Os líderes dos países que integram o Mercosul e a União Europeia assinaram neste sábado (17) o acordo comercial entre os dois blocos, encerrando um processo de negociações que se arrastou por mais de 25 anos.
Anfitrião da cerimônia e presidente pro tempore do Mercosul, o presidente do Paraguai, Santiago Peña, classificou o tratado como um marco histórico e afirmou que o entendimento representa uma mensagem clara em defesa do comércio internacional, do diálogo e da cooperação entre nações.
Segundo Peña, o acordo aproxima dois dos mercados mais relevantes do mundo — Europa e América do Sul — após um caminho longo e complexo de construção diplomática. Em seu discurso, ele defendeu mais integração entre os blocos em um cenário global desafiador, ressaltando a importância de união, coragem e visão de futuro.
Durante o evento, a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, destacou que Mercosul e União Europeia optaram pela parceria e pelo comércio justo, em vez do isolamento e do aumento de tarifas. Para ela, o documento simboliza uma nova etapa de cooperação produtiva e de longo prazo, com benefícios concretos para as populações dos dois blocos.
A solenidade foi realizada no Grande Teatro José Asunción Flores, localizado no Banco Central do Paraguai, em Assunção — o mesmo local onde, em 1991, foi assinado o tratado que deu origem ao Mercosul.
Representando o bloco sul-americano, participaram da cerimônia o presidente do Paraguai, Santiago Peña; o presidente da Argentina, Javier Milei; o presidente do Uruguai, Yamandú Orsi; o presidente da Bolívia, Rodrigo Paz; e o presidente do Panamá, José Raúl Mulino. O presidente do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva, não esteve presente, sendo representado pelo ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira.
Pela União Europeia, além de Ursula von der Leyen, participou o presidente do Conselho Europeu, António Costa.
O acordo prevê a redução ou eliminação gradual de tarifas de importação e exportação em mais de 90% do comércio entre os dois blocos. O texto também estabelece regras comuns para setores como bens industriais e agrícolas, investimentos e padrões regulatórios.
Considerado um passo decisivo rumo à criação da maior zona de livre comércio do mundo, o tratado deve ampliar a integração entre os mercados do Mercosul e da União Europeia, reduzir custos comerciais e estimular o fluxo de bens, serviços e investimentos entre a América do Sul e a zona do euro.





