada de operações de busca de imigrantes interrompe o sonho americano para indocumentados, submetidos a um precarizado sistema de detenções nos EUA — Foto: DW

 

 

Numa remota ex-prisão em Louisiana, relatos de instalações insalubres e alimentação escassa são generalizados. Especialistas há anos pedem o fechamento do local por violar direitos humanos.

 

Ao embarcarem no tortuoso caminho para a deportação, brasileiros têm sido enviados a uma detenção nos Estados Unidos (EUA) que acumula um longo histórico de violações de direitos humanos. Os imigrantes que passam pelo Centro de Processamento de Pine Prairie e as suas famílias denunciam tratamento desumano e condições insalubres dentro da antiga prisão, que hoje serve ao Serviço de Imigração e Controle de Aduanas (ICE).

 

O cenário drástico retratado por brasileiros que estão ou estiveram detidos em Pine Prairie inclui alimentação escassa e insalubre, instalações em más condições de higiene, falta de itens básicos e tratamento agressivo ou negligente de guardas. Parte deles relata dificuldades para obter cuidado médico apropriado e manter comunicação com famílias e advogados.

 

“Eles nos tratam aqui como animais”, diz Nelson (nome fictício), de dentro da detenção, à DW por telefone. “Está muito difícil. Eu choro todos os dias e só quero a minha liberdade.”

Até a manhã de sexta-feira (28), havia ao menos três brasileiros em Pine Prairie. Cerca de cinco passaram por lá em março. Todos homens, os detidos podem chegar a 1.094, segundo o grupo privado com fins lucrativos GEO, que opera desde 2015 as instalações num ponto remoto do estado de Louisiana.

 

 

“Mentalmente, isso aqui é uma loucura”, afirma Alberto (nome fictício), também mantido no centro de detenção. “Eles só nos jogam nas celas, e qualquer coisa que a gente precise demora uma eternidade.”

A Pine Prairie, chegam imigrantes apreendidos pelo ICE em diferentes regiões dos EUA. “Ele me diz que é humilhante estar lá”, reporta um familiar de um terceiro brasileiro, que só raramente consegue se comunicar com ele. A viagem de carro para chegar a Pine Prairie levaria 25 horas.

 

Detidos passam fome e sede

Um relatório da organização Robert F. Kennedy Human Rights (RFK) corrobora os depoimentos dos brasileiros, com base em entrevistas com imigrantes detidos até 2021. Especialistas há anos advogam pelo fechamento das instalações, argumentando que elas são palco de violações de direitos humanos e das próprias diretrizes do ICE.

 

À DW ou a parentes com quem se comunicaram, imigrantes brasileiros relataram que os detidos em Pine Prairie usam todos os dias a mesma muda de uniforme, incluindo peças íntimas, e que faltam cobertores, lençóis e toalhas. Já a alimentação é descrita como em quantidade insuficiente e de qualidade, duvidosa.

 

“A cada dia eu só vou perdendo mais quilos, porque a comida que eles dão não sustenta”, conta Nelson. Nas aproximadas 20 horas que separam um jantar no meio da tarde de um almoço seguinte, ele recebe apenas um pão e uma caixa de leite, que não pode consumir por restrições alimentares.

 

Brasileiros denunciam detenção migratória desumana nos EUA

Numa remota ex-prisão em Louisiana, relatos de instalações insalubres e alimentação escassa são generalizados. Especialistas há anos pedem o fechamento do local por violar direitos humanos.

TOPO

Por Heloísa Traiano

 

29/03/2025 11h10 Atualizado há 54 minutos

 

Escalada de operações de busca de imigrantes interrompe o sonho americano para indocumentados, submetidos a um precarizado sistema de detenções nos EUA — Foto: DW

Escalada de operações de busca de imigrantes interrompe o sonho americano para indocumentados, submetidos a um precarizado sistema de detenções nos EUA — Foto: DW

 

 

Numa remota ex-prisão em Louisiana, relatos de instalações insalubres e alimentação escassa são generalizados. Especialistas há anos pedem o fechamento do local por violar direitos humanos.

 

Ao embarcarem no tortuoso caminho para a deportação, brasileiros têm sido enviados a uma detenção nos Estados Unidos (EUA) que acumula um longo histórico de violações de direitos humanos. Os imigrantes que passam pelo Centro de Processamento de Pine Prairie e as suas famílias denunciam tratamento desumano e condições insalubres dentro da antiga prisão, que hoje serve ao Serviço de Imigração e Controle de Aduanas (ICE).

 

O cenário drástico retratado por brasileiros que estão ou estiveram detidos em Pine Prairie inclui alimentação escassa e insalubre, instalações em más condições de higiene, falta de itens básicos e tratamento agressivo ou negligente de guardas. Parte deles relata dificuldades para obter cuidado médico apropriado e manter comunicação com famílias e advogados.

 

“Eles nos tratam aqui como animais”, diz Nelson (nome fictício), de dentro da detenção, à DW por telefone. “Está muito difícil. Eu choro todos os dias e só quero a minha liberdade.”

Até a manhã de sexta-feira (28), havia ao menos três brasileiros em Pine Prairie. Cerca de cinco passaram por lá em março. Todos homens, os detidos podem chegar a 1.094, segundo o grupo privado com fins lucrativos GEO, que opera desde 2015 as instalações num ponto remoto do estado de Louisiana.

 

 

“Mentalmente, isso aqui é uma loucura”, afirma Alberto (nome fictício), também mantido no centro de detenção. “Eles só nos jogam nas celas, e qualquer coisa que a gente precise demora uma eternidade.”

A Pine Prairie, chegam imigrantes apreendidos pelo ICE em diferentes regiões dos EUA. “Ele me diz que é humilhante estar lá”, reporta um familiar de um terceiro brasileiro, que só raramente consegue se comunicar com ele. A viagem de carro para chegar a Pine Prairie levaria 25 horas.

 

Detidos passam fome e sede

Um relatório da organização Robert F. Kennedy Human Rights (RFK) corrobora os depoimentos dos brasileiros, com base em entrevistas com imigrantes detidos até 2021. Especialistas há anos advogam pelo fechamento das instalações, argumentando que elas são palco de violações de direitos humanos e das próprias diretrizes do ICE.

 

À DW ou a parentes com quem se comunicaram, imigrantes brasileiros relataram que os detidos em Pine Prairie usam todos os dias a mesma muda de uniforme, incluindo peças íntimas, e que faltam cobertores, lençóis e toalhas. Já a alimentação é descrita como em quantidade insuficiente e de qualidade, duvidosa.

 

“A cada dia eu só vou perdendo mais quilos, porque a comida que eles dão não sustenta”, conta Nelson. Nas aproximadas 20 horas que separam um jantar no meio da tarde de um almoço seguinte, ele recebe apenas um pão e uma caixa de leite, que não pode consumir por restrições alimentares.

 

Depoimentos coletados pela RFK indicam que, pelo menos até 2021, o centro regularmente oferecia alimentos expirados. É frequente ainda o relato de que os imigrantes só têm acesso a uma garrafa de água mineral ao dia. A alternativa é água da torneira com gosto de cloro e de coloração amarelada.

 

“Comia quem tinha coragem”, conta Joaquim (nome fictício), que perdeu sete quilos ao longo de duas semanas em Pine Prairie. “Quando davam a garrafinha de água, você tinha que tomar metade e guardar o resto para quando desse sede mesmo. Uma vez, consegui pedir ajuda para um detento brasileiro que estava trabalhando, e ele me deu água e comida escondido.”

O Grupo GEO briga na Justiça americana para não ser forçado a equiparar ao salário-mínimo o pagamento dos imigrantes que trabalham nas suas instalações, inclusive com serviços pesados. Hoje, o valor pago é de 1 dólar ao dia.

 

Condições insalubres

Os imigrantes relatam ainda serem mantidos por até quatro dias numa sala de triagem. Joaquim contou 20 imigrantes dormindo no chão ao longo de dois dias. Depois, ele seria levado com outros sete homens a uma cela isolada, antes de migrar para os dormitórios comuns, que abrigam cerca de 70 homens em beliches.

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