sexta-feira, 30 de janeiro de 2026
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O Comando Vermelho (CV) ampliou de forma expressiva seu domínio no Estado do Rio de Janeiro, assumindo o controle de 70 dos 92 municípios fluminenses

Por ContraFatos

 (CV) ampliou de forma expressiva seu domínio no Estado do Rio de Janeiro, assumindo o controle de 70 dos 92 municípios fluminenses, de acordo com um relatório elaborado pela  e divulgado pelo jornal O Globo.

O documento mostra que 62,8% das áreas sob influência do  estão atualmente nas mãos da facção, que há décadas mantém forte presença nos complexos do Alemão e da Penha, na capital.

Expansão e enfraquecimento do policiamento

O relatório indica que em 36 municípios o Comando Vermelho atua sem concorrência de outras facções, enquanto 15 cidades permanecem sem domínio consolidado por grupos criminosos. Para o secretário de Polícia Civil, Felipe Curi, a retração das Unidades de Polícia Pacificadora (UPPs) facilitou a dispersão do  para outras regiões do Estado.

Ele acrescenta que o grupo criminoso diversificou suas fontes de renda:

“Hoje, o tráfico representa apenas de 10% a 15% do faturamento do CV. O foco é a exploração econômica dos territórios — gás, luz, internet, transporte e extorsão”, afirmou.

Megaoperação revela poder armado

Uma operação policial de grande porte, realizada no fim de outubro, expôs a força bélica da facção. Durante o confronto, ônibus foram usados como barricadas, e o tiroteio se estendeu pelas ruas, impedindo o deslocamento de moradores.

O episódio reforçou a preocupação das autoridades com o avanço territorial do grupo.

Impactos econômicos e monopólios locais

Além do aumento da violência, o domínio do Comando Vermelho tem causado prejuízos econômicos a empresários e à população. Um empresário do setor de telecomunicações contou ao O Globo que perdeu 20 mil assinantes em uma cidade do Leste Fluminense para provedores controlados pela facção, conhecidos como “CVNet”.

Segundo ele, sua empresa só consegue atuar em 25% do território de São Gonçalo:

“Eu não perdi clientes para a concorrência, perdi para o maior provedor do Rio, o CVNet”, relatou.

Nas áreas dominadas, moradores vivem sob medo constante e enfrentam queda no valor dos imóveis. Uma moradora de Vila Isabel relatou a insegurança após o Morro dos Macacos ser tomado pelo grupo:

“No Dia das Mães, tivemos que almoçar dentro do quarto por causa do tiroteio. Nosso prédio vive com marcas de balas.”

Até mesmo bairros de classe média e alta, como Itanhangá e Jacarepaguá, registram tentativas da facção de monopolizar serviços como gás e internet.

Crescimento planejado e novas táticas

De acordo com a PM, entre janeiro e outubro deste ano, mais de 4,4 mil toneladas de barricadas foram removidas das ruas, um reflexo direto do avanço da facção. O Disque Denúncia também registrou aumento de 50% nas queixas relacionadas a bloqueios instalados por criminosos.

pesquisador Daniel Hirata, da Universidade Federal Fluminense (UFF), analisa que o crescimento do CV é resultado de uma estratégia de expansão contínua:

“Ao contrário das milícias, o CV tem uma expansão orgânica e sustentada. Mas a disputa pela Zona Oeste ainda está em aberto”, destacou.

Hirata lembra que, já em 2023, o grupo controlava mais da metade dos territórios criminosos da Região Metropolitana, consolidando um avanço planejado e persistente sobre o estado.

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