sexta-feira, 30 de janeiro de 2026
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Gilbertson Sena

O entrevistado da semana faz parte da nova safra de arquitetos  que atuam na região de Mossoró. Formado pela primeira turma do curso de Arquitetura e Urbanismo de Mossoró, Gilbertson Senna fala das questões técnicas que envolvem a arquitetura na região, o processo de ajustes urbanísticos da cidade, das dificuldades para os que iniciam na carreira e da fonte de inspiração para elaboração de projetos que são instalados em toda a região.

Por MÁRCIO COSTA – Editor-geral

O MOSSOROENSE – Você integra a safra dos primeiros arquitetos graduando em Mossoró. Qual a importância desses profissionais para a região.
GILBERTSON SENA – A importância está na habilidade de compreender o espaço tornando-o funcional e adequado para utilização de pessoas normais ou com mobilidade reduzida. Nossa missão é tornar os ambientes e a vida das pessoas mais acessíveis que beneficie os parâmetros de estética, conforto e custo-benefício adaptados a nossa região.

OM – A instalação de um curso nesta área na região tem ajudado a tornar os serviços mais acessíveis?
GS – Acredito que o leque se abriu para somar experiências construídas através de anos de atuação dos arquitetos já residentes na região e a esperança e desafios dos novos arquitetos que buscam propor o diferencial em seus serviços, sendo coerentes nas suas atitudes e eficazes em seus traços. A união desses profissionais contribui para quantificar e fortalecer a classe de atuação que hoje conta com mais de 100 profissionais no município de Mossoró.

OM – Os profissionais que atuam nessa área têm cumprido com o código de ética.
GS – A classe de arquitetos busca cumprir com seus direitos e deveres de acordo com o código de ética, e nosso Conselho de Arquitetura e Urbanismo, fiscaliza e instrui os profissionais ao não descumprimento das posturas éticas e de cidadania.

OM – Moramos numa região quente. O que pode ser feito numa residência para amenizar o efeito do calor.
GS – Para se desenvolver um bom projeto de arquitetura é necessário conhecer alguns parâmetros técnicos que contribuem para o melhor desempenho na elaboração de projetos na área de arquitetura, urbanismo, paisagismo e interiores. Estudar critérios de iluminação e ventilação natural são elementos primordiais para tornar um projeto eficaz, além de fornecer aberturas de ventilação de acordo com cada índice determinado, bem como aplicação de revestimentos, cores e paisagismo que beneficie um melhor conforto térmico.

OM – Nossa estrutura urbanística tem falhas graves de acessibilidade. Você acha que o trabalho feito para melhorar o acesso a calçadas e prédios está sendo feito de forma adequada? O que pode ser feito para acelerar este processo?
GS – Não, pois mais do que remanejar os vendedores ambulantes que se instalam nos passeios, é necessário métodos de projetos que vise sinalizar, propor rampas acessíveis e fiscalização dos órgãos competentes, tornando o direito de ir e vir com dignidade e respeito pelos cidadãos.

OM – O mercado da região tem absorvido a mão de obra dos profissionais que optaram adentrar no mundo da arquitetura?
GS – Com a chegada dos novos arquitetos e urbanista a Mossoró e região, também surgiu a busca por novas ideais e profissionais com o compromisso de atender, compreender e satisfazer o desejo de clientes exigentes e comprometidos a também valorizar a classe.

OM – Quais as maiores dificuldades que cercam o segmento para os profissionais em início de carreira.
GS – O recém-formado sai da universidade com a ilusão e pressão que deve-se saber de tudo, pois o mercado o reprovará caso isso não seja real. Isso não acontece. Todos nós devemos ter a humildade para compreender acertos e falhas a serem corrigidos ao longo da carreira. A maior dificuldade está na “perseverança” de acreditar em si próprio para seguir em frente e lutar pelos seus objetivos.

OM – A contratação dos serviços de arquitetura ainda é privilégio de classes econômicas de alto padrão?
GS – Com a desvinculação da classe de arquitetos e urbanistas junto ao Crea, e com a criação de seu próprio Conselho tornou possível a aproximação dos arquitetos para com todas as classes, fazendo de sua valorização um fator acessível para atender todos os níveis, bem como diversificar os serviços destes profissionais.

OM – Mossoró em um centro que disponibiliza recursos suficientes para execução de um bom trabalho arquitetônico? Quais as maiores deficiências do mercado fornecedor?
GS – O mercado não está em crise de materiais e equipamentos de ponta, mais sim de profissionais qualificados e comprometidos a desempenhar com dignidade, respeito e prazer na prestação dos serviços na área da construção civil, sobretudo essa falha também está relacionada a má remuneração desses profissionais, que são peças primordiais na execução de um bom projeto de arquitetura.

OM – Você tem estilo que mostra traços inovadores e ousados em seus projetos. De onde surge inspiração para a base de seus projetos?
GS – Acredito que os volumes na arquitetura devem se comunicar com as pessoas, causando sensações e sentimentos de inovação… Inspiro-me nas pessoas e nos seus sonhos, além de me identificar com o estilo contemporâneo do arquiteto Arthur Casas.

OM – Com a morte de Oscar Nyemayer o Brasil conta com substitutos a altura? Quem são os grandes nomes da arquitetura contemporânea no Brasil.
GS – Oscar será eternamente uma das maiores referências na construção civil, não só pelas suas magnificas obras, como também pela personalidade em seu traço, porém são épocas e períodos distintos, onde cada profissional respeita seus limites. Sobretudo me identifico com alguns arquitetos que se tornarão referência na minha formação, como por exemplo: Arthur Casas (Studio Arthur Casas), Márcio Kogan (Studio MK 27) e Rui Ohtake.

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